Expovinis 2009 apresenta seus campeões

Por Marcelo Copello

 

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A Expovinis Brasil, maior feira de vinhos da América Latina, encerrou ontem sua 13ª edição e como faz desde 2006 elegeu seus “Top Ten”. Este concurso se aprimora a cada ano. Em 2006 provamos 54 amostras, em 2007 foram 170, em 2008 157 e este ano 180. Cada expositor envia até dois vinhos ao concurso, escolhendo em qual das 10 categorias irá concorrer: Espumante Nacional, Espumantes do Mundo, Brancos-Sauvignon Blanc, Brancos-chardonnay, Brancos-outras castas, Tintos nacionais, Tintos do Novo Mundo, Tintos Velho Mundo, Doces/Fortificados.

O certame contou com a coordenação José Ivan Santos e presidência do júri de Jorge Lucki (que não participaram da degustação dos vinhos). O júri foi composto por 13 participantes, quase os mesmos dos anos anteriores, com reforços internacionais: Jorge Carrara (da Folha de São Paulo), José Maria Santana (da revista Gula), Marcio Oliveira (da SBAV-MG), Roberto Gerosa (da revista Veja), Manoel Beato (do Fasano), Gustavo de Paulo (atual presidente da ABS-SP), Ricardo Farias (ABS-RJ), Gerson Lopes (ABS-MG),Mauro Zanus (enólogo da Embrapa), Nuno Vaz Pires (diretor da Revista Wine, de Portugal), Dirceu Vianna Junior (brasileiro radicado na Inglaterra, que conquistou recentemente o título de Máster of Wine) e eu mesmo, Marcelo Copello, de Gazeta Mercantil.

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Nos reunimos nos dias 2 e 3 de maio (sábado e domingo antes da feira) e a partir das 10 da manha provamos 96 vinhos no sábado e 84 no domingo, encerrando a prova bem a tempo dos jurados paulistanos acompanharem a final do campeonato local de futebol. 

Este ano cada jurado votava diretamente e um computador (sem debater sua opinião com outros jurados) dando notas de 50 a 100 a cada vinhos. Além disso cada jurado escolheu para cada categoria seus 3 prediletos, elegendo seu 1º lugar, 2º lugar e 3º lugar. O critério para eleger o campeão foi a nota média do grupo. Em caso de empate técnico (médias com menos de 2 décimos de diferença) o desempate foi feito atribuindo pontos aos prediletos dos jurados (3 pontos para 1º lugar, 2 pontos para o 2º lugar e 1 ponto para o 3º lugar). A ordem de degustação dos vinhos foi aleatória.

Acompanhe a grande prova passo a passo e os comentários sobre os campeões:

Espumantes Brasileiros
Esta categoria contou com 23 concorrentes de muito bom nível, quase todos do Rio Grande do Sul, com uma única amostra catarinense. Uma das amostras se destacou e venceu com boa margem. A amostra vencedora foi a de número 11, obtendo dos 13 jurados a nota média de 86,0 pontos (extraindo-se a maior e menor nota). Minha nota pessoal foi de 88 pontos. Esta amostra recebeu dos jurados 4 primeiros lugares, 1 segundo e 2 terceiros (ou seja, entrou no pódio de 7 dos 13 jurados). O eleito foi:Casa Valduga Gran Reserva Extra-brut 2002, Bento Gonçalves-Brasil. Elaborado pelo método Champenoise com Chardonnay e Pinot  Noir. De cor dourada mais carregada, brilhante, com perlage perfeita, pequena, abundante e persistente. Aromas intensos de frutas amarelas muito maduras, abacaxi, geléia de damasco, baunilha, mel, tostados. Paladar encorpado e macio, com boa acidez, longo. O espumante brasileiro me geral merece aplausos e troféus, e a Casa Valduga, que faz bons espumantes consistentemente há anos é ótimo representante da categoria. Os espumantes Valduga conseguiram desenvolver um estilo próprio ao longo dos anos, tanto que chegou a ser reconhecido na prova cega. Parabéns. 88/100 

Espumantes do Mundo
Esta categoria contou com 8 concorrentes, entre Champagnes, Proseccos, espumates franceses, sul-americanos e portugueses. Mais uma vez o vencedor foi um Champagne (veja abaixo). A amostra vencedora foi a de número 6, obtendo a nota média de 88,2 pontos (extraindo-se a maior e menor nota). Minha nota pessoal foi de 90 pontos. Esta amostra recebeu dos jurados 4 primeiros lugares, 3 segundos e 1 terceiro. Esta vitória ao foi fácil, eu por acaso não votei nesta amostra, que foi meu 2º lugar, meu eleito foi a amostra 8, que por coincidência se tratava do rosé do mesmo produtor. O eleito foi: Champagne Pehu Simonet brut sélection grand cru nv, Champagne-França (Vinália). 70% Pinot Noir e 30% Chardonnay Amarelo palha com reflexos dourados, perlage perfeita, pequena, abundante e persistente. Aromas de brioche, tostados, avelãs, mel, especiarias, frutas maduras, toque floral, fundo mineral. Paladar de médio corpo, acidez bem marcada, equilibrado, longo e elegante. 90/100

Branco Sauvignon Blanc
Esta categoria contou com 8 concorrentes, do Brasil, Austrália, Chile, África do Sul e França.
Assim como nos dois anos anteriores, o campeão veio de Casablanca no Chile. A amostra vencedora foi a de número 3, obtendo a nota média de 86,2 (extraindo-se a maior e menor nota). Minha nota pessoal foi de 86 pontos. Esta amostra recebeu boa colocação de quase todos os jurados, com 3 primeiros lugares, 6 segundos e 1 terceiro. O eleito foi: Ventisquero Queulat  Gran Reserva 2008, Casablanca-Chile (Cantú). Cor muito clara e brilhante, branco papel com reflexos esverdeados. Aroma muito intenso e de ótimo frescor, com excelente tipicidade da casta, lembrando grama cortada, ervas frescas, características notas de “gooseberry” (groselha branca). Paladar macio, com textura e frescor, ótima acidez, longo e equilibrado. 86/100.

Branco Chardonnay
Esta categoria contou com 15 concorrentes, 9 do Brasil, 2 do Chile e 1 da Argentina. A amostra vencedora foi a de número 7, obtendo a nota média de 86,4 (extraindo-se a maior e menor nota). Minha nota pessoal foi de 84 pontos. Esta amostra recebeu dos jurados 4 primeiros lugares, 2 segundos e 3 terceiros. O eleito foi: Morandé Terrarum Reserva 2007, Casablanca-Chile (Carvalhido). Amarelo dourado claro e brilhante. Aroma com madeira dando o tom, com baunilha, tostados, mel, abacaxi maduro, damasco. Paladar de bom corpo, macio, untuoso, boa acidez, longo. 84/100

Branco outras castas
Esta categoria foi bastante concorrida, com 18 amostras de vários países (incluindo o Brasil), entre Rieslings, Sémillon, Viogniers, Ggewürztraminers, vinhos de castas portuguesas e italianas. A amostra vencedora foi a de número 10, obtendo a nota média de 87,8 (extraindo-se a maior e menor nota). Minha nota pessoal foi de 87 pontos. Esta amostra se destacou bastante das demais e venceu fácil, recebendo dos jurados 6 primeiros lugares e 2 segundos. O eleito foi: Josmeyer Les Pierrets Riesling 2001, Alsace-França (Zahil). Amarelo dourado claro brilhante. Aromas intensos com forte acento mineral de petróleo, bastante típico dos Rieslings alsacianos, com pêssego, frutas tropicais maduras, frescor de ervas. Paladar de bom corpo, macio e untuoso, com boa acidez, leve toque de açúcar residual (sem deixar de ser seco), longo e de grande elegância. 87/100.

Rosado
Esta categoria foi também concorrida, com 14 amostras, do Brasil, Argentina, Portugal, França e Alemanha. Vale mencionar que a votação expressiva nos vinhos da Provence, que como nos últimos dois anos ficaram com o troféu. A amostra vencedora foi a de número 7, obtendo a nota média de 85,8 pontos. Minha nota pessoal foi de 88 pontos. Esta recebeu dos jurados 4 primeiros lugares, 1 segundo e 3 terceiros. O eleito foi: Cascaï 2008, Château Ferry Lacombe, Provence-França (Vins de Provence). Linda cor muito clara em tons de rosa-pêssego. Aroma intenso e fresco lembrando frutas vermelhas, framboesa, morango, groselha, com toques mentolados, e de especiarias, florais de rosas. Paladar muito leve, fresco, elegante e longo. Simplesmente perfeito dentro de seu estilo. 88/100

Tinto brasileiro
Como em todos os anos anteriores esta foi talvez a categoria mais disputada e de difícil escolha. Foram 31 amostras, de várias regiões do Brasil. A amostra vencedora foi a de número 7, obtendo a nota média de 85,7 pontos (extraindo-se a maior e menor nota). Minha nota pessoal foi de 86 pontos. Esta recebeu dos jurados apenas 2 segundos lugares e 2 terceiros, uma vitória muito apertada, mas que depois do resultado foi muito bem recebida por todos, por se tratar de uma bela homenagem ao recém falecido presidente da empresa Ângelo Salton. O eleito foi: Talento 2005, Salton, Tuyuti-RS-Brasil. Elaborado com Cabernet Sauvignon, Merlot e Tannat, com 1 ano em barricas francesas. Rubi escuro com reflexos violáceos. Aroma muito fino e muito fresco, focado nas frutas negras (cassis, ameixa, amora), toques vegetais de musgo, madeira de qualidade. Paladar de médio corpo, taninos finos, acidez correta. 86/100

Tinto Novo Mundo
Esta categoria contou com 22 amostras, a maioria do Chile e da Argentina, mas também com rótulos da Austrália, África do Sul e Noza Zelândia. A amostra vencedora foi a de número 13, obtendo a nota média de 87,6 pontos (extraindo-se a maior e menor nota). Minha nota pessoal foi de 91 pontos. Esta categoria foi muito concorrida e dispersão de votos foi muito grande, com a amostra vencedora recebendo apenas 1 primeiro lugar e 3 segundos. A decisão foi no photochart e o campeão foi: Las Perdices Tinamú 2006, Viña Las Perdices, Mendoza-Argentina (Bodegas Los Andes). Elaborado com 60% Malbec, 25% Cabernet Sauvignon, 10% Petit Verdot w 5% Tanat, amadurece 24 meses em barricas 70% francesas e 30% americanas. Vermelho rubi escuro com reflexos violáceos. Aroma intenso e de bom frescor, mostrando frutas negras maduras, florais de violetas, muitas especiarias. Paladar encorpado, com taninos firmes, secos e finos, com acidez correta, limpo, equilibrado, elegante e longo. 91/100

Tinto Velho Mundo
Esta categoria, como sempre foi a mais competitiva dentre os vinhos importados, contando com nada menos de 30 amostras de um nível excelente. Estavam representados Portugal (a maioria), Espanha, Itália, França e Alemanha. Os portugueses, assim como no ano passado levaram a melhor e a amostra vencedora foi a de número 26, obtendo a nota média de 88,0 pontos (extraindo-se a maior e menor nota). Minha nota pessoal foi de 86 pontos. A amostra vencedora recebeu dos jurados 2 primeiro lugares e 1 segundo. A decisão foi difícil e o campeão foi: Vinha Longa Reserva 2006, Alentejo-Portugal (AEP). De cor rubi escuro com reflexos violáceos. Aroma intenso e concentrado, de frutas muito maduras, geléias, madeira, tostados, especiarias, baunilha, toque floral de violetas. Paladar concentrado, taninos doces com toque de rusticidade, acidez correta, longo. 86/100

Fortificados e Doces
Esta categoria, apesar de contar com apenas 10 concorrentes, foi disputadíssima, dada a qualidade altíssima dos vinhos, alcançando as notas mais altas de todo o concurso. Estavam representados: Portugal (Madeira, Porto, Moscatel), além de Brasil, Chile e Itália. A disputa foi acirrada entre dois madeiras, um Porto Vintage e um Porto Tawny 40 anos. A amostra vencedora foi a de número 1, obtendo a nota média de 91,3 pontos (extraindo-se a maior e menor nota). Minha nota pessoal foi de 92 pontos. A amostra vencedora recebeu dos jurados 5 primeiros lugares, 3 segundos e 2 segundo. O vitorioso foi: Justino’s Madeira 10 anos, Justinos Henriques, Ilha da Madeira-Portugal. Cor de caramelho a amarronzado. Aroma muito intenso e complexo, de melaço, com toque medicinais, verniz, frutas cristalizadas e compotas, avelãs, especiarias. Paladar bastante doce, viscoso, quase cremoso, com acidez elevada para contra-balancear a doçura, muito longo, gruda na boca. 91/100

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Todos os vencedores da Expovinis
 

2006 – 54 AMOSTRAS

Rosado
Santa Digna Cabernet Sauvignon Rose 2005, Miguel Torres, Penedés-Chile.

Branco Sauvignon Blanc
Sauvignon Blanc 2004, Hunter’s, Marlborough-Nova Zelândia.

Branco Chardonnay
Gimblett Gravels Chardonnay 1999, Trinity Hill, Hawkes Bay-Nova Zelândia.

Branco outras castas
The Lodge Hill Riesling 2003, Jim Barry, Clare Valley-Austrália.

Espumantes do Mundo 1
Cava Cuvée Raventós, Cordoníu, Penedés-Espanha.

Espumantes do Mundo 2
Cava Reserva de la Família Brut Nature 2002, Juvé y Camps, Penedés-Espanha.

Champanhe
Cuvée Spéciale Jean-Paul Gaultier NV, Piper-Heidsieck, Champagne-França.

Tintos leves e brasileiros
Quinta do Sanguinhal 2000, Companhia Agrícola do Sanguinhal, Óbidos-Portugal.

Tinto estilo Bordeaux 1
Old Block Shiraz 2001, St.Hallett, Barossa Valley-Austrália.

Tinto estilo Bordeaux 2
Leo d’Honor 2001, Casa Ermilinda de Freitas, Palmela-Portugal.

Tinto de maior estrutura
Vinha da Ponte 2003, Quinta do Crasto, Douro-Portugal.

2007 – 170 AMOSTRAS
Espumantes do Mundo
Vértice Super Resera Bruto 2000, Caves Trasmontanas, Douro-Portugal

Branco Sauvignon Blanc
Sauvignon Blanc 2006, William Cole, Casablanca-Chile

Branco Chardonnay
Chardonnay  2006, Villa Francione, São Joaquim-Brasil.

Branco outras castas
Esporão Private Selection 2006, Herdade do Esporão, Alentejo-Portugal

Rosado
Château Pourcieux 2006, Provence-França

Tinto brasileiro
Desejo Merlot 2004, Salton, Bento Gonçalves-Brasil.

Tinto Bordeaux
Château Haut-Bacalan 2003, Michel Gonet, Bordeaux-França

Tinto Novo Mundo
The Octavius 2001, Yalumba, Barossa Valley-Australia

Tinto Velho Mundo
Vosne-Romanée 2003, Bouchard Pere & Fils, Borgonha-França

Herdade dos Grous Reserva 2004, Alentejo-Portugal

Fortificados e Doces
Château Doisy-Daene 2002, Sauternes-França

2008 – 157 AMOSTRAS
Espumantes
Drappier La Grande Sendrée 2000, Champagne-França

Sauvignon Blanc
Casa del Bosque Reserva 2007, Casablanca-Chile

Chardonnay
Cordilheira de San’tana Reserva Especial 2005, Campanha Gaúcha-Brasil

Branco outras castas
Petaluma Hanlin Hill Riesling 2005, Clare Valley-Austrália

Rosés
Château de Pourcieux 2007, Provence-França

Tintos Nacionais
Rio Sol 2006, Vale do São Francisco-Brasil

Tintos Castas Bordalesas
Urano Cabernet Sauvignon 2006, Bodega Eral Bravo, Mendoza-Argentina

Tintos Novo Mundo
Kilikanoon Covenant Shiraz 2004, Clare Valley-Austrália

Tintos Velho Mundo
Quinta Nova Nossa Senhora do Carmo Grande Reserva 2005, Douro-Portugal

Doces e Fortificados
Grandjó Late Harvest 2005, Real Companhia Velha, Douro- Portugal

2009 – 180 AMOSTRAS
Espumantes Brasileiros
Casa Valduga Gran Reserva Extra-brut 2002, Bento Gonçalves-Brasil

Espumantes do Mundo
Champagne Pehu Simonet brut sélection grand cru nv, Champagne-França (Vinália)

Branco Sauvignon Blanc
Ventisquero Queulat  Gran Reserva 2008, Casablanca-Chile (Cantú)

Branco Chardonnay
Morandé Terrarum Reserva 2007, Casablanca-Chile (Carvalhido)

Branco outras castas
Josmeyer Les Pierrets Riesling 2001, Alsace-França (Zahil)

Rosado
Cascaï 2008, Château Ferry Lacombe, Provence-França (Vins de Provence)

Tinto brasileiro
Salton Talento 2005, Tuyuti-RS-Brasil

Tinto Novo Mundo
Las Perdices Tinamú 2006, Viña Las Perdices, Mendoza-Argentina (Bodegas Los Andes)

Tinto Velho Mundo
Vinha Longa Reserva 2006, Alentejo-Portugal (AEP)

Fortificados e Doces
Justino’s Madeira 10 anos, Justinos Henriques, Ilha da Madeira-Portugal

Marcelo Copello (mcopello@mardevinho.com.br)

www.mardevinho.com.br