Frescor verde para os dias quentes de verão

Por Marcelo Copello

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Em Portugal os “Verdes” estão hoje em segundo lugar em vendas, atrás apenas dos tintos do Alentejo. Antes de prosseguir é bom explicar o que é o “Vinho Verde” e qual sua origem. “Vinho Verde” é o vinho produzido na Região Demarcada dos Vinhos Verdes (RDVV) no Minho. Seu estilo é jovial, leve, refrescante, e muitas vezes frisante (com algum gás). Suas características vem do clima e das castas da região e sua origem se perde no tempo, sendo atribuida a origem céltica dos primeiros povos que lá viveram. Os celtas bebiam mais comumente a cerveja, mais leve e de menor teor alcoólico que os vinhos em geral. Com a introdução da cultura da vinha pelos romanos este estilo de vinho, com mais afinidade com a cerveja, adaptou-se ao gosto local.

É bom explicar que alcunha “Verde” tem origem na paisagem verdejante da região. Por seu clima de chuvas abundantes a vegetação do Minho é exuberante, a área de folhas de um único pé de vinha chega a 4 m2, por exemplo. O nome “Verde”, portanto, não se refere a cor do vinho, que pode ser branco, tinto, rosé ou espumante.  Em Portugal outro erro comum é referiri-se aos “Verdes” (vinhos de estilo juvenil) como contraponto ao que popularmente lá se chama de “vinho maduro”, que seriam todos os demais.

Localização e Produção
O Minho localiza-se no extremo noroeste de Portugal, limitado ao norte pelo rio Minho, fronteira natural com a Espanha;  ao sul pelo rio Douro e as serras da Freita, Arada e Montemuro; a leste pelas serras da Peneda, Gerês, Cabreira e Marão, e à oeste pelo Oceano Atlântico.

O RDVV é a maior região região vitivinícola de Portugal e uma das maiores da Europa com, 7 mil km2. Seus 34 mil hectares de vinhedos correspondem a 15% da área vitícola nacional e produzem ao ano cerca de 100 milhões de litros de vinho (60% brancos). A região engloba 35 mil produtores, quase todos muito pequenos, já que 90% das propriedades agrícolas tem menos de 5 hectares. As 20 maiores empresas engarrafadoras controlam, no entanto, cerca de 90% do vinho da região. As duas maiores são a Quinta da Aveleda e a Vercoope (aglomerado de várias adegas cooperativas).

Clima, relevo e solo
O clima da região é ameno, chuvoso e fortemente inflienciado pelo oceano Atlântico, pois o relevo em “afiteatro” e o curso dos rios ajudam os ventos do mar a penetrar na região. Os 1500 mm de média anual de chuvas concentram-se no frio inverno, com o verão sensdo seco e morno (média de 20oC). Os solos são bem variados, porém, fora algumas manchas de xisto, o que domina é o granito, que confere acidez aos vinhos.

As castas
Um dos maiores patrimônios do vinho português são suas castas autóctonas, que tornam seus vinhos únicos. O CVRVV classificou as castas da região em “recomendadas” e “autorizadas” fixando percentagens mínimas para as primeiras e máximas para as segundas. Assim, para ser um “Vinhos Verde” é necessário ter em sua elaboração um mínimo de 75% de castas “recomendadas” e um máximo de 25% de castas “autorizadas”. As rcomendas brancas são: Alvarinho (também chamada de Galego ou Galeguinho), Arinto (ou Pedernã), Avesso, Azal, Batoca, Loureiro e Trajadura. Nas tintas:  Alvarelhão (ou Brancelho), Amaral (ou Azal tinto), Barrocal, Espadeiro, Padeiro, Pedral, Rabo de Anho e Vinhão.

Como “autorizadas” brancas, há as seguintes: Cascal, Colombard, Diagalves, Esganinho, Esganoso, Fernão Pires (ou Maria-Gomes), Folgasão, Godelho, Lameiro, Malvasia Fina, Malvasia Rei, Pintosa (ou Branco-Escola), Rabo-de-ovelha, São-Mamede, Sémillon (ou Semilão), Sercial (ou Esgana-Cão) e Tália (ou Douradinha). As autorizadas tintas são: Alicante Bouschet, Baga, Doçal, Doce, Espadeiro Mole, Grand Noir, Labrusco, Mourisco, Pical, Sousão, Touriga Nacional, Trincadeira (ou Tinta-Amarela), Verdelho Tinto e Verdial Tinto.

Alvarinho
De todas as uvas mencionadas acima, a mais importante é, sem dúvida a Alvarinho. Seu perfil se diferencia significativamente das demais castas brancas da DOC Vinhos Verdes. Sua intensidade de cor é maior, o aroma é mais intenso e seu caráter gustativo é de maior maciez alcoólica, com maior estrutura, equilíbrio e  persistência.  Enquanto a cepa Loureiro é mais floral, a Azal e a Avesso são mais cítricas, a Pedernã e Trajadura lembram banana e maça, por exemplo. A Alvarinho tem perfil mais para frutas amarelas maduras, como pêssego manga, abacaxi, laranja ou maracujá, além de florais e cítricos.

Historiadores espanhóis sugerem que a Alvarinho é aparentada com a Riesling, e teria sido introduzida na Galícia por monges de Cluny, em peregrinação medieval a tumba de Santiago. A Alvarinho é uma das cepas de menor rendimento do mundo, seus bagos são pequenos e sua película grossa e 100 kg de uva rendem pouco mais de 50 litros de vinho. Seu ciclo é curto, as uvas amadurecem precocemente, o que na região é uma dádiva, e tem boa resistência a pragas. Outra característica da Alvarinho que a torna “moderna” é sua afinidade com fermentação em barricas de carvalho e maceração pelicular com batonnage, dando ainda mais estrutura ao vinho.

Vinhos provados

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Quinta do Ameal Escolha 2004, Quinta do Ameal, Minho-Portugal (Expand, tel.: 11 3847-4700, R$ 98). Elaborado 100% com a casta autóctone Loureiro, amadurecido 6 meses em barricas francesas. Amarelo dourado brilhante. Aromas de frutas tropicais maduras, maracujá, pêssego, baunilha, com florais elegantes. Paladar de médio corpo, textura macia equilibrada com boa acidez, 12% de álcool, média persistência. Um dos grandes vinhos da região, delicioso e já maduro, beber já. 88/100

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Muralhas de Monção 2008, Adega de Monção, Minho-Portugal (Barrinhas, tel.: 21 2131-0021, R$ 28,90). Amarelo palha muito claro e brilhante, com reflexos esverdeados. Aroma delicado, perfumado por com florais, de pêssegos, cítricos, lima. Paladar muito leve, com leve toque frisante, a típica “agulhada” que o Vinho Verde provoca na língua, macio (com 3 gramas de açúcar residual), 12,5% de álcool, boa acidez), muito agradável, campeão de vendas e boa compra. 81/100

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Deu La Deu Alvarinho 2008, Adega de Monção, Minho-Portugal (Barrinhas, tel.: 21 2131-0021, R$ 48,90). Amarelo palha com reflexos dourados, brilhante. Aromas delicado, com destaque para frutas tropicais maduras, maracujá, abacaxi, pêssego, toques florais, limão siciliano. Paladar leve, macio, com açúcar residual aparecendo (5 gramas de açúcar), 13% de álcool, boa acidez. 80/100

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Alvarinho Palácio da Brejoeira 2006, Palácio da Brejoeira, Minho-Portugal (Vinci, tel.: 11 2797-0000, R$ 137,17). Amarelo palha claro e brilhante. Nariz delicado e elegante, com flores brancas, anis, ervas (funcho), frutas maduras (pêra, abacaxi), cítricos. Paladar leve, macio e equilibrado, com 12% de álcool, boa acidez, desce fácil, delicioso. 84/100

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Alvarinho Auratus 2006, Quinta do Feital, Minho-Portugal (Grand Cru, tel.: 11 3062-6388, R$ 55). 80% Alvarinho e 20% Trajadura. Amarelo dourado brilhante. Aromas de frutas maduras, abacaxi, baunilha, pêssego, damasco, tangerina, gengibre, flores brancas, fundo mineral. Paladar de médio corpo, com textura macia e ótima acidez, 12,5% de álcool, belo equilíbrio entre untuosidade e frescor, longo, muita personalidade, boa compra 88/100

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Alvarinho Dorado Superior 2005, Quinta do Feital, Minho-Portugal (Grand Cru, tel.: 11 3062-6388, R$ 104). Amarelo dourado brilhante. Aroma intenso e muito elegante, com notas de flores brancas, baunilha, maça madura, quase um strudel, manga, abacaxi, manteiga. Paladar de médio corpo, macio e elegante, com boa acidez, 13% de álcool. 87/100

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Alvarinho Muros de Melgaço 2007, Anselmo Mendes, Minho-Portugal (Decanter, tel.: 47 3326-0111, R$ 135). Palha claro com reflexos dourados, brilhante. Aroma intenso de fruta doce, frutas cristalizadas, baunilha, flores brancas, cítricos, manteiga, fundo mineral, muito fresco e elegante. Paladar de bom corpo, 13% de álcool, macio, untuosidade convive com uma ótima acidez, longo. 90/100

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Alvarinho Moda Antiga 2007, Anselmo Mendes, Minho-Portugal (Decanter, tel.: 47 3326-0111, R$ 217). Elaborado a “moda antiga”, com “curtimenta”, a fermentação é feita com as películas, dando mais corpo ao vinho, que amadurece 9 meses com suas borras em barricas usadas. Amarelo palha com reflexos entre dourados e esverdeados. Aromas intensos de  frutas cítricas, frutas cristalizadas, florais, fundo mineral e toque agradável de oxidação como um jerez. Paladar estruturado, com textura densa, mostrando concentração, 13,5% de álcool, grande acidez, longo. Um vinho branco de guarda, fico curioso para prová-lo daqui a 10 anos. 92/100

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Quinta da Aveleda Vinho Verde 2007, Minnho-Portigal (Interfood). Elaborado com Alvarinho, Trajadura e Loureiro. Palha esverdeado muito claro, quase branco papel, brilhante. Aroma delicado e muito fresco, cítrico, lima, limão, flores brancas. Paladar leve, com 11,5% de álcool, ótima acidez e  grande frescor, desce fácil e deixa a boca salivanvo. 80/100

Marcelo Copello (mcopello@mardevinho.com.br)

www.mardevinho.com.br