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por Marcelo Copello
Não é todos os dias que os enófilos
brasileiros têm a chance de degustar vinhos de dezenas de
vinícolas, dentre as mais tradicionais e renomadas de todo
o mundo e, principalmente, conversar "tête-à-tête"
com quem os fabrica. Dois importantes eventos agitam o mundo de
Baco na próxima semana e proporcionam esta oportunidade.
O primeiro deles é o Vinexpand 2002, que conta
com a presença de 50 produtores de vários países.
Promovido pela Expand Group, maior importadora do país, o
evento acontece entre os dias 6 e 16 de maio em São Paulo,
Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Salvador e Recife.
Entre os vitivinicultores presentes, vale conhecer
o trabalho desenvolvido por Biondi Santi, Allegrini, Castelo di
Fonteruolli, Schiopetto e Prunotto, da Itália; Château
Pichon Lalande, Gosset e Olivier Leflaive, da França; Bodegas
Roda, Viñas del Vero e Enate, da Espanha; JP Vinhos, Quinta
do Mouro e Quinta do Cabriz, da Espanha; Robert Mondavi, dos EUA;
Lindemans, da Austrália; Klein Constantia, Neil Ellis e Spice
Route, da África do Sul; Caliterra e Concha Y Toro; do Chile;
e Nieto Senetier e Norton, da Argentina.
Além da exposição, a Vinexpand
2002 contará com uma programação variada que
inclui jantares enogastronômicos pilotados por chefs internacionais,
degustações verticais (várias safras do mesmo
vinho) e temáticas, com presença dos produtores. A
principal atração é a vertical de Château
Pichon Lalande (safras 1985, 1986, 1994, 1996 e 1998). O curioso
é que o vinho bordalês é produzido há
mais de 200 anos por mulheres. Para dirigir esta degustação,
May-Eliane de Lencquesaing, a própria produtora, vem ao Brasil
pela primeira vez. Dona de uma trajetória singular, ela foi
eleita pela revista inglesa "Decanter" como "O Homem
do Ano" em 1994 e se tornou a primeira mulher a receber tal
honraria.
Outra degustação que promete é
a vertical de Brunello di Montalcino Biondi Santi, com as safras
de 1981, 1995 e 1997. Jacopo Biondi Santi, quarta geração
da família, dirigirá pessoalmente a prova. Seu tataravô,
Ferruccio Biondi Santi, foi o mentor da apelação Brunello
di Montalcino, uma das mais importantes da Toscana, Itália.
A uva Brunello, ou Sangiovese Grosso, é o resultado da clonagem
de uvas Sangiovese após a praga Phyloxera ter atacado a região
em 1880. Serão ainda apresentados outros importantes vinhos
da família, como o Brunello di Montalcino Poggio Salvi, o
supertoscano Sassoaloro e o premiado Schidione.
O evento consecutivo da semana é a sexta edição
da Vivavinho. Programada apenas para São Paulo, entre os
dias 7 e 9 de maio, vai reunir produtores nacionais, estrangeiros
e entidades do setor, oferecendo visitação aos stands,
degustações, cursos, palestras e jantares enogastronômicos
orientados.
Desta vez, a Vivavinho conta com a importante parceria
da World Wine, divisão de vinhos finos da importadora La
Pastina. A World Wine Trade Fair 2002, que ocupará um stand
de 750 metros quadrados, terá 55 produtores representando
França, Itália, Espanha, Alemanha, Portugal, Austrália,
EUA, Israel, Argentina e Chile. Chama a atenção a
presença dos franceses Abbott, do Languedoc-Rousillon, e
Louis Bernard, da Côte du Rhône; o italiano Gianni Gagliardo,
do Piemonte; o português Carm, do Douro; o israelense Domaine
du Castel e o uruguaio Castillo Viejo.
A World Wine também promoverá cursos
e palestras ministrados por alguns destes produtores em salas preparadas
para esta finalidade.
O Icep (Instituto de Comércio do Governo Português)
também terá uma participação de destaque.
A entidade agrega a feira de vinhos do Ribadejo à Vivavinho
pela primeira vez. Do Brasil, além dos produtores mais conhecidos,
teremos um stand coletivo com novas vinícolas. A boa novidade
é resultado de uma iniciativa do Ibravin (Instituto Brasileiro
do Vinho), que vai trazer uma delegação de dez novos
nomes do Rio Grande do Sul.
Estes eventos são importantes para promover
e fomentar negócios no setor vinícola. A inestimável
troca de experiências proporcionada pelo contato pessoal com
responsáveis por vinícolas das mais tradicionais e
reverenciadas do mundo tem sido um fator positivo na ascensão
que a indústria do vinho experimenta no Brasil nos últimos
anos.
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