|
por Marcelo Copello
Uma mania está contagiando os consumidores brasileiros
de vinhos: uma adega climatizada facilmente adaptada a partir de
uma geladeira comum. Este achado foi batizado de 'geladega'.
Antes de dar mais detalhes sobre esta adega econômica
é melhor esclarecer alguns pontos. A maioria das garrafas
que compramos é consumida rapidamente, em questão
de poucos dias ou semanas. Para essa bebida, não é
preciso tanta preocupação. Mas vinhos de guarda, que
demorarão alguns anos antes de ficar prontos, merecem cuidado
especial. O vinho bem conservado amadurece com dignidade e cresce
com o tempo. Se mal acondicionado, envelhece precocemente, chegando
à decrepitude em pouco tempo. As condições
ideais para conservação são: para garrafas
deitadas em local ventilado, com ausência de luz, de vibrações
e de cheiros fortes, em temperatura constante (o ideal é
14°C), a umidade ideal é 65%. O principal destes aspectos
é a temperatura constante e a melhor maneira de obtê-la
é usar uma adega climatizada, uma espécie de geladeira
fabricada especialmente para a conservação de garrafas
de vinho. O grande inconveniente das adegas climatizadas disponíveis
no mercado é o preço. Com capacidade para cem garrafas,
uma delas pode custar cerca de US$ 3 mil! É para poucos.
Ou era.
A geladega é uma invenção do engenheiro
paulista Miguel de Maria Júnior e consiste numa adaptação
feita nas geladeiras Bosch, modelos Ecoplus-315 e Ecoplus-370, ainda
encontradas em lojas de eletrodomésticos de todo o país.
Eles estão sendo substituídos pelos modelos RB 310
e RB 380. Como a adaptação é muito simples,
não é preciso ser um especialista para fazê-la.
Consiste na instalação de um termostato externo. O
aparelhinho desliga a geladeira quando a temperatura cai abaixo
do nível desejado e a religa quando sobe demais.
O termostato mais usado é o modelo MT-511R da
Fukll Gauge, que custa cerca de R$ 150. Ele possui controle de décimos
de graus e um visor digital que facilita a operação.
Além de fácil de instalar e regular, tem memória
para o caso de falta de energia elétrica. Outra vantagem
é que a adaptação não compromete em
nada o funcionamento e a durabilidade da geladeira, além
de ser imediatamente reversível. Como a geladega sofre menos
aberturas de porta do que uma geladeira comum em uso cotidiano,
a quantidade de umidade condensada na placa fria é pequena.
Mais detalhes de como instalar o termostato podem ser encontrados
no manual que o acompanha.
Por que não usar uma geladeira convencional
e optar por uma Ecoplus ou modelos que não possuem congelador
- no mercado nacional estão disponíveis a Brastemp
BRF36A e BRB35 de respectivamente 330 e 350 litros com preços
entre R$ 900 e R$ 1000; e a Consul tipo frigobar CRT08C, CRT05C
e CRT120C de respectivamente 76, 50 e 115 litros, com preços
entre R$ 400 e R$ 500? Na realidade nada impede a instalação
de um termostato externo em qualquer refrigerador com bons resultados.
A Ecoplus e sua substituta RB contudo têm certas características
que as tornam mais adequadas a virar uma adega. A saber: não
possuem congelador, dispondo de mais espaço do que as geladeiras
comuns; sua placa fria se estende por todo o aparelho, tornando
a refrigeração mais homogênea; a vibração
é uma das menores do mundo e sua largura, tamanho e espaço
entre as prateleiras se adaptam perfeitamente às garrafas
de vinho. As Ecoplus 315 ou 370 custa de R$ 700 a R$ 800 e comportam,
respectivamente, 95 e 130 garrafas.
Wine Cooler
O sucesso da geladega foi reconhecido pela própria BS Continental
(grupo Bosch, Metalfrio, Continental e Siemens), que lançou
no VivaVinho (10 e 11 de abril em São Paulo) um protótipo
de fábrica adaptado de sua linha de geladeira e chamado de
Wine Cooler. O produto é exatamente a geladeira Bosch sem
freezer com algumas modificações para torná-la
uma adega climatizada. As mudanças são poucas:
1. porta de vidro fumê;
2. termostato adequado à faixa de temperaturas
de 5 a 18 ºC (este termostato é, na realidade, inferior
ao que tem sido adaptado na geladega, pois não marca temperaturas
e sim números de 1 a 7. A regulagem da temperatura será
por tentativa e erro, havendo, também, a necessidade de ajustes
entre o verão e o inverno);
3. um termômetro digital localizado na parte
superior da wine cooler, que apenas indica a temperatura interna,
não tendo atuação sobre o compressor;
4. prateleiras mais adequadas a garrafas de vinho.
5. uma chave para trancar a porta.
A capacidade da Wine Cooler é de cerca de 100
garrafas, ou seja, menos do que as 130 que a Ecoplus-370 é
capaz de armazenar. Isso acontece porque na geladega, como não
existem as prateleiras adequadas, as garrafas são empilhadas,
aproveitando melhor o espaço. No restante, o protótipo
é exatamente a geladega embelezada pela porta de vidro e
pelas prateleiras, porém, como já foi dito, com a
perda de precisão no termômetro. Até o fechamento
desta edição, a Metalfrio não forneceu fotos
do modelo, preço, nem quando ele chegará ao mercado.
Esperemos que não fique muito mais caro que a geladega e
mais amantes do vinho possam realizar o sonho de ter sua adega climatizada
em casa.
|