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Mar de Vinho
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GAZETA MERCANTIL - Caderno Fim de Semana - 27/04/2001

ADEGAS CLIMATIZADAS PARA TODOS

por Marcelo Copello

Uma mania está contagiando os consumidores brasileiros de vinhos: uma adega climatizada facilmente adaptada a partir de uma geladeira comum. Este achado foi batizado de 'geladega'.

Antes de dar mais detalhes sobre esta adega econômica é melhor esclarecer alguns pontos. A maioria das garrafas que compramos é consumida rapidamente, em questão de poucos dias ou semanas. Para essa bebida, não é preciso tanta preocupação. Mas vinhos de guarda, que demorarão alguns anos antes de ficar prontos, merecem cuidado especial. O vinho bem conservado amadurece com dignidade e cresce com o tempo. Se mal acondicionado, envelhece precocemente, chegando à decrepitude em pouco tempo. As condições ideais para conservação são: para garrafas deitadas em local ventilado, com ausência de luz, de vibrações e de cheiros fortes, em temperatura constante (o ideal é 14°C), a umidade ideal é 65%. O principal destes aspectos é a temperatura constante e a melhor maneira de obtê-la é usar uma adega climatizada, uma espécie de geladeira fabricada especialmente para a conservação de garrafas de vinho. O grande inconveniente das adegas climatizadas disponíveis no mercado é o preço. Com capacidade para cem garrafas, uma delas pode custar cerca de US$ 3 mil! É para poucos. Ou era.

A geladega é uma invenção do engenheiro paulista Miguel de Maria Júnior e consiste numa adaptação feita nas geladeiras Bosch, modelos Ecoplus-315 e Ecoplus-370, ainda encontradas em lojas de eletrodomésticos de todo o país. Eles estão sendo substituídos pelos modelos RB 310 e RB 380. Como a adaptação é muito simples, não é preciso ser um especialista para fazê-la. Consiste na instalação de um termostato externo. O aparelhinho desliga a geladeira quando a temperatura cai abaixo do nível desejado e a religa quando sobe demais.

O termostato mais usado é o modelo MT-511R da Fukll Gauge, que custa cerca de R$ 150. Ele possui controle de décimos de graus e um visor digital que facilita a operação. Além de fácil de instalar e regular, tem memória para o caso de falta de energia elétrica. Outra vantagem é que a adaptação não compromete em nada o funcionamento e a durabilidade da geladeira, além de ser imediatamente reversível. Como a geladega sofre menos aberturas de porta do que uma geladeira comum em uso cotidiano, a quantidade de umidade condensada na placa fria é pequena. Mais detalhes de como instalar o termostato podem ser encontrados no manual que o acompanha.

Por que não usar uma geladeira convencional e optar por uma Ecoplus ou modelos que não possuem congelador - no mercado nacional estão disponíveis a Brastemp BRF36A e BRB35 de respectivamente 330 e 350 litros com preços entre R$ 900 e R$ 1000; e a Consul tipo frigobar CRT08C, CRT05C e CRT120C de respectivamente 76, 50 e 115 litros, com preços entre R$ 400 e R$ 500? Na realidade nada impede a instalação de um termostato externo em qualquer refrigerador com bons resultados. A Ecoplus e sua substituta RB contudo têm certas características que as tornam mais adequadas a virar uma adega. A saber: não possuem congelador, dispondo de mais espaço do que as geladeiras comuns; sua placa fria se estende por todo o aparelho, tornando a refrigeração mais homogênea; a vibração é uma das menores do mundo e sua largura, tamanho e espaço entre as prateleiras se adaptam perfeitamente às garrafas de vinho. As Ecoplus 315 ou 370 custa de R$ 700 a R$ 800 e comportam, respectivamente, 95 e 130 garrafas.

Wine Cooler
O sucesso da geladega foi reconhecido pela própria BS Continental (grupo Bosch, Metalfrio, Continental e Siemens), que lançou no VivaVinho (10 e 11 de abril em São Paulo) um protótipo de fábrica adaptado de sua linha de geladeira e chamado de Wine Cooler. O produto é exatamente a geladeira Bosch sem freezer com algumas modificações para torná-la uma adega climatizada. As mudanças são poucas:

1. porta de vidro fumê;

2. termostato adequado à faixa de temperaturas de 5 a 18 ºC (este termostato é, na realidade, inferior ao que tem sido adaptado na geladega, pois não marca temperaturas e sim números de 1 a 7. A regulagem da temperatura será por tentativa e erro, havendo, também, a necessidade de ajustes entre o verão e o inverno);

3. um termômetro digital localizado na parte superior da wine cooler, que apenas indica a temperatura interna, não tendo atuação sobre o compressor;

4. prateleiras mais adequadas a garrafas de vinho.

5. uma chave para trancar a porta.

A capacidade da Wine Cooler é de cerca de 100 garrafas, ou seja, menos do que as 130 que a Ecoplus-370 é capaz de armazenar. Isso acontece porque na geladega, como não existem as prateleiras adequadas, as garrafas são empilhadas, aproveitando melhor o espaço. No restante, o protótipo é exatamente a geladega embelezada pela porta de vidro e pelas prateleiras, porém, como já foi dito, com a perda de precisão no termômetro. Até o fechamento desta edição, a Metalfrio não forneceu fotos do modelo, preço, nem quando ele chegará ao mercado. Esperemos que não fique muito mais caro que a geladega e mais amantes do vinho possam realizar o sonho de ter sua adega climatizada em casa.