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por Marcelo Copello
"Vinho é como sexo, muito pouca gente admite
não saber tudo sobre ele." Hugh Johnson
Se conhecermos mais detalhes respeito de um vinho,
poderemos apreciá-lo melhor. O Prosecco, campeão de
vendas no ano que passou, e que freqüenta todas as taças,
prateleiras e adegas, está, naturalmente, instigando a curiosidade
dos brasileiros. Vamos então tentar enriquecer o saber dos
nossos consumidores cada vez mais cultos.
O nome Prosecco vem da uva originária da região
do Vêneto, norte da Itália. Desta casta, produz-se
vinho "tranqüilo" (sem gás), "frizzante"
(com algum gás) e, principalmente, o "spumante".
Cerca de 28 milhões de garrafas são arrolhadas ao
ano na região. Desse total, aproximadamente 1 milhão
é de vinho tranqüilo, 7 milhões de frisantes
e 20 milhões de espumantes.
O Brasil consumiu ano passado cerca de meio milhão
de garrafas de espumante, número que já se equipara
ao consumo de champanhe no país. Fora da Itália, a
cepa é cultivada, com menor expressão, em outros países,
como Argentina e Brasil. No país, a casta já ocupa
o nona colocação no ranking das brancas finas mais
produzidas. São com cerca de 370 mil quilos ao ano.
Os melhores exemplares da bebida são os que
recebem a indicação DOC (Denominazione di Origine
Controllata), que aparece estampada no rótulo. Por sua vez,
podem receber três denominações diferentes,
conforme a localização geográfica dos vinhedos:
Prosecco di Conegliano-Valdobbiadene, Prosecco di Conegliano e Prosecco
di Valdobbiadene. Um outro nome que pode aparecer nos rótulos,
após a denominação de origem, é "Cartizze
Superiore", que equivale a uma subregião, localizada
na comuna de San Pietro di Barbozza, e é uma ótima
indicação de qualidade. O rótulo traz ainda
a indicação do teor de açúcar da bebida,
com "Dolce" para os doces, "Amabile" para os
meio-doces e "Secco" para os secos.
O que distingue um Prosecco de um Champagne (o original,
francês)? Quase tudo: as uvas utilizadas, o teor alcoólico,
o tempo de envelhecimento e o método de vinificação,
além do solo e clima de cada região. Na criação
de Dom Perignon, as castas são Pinot Noir, Chardonnay e Pinot
Maunier; o método de vinificação é o
chamado "champenois", com duas fermentações.
A segunda delas é que dá espuma ao vinho, dentro da
garrafa. O teor alcoólico normalmente é de 12% e o
envelhecimento do líquido com as borras (o que confere aromas,
corpo e cremosidade à bebida) é de no mínimo
um ano, por lei.
No caso do espumante italiano, as cepas são:
um mínimo de 75% de Prosecco com o restante de Pinot Bianco,
Pinot Grigio, Verdiso ou Chardonnay; o teor alcoólico é
menor: fica em 10,5% e 11%; quanto ao envelhecimento, não
há um tempo mínimo, mas o praticado é de cerca
de seis meses. O método mais utilizado para a elaboração
destes vinhos é o "Charmat", com duas fermentações.
A segunda ocorre em grandes tanques de aço inoxidável.
Alguns produtores utilizam o método tradicional da região,
com apenas uma fermentação, dando origem a uma bebida
mais leve.
Na prática, a diferença é que
o champanhe, na maioria das vezes, se revela mais seco, ligeiramente
mais alcoólico, com mais corpo, maior acidez e com uma perlage
(conjunto de bolhas) mais delicada. Diferentemente da bebida francesa,
o espumante italiano é, em geral, mais leve, menos alcoólico,
menos ácido, mais aromático e frutado, e com alguma
doçura. Trocando em miúdos, o Prosecco não
possui grande estrutura, desce mais fácil, combina mais com
coquetéis do que como companhia para refeições.
Mas talvez a diferença que mais sensibilize o consumidor
seja o preço. Uma garrafa do célebre espumante francês
custa, em média, o triplo de uma do frutado espumante do
Veneto.
Alguns Proseccos chegam a ser realmente excelentes,
como o Prosecco di Valdobbiadene Primo Franco, Prosecco de Conegliano
Vicenzo Toffoli, o Prosecco de Conegliano Masottina e o Prosecco
di Conegliano Zardetto, entre vários outros. A melhor maneira
de apreciá-los é servindo a cerca de 8º C, nas
mesmas taças alongadas, o flute, usadas para champanhe. Como
parceiros, são mais adequados os alimentos leves, entradas,
queijos frescos e, sobretudo, o melhor acompanhamento para este
vinho é mesmo uma boa conversa.
Quem busca boa relação custo-benefício
em espumantes não deve esquecer dos nacionais, feitos pelo
método clássico champenois. Há várias
marcas de qualidade no mercado. A melhor delas, realmente de primeira,
é o Chandon Excellence. Também fazem bonito a M.Chandon,
De Greville, Miolo, Dal Pizzol, Marson e Salton. Para vinhos com
o estilo do Prosecco, experimente também os do tipo Asti,
que são meio-doces e de teor alcoólico baixo (apenas
7,5%), como o Miolo Terranova Asti, feito no Vale de São
Francisco, ou o Lovara Asti do Rio Grande do Sul. Já é
possível também tomar um legítimo Prosecco
brasileiro, como o da vinícola Salton, que produz seu Prosecco
Brut da cepa original italiana.
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