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por Marcelo Copello
A palavra francesa "cru" significa crescido.
Aplicada aos vinhos, denomina os que provêm de um vinhedo
específico, de reconhecida qualidade. Um "cru classé"
é um vinho cujo vinhedo foi classificado. Muito antes da
classificação de AOC, "apelação
de origem", oficial dos vinhos de toda a França, de
1935, o Médoc, subregião mais importante de Bordeaux,
classificou seus vinhos. Em 1855, criou-se a famosa classificação
dos Crus. Esta foi baseada não em qualidade, mas em preço
e prestígio dos vinhos na época. É uma classificação
muito rígida (mudou apenas uma vez na história, em
1973, quando o Château Mouton-Rothschild foi promovido de
segundo a primeiro Cru Classé) e que até hoje influencia
muito os preços em todo o mundo.
Divide-se em cinco categorias: de Cinquiémes
Crus (quinto) até Premier Crus (primeiro), os melhores. Os
Crus do Médoc (todos tintos), seja qual for sua patente nesta
hierarquia, são caros e de boa qualidade. No topo da classificação,
os lendários Premier Crus Classes, estão o Château
Latour, Château Lafite-Rothschild, Château Mouton-Rothschild,
Château Margaux e Château Haut-Brion.
A subregião do Pomerol não tem qualquer
classificação de Cru, mas se uma nova classificação
fosse feita usando o mesmo critério da original, o preço,
o Château Pétrus estaria em primeiro lugar, como o
mais caro da região.
Os grandes vinhos europeus não trazem as uvas
expressas no rótulo, como no caso do Château Pétrus.
Estampam apenas a origem geográfica. Esta denominação
de origem é regida por leis que determinam que castas podem
ser usadas. São normalmente bebidas mais complexas, pois
usam uvas diferentes em sua composição. No caso do
Château Pétrus, as tintas permitidas são: Cabernet
Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc, Carmenère, Malbec e Petit
Verdot. Dentre estas, o Château Pétrus usa 95% de Merlot
e 5% de Cabernet Franc.
Quando se fala de Europa, o ano da colheita é
especialmente importante, pois são vinhos mais sensíveis
às variações climáticas. A qualidade,
o preço e a longevidade podem variar muitíssimo com
a safra. Enquanto os bons Bordeaux da excelente safra de 1990 custam
caro e são considerados jovens demais para serem abertos
hoje, os da fraca safra de 1991 já estão decadentes
e custam uma fração do preço de outras safras.
As grandes safras do Château Pétrus, segundo
seu dono são: 1947, 1961, 1970, 1975, 1982, 1989, 1990, 1998
(talvez a melhor do século) e 2000.
Para Bordeaux tintos em geral, as safras recomendadas
são: 1970, 1975, 1978, 1982, 1985, 1986, 1988, 1989, 1990,
1995, 1996, 1998 e 2000.
Safras a se evitar em tintos bordaleses são:
1980, 1984, 1987, 1991, 1992.
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