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por Marcelo Copello
Juan Canay, diretor de exportações da
Bodegas Trapiche, em Mendoza, Argentina, esteve na semana passada
em visita ao Rio de Janeiro. O executivo veio acompanhar pessoalmente
a movimentação do mercado brasileiro e lançar
três novos produtos.
Canay vê o país como um mercado estratégico
para seus vinhos. Para ele o consumidor brasileiro, ao mesmo tempo
que está se educando, se tornando cada vez mais exigente,
também se encontra aberto a provar novidades. Este comportamento
é propício ao vinho argentino, que alia qualidade,
inovação e preço.
A Trapiche, representada no Brasil com exclusividade
pela Impexco (0800 704- 8466), foi fundada em 1883, quando o político
e banqueiro Tiburcio Venegas, então governador da província
de Mendoza, decidiu deixar a vida pública e se tornar um
dos pioneiros da indústria vitivinícola de seu país.
Hoje a empresa pertence à Bodegas Peña Flor, verdadeiro
gigante no mundo dos vinhos, segunda maior vinícola do mundo,
perdendo apenas para a americana Ernest & Julio Gallo.
Anualmente, a Trapiche produz 10 milhões de
garrafas, o que representa um faturamento de cerca de US$ 30 milhões.
60% da produção é exportada para 44 países.
Entre os principais mercados estão Estados Unidos, Canadá,
Irlanda, Japão, Suécia, Dinamarca e Brasil. Para cá
são enviadas anualmente 360 mil garrafas, num volume de US$
800 mil em exportações.
A Trapiche engrossa o volume da Argentina, que é
a quinta produtora mundial de vinhos, com mais de 1 bilhão
de litros ao ano. A maior parte das garrafas é de exemplares
de baixa qualidade destinados ao consumo interno, panorama que vem
mudando. Em 1990, cada argentino bebeu, em média, 55 litros
de vinho. Já em 2000, "los hermanos" beberam 37
litros, demonstrando uma queda significativa de mais de 30% de consumo
em dez anos. Estes números obrigaram os produtores argentinos
a se modernizar para enfrentar o mercado externo, aumentando a qualidade.
O esforço foi recompensado, as exportações
se multiplicaram por dez nos últimos anos.
A Trapiche está na vanguarda deste movimento;
foi a primeira vinícola argentina a exportar, tendo começado
há 35 anos. O principal problema enfrentado pelos exportadores
tem sido o de mudar a imagem dos vinhos, associando-os à
qualidade.
Questionado sobre a crise Argentina, Canay diz que
os efeitos ainda não foram sentidos nas exportações,
mas o consumo interno caiu cerca de 15% nos primeiros meses deste
ano, motivando ainda mais a busca do mercado externo.
Dos vinhos lançados, o primeiro é o Trapiche
Septiembre Blanco, um corte de 80% Torrontes Riojano e 20% Sauvignon
Blanc. É levemente frisante (com gás), de baixo teor
alcoólico (10,8 %) e com alguma doçura. Tem cor amarelo
palha pálido com reflexos esverdeados, enquanto os aromas
sutis lembram flores como a acácia e frutas cítricas
como o limão galego. Na boca, é fresco e picante na
língua por seu teor gasoso, quase um refrigerante com álcool.
Deve ser consumido bem gelado, próprio ao clima e espírito
tropical. Além das garrafas tradicionais, vem em práticas
embalagens de 250 mililitros com tampas de rosca no lugar da rolha.
Uma sugestão do produtor, que deve realmente funcionar, é
servi-lo com pratos japoneses como o sushi.
Visando o mercado de restaurantes, a Trapiche apresenta
também sua linha Fond de Cave, que não será
vendida em supermercados. O Fond de Cave Chardonnay e o Fond de
Cave Malbec (R$ 43 cada) são varietais 100%, ambos da safra
de 1999. O primeiro é um elegante branco amadurecido por
9 meses em barris, dos quais 50% de carvalho americano e 50% de
carvalho francês. Sua cor é amarelo palha chegando
a dourado com aromas de maçã vermelha, mel e especiarias
como canela. Bem equilibrado na boca, com seus 13,5% de álcool
se contrapondo a uma forte acidez, oferece bom corpo e um fim de
boca aveludado. Ao contrário do Septiembre, o Fond de Cave
Chardonnay é bom parceiro de uma receita de truta ou linguado
por causa de sua textura amanteigada.
O outro exemplar da linha é feito com a casta
Malbec, a estrela da vitivinicultura argentina. Não por acaso,
pois esta cepa parece ter encontrado no solo seco e irrigado de
Mendoza seu hábitat ideal. Modesta no seu país natal,
a França, era conhecida por produzir tintos ralos na região
de Bordeaux e outros um pouco ásperos nos vinhedos de Cahors,
no sul do país. Já na Argentina origina vinhos de
paladar frutado exuberante.
O Fond de Cave foi criado pelo enólogo da casa,
Angel Mendoza, com a colaboração do craque Michel
Roland, enólogo francês, consultor de prestigiosas
vinícolas na Europa e Américas. O vinho amadurece
12 meses em barris, 80% dos quais de carvalho francês e 20%
de carvalho americano. Sua cor é vermelho púrpura
não muito escuro, oferece aromas de geléias de frutas
como ameixa e cassis, além de carvalho, chocolate, baunilha
e aromas de torrefação que lembram café. Na
boca está bem equilibrado, com 13,6% de álcool, boa
acidez típica da Malbec e taninos no ponto. O vinho está
pronto para o consumo. A sugestão é um churrasco,
já que a suculência da carne e os taninos do vinho
se completariam. Ou, querendo entrar realmente no clima, sirva-o
com empanadas.
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