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por Marcelo Copello
É sabido que o organismo humano produz espontaneamente,
durante a digestão, uma quantidade de álcool vital
à sua sobrevivência, não sendo necessária
a ingestão. Fato amplamente contrariado pela história
da cultura. Até hoje não existiu uma única
civilização, nem dentre as primitivas, nem dentre
as evoluídas, que não tivesse produzido uma bebida
alcoólica, quando não duas, quando não dez.
Assim a maioria dos povos produzia e consumia, concomitantemente,
mais de uma bebida, sendo a cerveja uma das mais antigas.
A origem da cerveja se confunde com a do pão,
sendo impossível determinar com exatidão. Remonta
a 7 ou 8 mil anos. Na Antigüidade, descobriuse que mastigando
o trigo e deixando-o secar ao sol formavase uma massa que poderia
ser guardada para ser consumida no inverno. Esta massa foi molhada
por acaso e, por isso, fermentou naturalmente. A cerveja é,
então, um pão que tomou chuva.
Para ter certeza da melhor maneira de tomar a loura
gelada, conversei com dois técnicos, responsáveis
pela fabricação de duas das melhores cervejas do Brasil:
Humberto Sérgio Croce, da Bohemia, e Carlos Simões,
da Bavária.
Copos: devem ser transparentes, de vidro fino, para
que se possa apreciar o líquido dourado. O melhor formato
é o ovalado e alongado, para reter os aromas e ajudar a boa
formação da espuma, e com base e haste, para evitar
que o líquido esquente com o contato das mãos. Gelar
o copo é uma boa prática. Convém, contudo,
molhar seu interior depois de gelado, assim as paredes ficarão
lisas e deixarão o líquido descer macio.
Temperatura: nós, brasileiros, temos por hábito
beber a cerveja gelada demais. Mas se a loura estiver 'estupidamente
gelada', prejudicará tanto a formação da espuma,
quanto irá adormecer as papilas gustativas. O ideal seria
de 4ºC a 6ºC para as cervejas mais leves, como a Bavária
Pilsen; de 6ºC a 8ºC para as tipo Pilsen Premium, como
Skol, Brahma, Antárctica e Bavária Premium; de 8ºC
a 10º C para as Super Premium, como a Bohemia; e de 10ºC
a 12ºC para as marcas importadas de alta fermentação,
como a belga Corsendonk.
Espuma: tomar cerveja sem colarinho é heresia.
A alma desta bebida está representada em sua espuma. Dois
dedos é o ideal para reter os aromas e evitar a liberação
do gás.
Visual: avalia-se pureza, cristalinidade e coloração.
Se está brilhante ou turva, se há partículas
em suspensão. A cor vai de louríssima a preta.
Aroma: para avaliá-lo, agite o líquido
no copo. Aproxime lentamente do nariz para sentir o odor numa distância
maior e em seguida mais próximo. Os aromas característicos
lembram malte e lúpulo, matérias-primas da fabricação
da cervejas. Podem ser notados muitos outros, como frutas e caramelo.
Sabor: quanto mais jovem for consumida, melhor será
seu sabor. Na boca, se verifica o equilíbrio, corpo, acidez,
doçura, amargor e teor alcoólico, que devem ser harmônicos
- o que chamamos de 'descer redondo'. O teor de gás deve
passar uma sensação refrescante e picante na língua.
O amargor, provocado pela adição do lúpulo
ao mosto, deve ser perceptível, mas agradável.
Conservação: este é o problema
das importadas. Cervejas viajam mal, sofrem com o calor e com o
chacoalhar. As garrafas devem ser guardadas de pé, em lugar
escuro e fresco, fora da geladeira. Depois de geladas, devem ser
consumidas. Nunca as coloque direto no freezer, pois a violência
do congelamento acabará com o ciclo da bebida.
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