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Mar de Vinho
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Sobre Marcelo Copello  


GAZETA MERCANTIL - Caderno Fim de Semana - 08/03/2002

PROSECCO, O QUE DESCE MAIS FÁCIL

por Marcelo Copello

"Vinho é como sexo, muito pouca gente admite não saber tudo sobre ele." Hugh Johnson

Se conhecermos mais detalhes respeito de um vinho, poderemos apreciá-lo melhor. O Prosecco, campeão de vendas no ano que passou, e que freqüenta todas as taças, prateleiras e adegas, está, naturalmente, instigando a curiosidade dos brasileiros. Vamos então tentar enriquecer o saber dos nossos consumidores cada vez mais cultos.

O nome Prosecco vem da uva originária da região do Vêneto, norte da Itália. Desta casta, produz-se vinho "tranqüilo" (sem gás), "frizzante" (com algum gás) e, principalmente, o "spumante". Cerca de 28 milhões de garrafas são arrolhadas ao ano na região. Desse total, aproximadamente 1 milhão é de vinho tranqüilo, 7 milhões de frisantes e 20 milhões de espumantes.

O Brasil consumiu ano passado cerca de meio milhão de garrafas de espumante, número que já se equipara ao consumo de champanhe no país. Fora da Itália, a cepa é cultivada, com menor expressão, em outros países, como Argentina e Brasil. No país, a casta já ocupa o nona colocação no ranking das brancas finas mais produzidas. São com cerca de 370 mil quilos ao ano.

Os melhores exemplares da bebida são os que recebem a indicação DOC (Denominazione di Origine Controllata), que aparece estampada no rótulo. Por sua vez, podem receber três denominações diferentes, conforme a localização geográfica dos vinhedos: Prosecco di Conegliano-Valdobbiadene, Prosecco di Conegliano e Prosecco di Valdobbiadene. Um outro nome que pode aparecer nos rótulos, após a denominação de origem, é "Cartizze Superiore", que equivale a uma subregião, localizada na comuna de San Pietro di Barbozza, e é uma ótima indicação de qualidade. O rótulo traz ainda a indicação do teor de açúcar da bebida, com "Dolce" para os doces, "Amabile" para os meio-doces e "Secco" para os secos.

O que distingue um Prosecco de um Champagne (o original, francês)? Quase tudo: as uvas utilizadas, o teor alcoólico, o tempo de envelhecimento e o método de vinificação, além do solo e clima de cada região. Na criação de Dom Perignon, as castas são Pinot Noir, Chardonnay e Pinot Maunier; o método de vinificação é o chamado "champenois", com duas fermentações. A segunda delas é que dá espuma ao vinho, dentro da garrafa. O teor alcoólico normalmente é de 12% e o envelhecimento do líquido com as borras (o que confere aromas, corpo e cremosidade à bebida) é de no mínimo um ano, por lei.

No caso do espumante italiano, as cepas são: um mínimo de 75% de Prosecco com o restante de Pinot Bianco, Pinot Grigio, Verdiso ou Chardonnay; o teor alcoólico é menor: fica em 10,5% e 11%; quanto ao envelhecimento, não há um tempo mínimo, mas o praticado é de cerca de seis meses. O método mais utilizado para a elaboração destes vinhos é o "Charmat", com duas fermentações. A segunda ocorre em grandes tanques de aço inoxidável. Alguns produtores utilizam o método tradicional da região, com apenas uma fermentação, dando origem a uma bebida mais leve.

Na prática, a diferença é que o champanhe, na maioria das vezes, se revela mais seco, ligeiramente mais alcoólico, com mais corpo, maior acidez e com uma perlage (conjunto de bolhas) mais delicada. Diferentemente da bebida francesa, o espumante italiano é, em geral, mais leve, menos alcoólico, menos ácido, mais aromático e frutado, e com alguma doçura. Trocando em miúdos, o Prosecco não possui grande estrutura, desce mais fácil, combina mais com coquetéis do que como companhia para refeições. Mas talvez a diferença que mais sensibilize o consumidor seja o preço. Uma garrafa do célebre espumante francês custa, em média, o triplo de uma do frutado espumante do Veneto.

Alguns Proseccos chegam a ser realmente excelentes, como o Prosecco di Valdobbiadene Primo Franco, Prosecco de Conegliano Vicenzo Toffoli, o Prosecco de Conegliano Masottina e o Prosecco di Conegliano Zardetto, entre vários outros. A melhor maneira de apreciá-los é servindo a cerca de 8º C, nas mesmas taças alongadas, o flute, usadas para champanhe. Como parceiros, são mais adequados os alimentos leves, entradas, queijos frescos e, sobretudo, o melhor acompanhamento para este vinho é mesmo uma boa conversa.

Quem busca boa relação custo-benefício em espumantes não deve esquecer dos nacionais, feitos pelo método clássico champenois. Há várias marcas de qualidade no mercado. A melhor delas, realmente de primeira, é o Chandon Excellence. Também fazem bonito a M.Chandon, De Greville, Miolo, Dal Pizzol, Marson e Salton. Para vinhos com o estilo do Prosecco, experimente também os do tipo Asti, que são meio-doces e de teor alcoólico baixo (apenas 7,5%), como o Miolo Terranova Asti, feito no Vale de São Francisco, ou o Lovara Asti do Rio Grande do Sul. Já é possível também tomar um legítimo Prosecco brasileiro, como o da vinícola Salton, que produz seu Prosecco Brut da cepa original italiana.