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GAZETA MERCANTIL - Caderno Fim de Semana - 08/03/2002

OS CRUS DE BORDEAUX

por Marcelo Copello

A palavra francesa "cru" significa crescido. Aplicada aos vinhos, denomina os que provêm de um vinhedo específico, de reconhecida qualidade. Um "cru classé" é um vinho cujo vinhedo foi classificado. Muito antes da classificação de AOC, "apelação de origem", oficial dos vinhos de toda a França, de 1935, o Médoc, subregião mais importante de Bordeaux, classificou seus vinhos. Em 1855, criou-se a famosa classificação dos Crus. Esta foi baseada não em qualidade, mas em preço e prestígio dos vinhos na época. É uma classificação muito rígida (mudou apenas uma vez na história, em 1973, quando o Château Mouton-Rothschild foi promovido de segundo a primeiro Cru Classé) e que até hoje influencia muito os preços em todo o mundo.

Divide-se em cinco categorias: de Cinquiémes Crus (quinto) até Premier Crus (primeiro), os melhores. Os Crus do Médoc (todos tintos), seja qual for sua patente nesta hierarquia, são caros e de boa qualidade. No topo da classificação, os lendários Premier Crus Classes, estão o Château Latour, Château Lafite-Rothschild, Château Mouton-Rothschild, Château Margaux e Château Haut-Brion.

A subregião do Pomerol não tem qualquer classificação de Cru, mas se uma nova classificação fosse feita usando o mesmo critério da original, o preço, o Château Pétrus estaria em primeiro lugar, como o mais caro da região.

Os grandes vinhos europeus não trazem as uvas expressas no rótulo, como no caso do Château Pétrus. Estampam apenas a origem geográfica. Esta denominação de origem é regida por leis que determinam que castas podem ser usadas. São normalmente bebidas mais complexas, pois usam uvas diferentes em sua composição. No caso do Château Pétrus, as tintas permitidas são: Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc, Carmenère, Malbec e Petit Verdot. Dentre estas, o Château Pétrus usa 95% de Merlot e 5% de Cabernet Franc.

Quando se fala de Europa, o ano da colheita é especialmente importante, pois são vinhos mais sensíveis às variações climáticas. A qualidade, o preço e a longevidade podem variar muitíssimo com a safra. Enquanto os bons Bordeaux da excelente safra de 1990 custam caro e são considerados jovens demais para serem abertos hoje, os da fraca safra de 1991 já estão decadentes e custam uma fração do preço de outras safras.

As grandes safras do Château Pétrus, segundo seu dono são: 1947, 1961, 1970, 1975, 1982, 1989, 1990, 1998 (talvez a melhor do século) e 2000.

Para Bordeaux tintos em geral, as safras recomendadas são: 1970, 1975, 1978, 1982, 1985, 1986, 1988, 1989, 1990, 1995, 1996, 1998 e 2000.

Safras a se evitar em tintos bordaleses são: 1980, 1984, 1987, 1991, 1992.