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por Marcelo Copello
O consumidor brasileiro pode se sentir lisonjeado.
Nosso mercado tem sido sucessivamente cortejado pela indústria
vinícola de diversos países. Ontem chegou ao fim a
feira Vivavinho, com produtores internacionais de peso, enquanto
a Vinexpand, com estrelas da viticultura européia trazidas
pela Expand Group, prossegue em outras capitais. Também os
vizinhos do Brasil de boa cepa têm mandado constantes delegações
para conhecer o atraente mercado nacional. Depois de Chile e Argentina,
os galanteios vêm do Uruguai. Na semana passada, o Instituto
Nacional de Vitivinicultura (Inavi), órgão oficial
da antiga província Cisplatina, trouxe ao Brasil um grupo
de 20 produtores.
O ex-território brasileiro produz por ano 95
milhões de litros do nobre fermentado, dos quais 90% são
consumidos internamente. Os uruguaios bebem bem, 33 litros da bebida
per capita ao ano, o que os coloca na 9ª posição
do consumo mundial. Apesar de antiga, a indústria vitivinícola
começou a evoluir somente nos anos 90, com a entrada de capital
externo. Deixou, então, de produzir apenas os típicos
rosados adocicados e se voltou para o exigente mercado internacional.
As exportações subiram de 170 mil litros, em 1994,
para mais de 3 milhões, em 1999.
O Brasil tem importância fundamental nos números,
comprando metade dessas garrafas, o que representa cerca de US$
3 milhões anuais. A outra metade é dividida entre
mais de 30 países.
O desafio dos uruguaios é tornar seu vinho conhecido.
Poucos consumidores mundo afora sabem de sua existência. O
vinhedo cisplatino se situa numa latitude (entre 30º e 35º)
considerada ideal. É a mesma dos mais importantes produtores
do Hemisfério Sul: Chile, Argentina, África do Sul
e Austrália. Há uma oferta variada de produtos: tintos
e brancos, desde os jovens e frutados, até os mais complexos
e barricados. Várias são as variedades cultivadas,
como Merlot, Cabernet Sauvignon, Folle Noire, Shiraz, Sauvignon
Blanc e Chardonnay. Mas o verdadeiro símbolo do país
é a Tannat, trazida para aquela região no final do
séc. XIX. Esta casta tinta é original do sudoeste
da França, onde serve de base para o Madiran, um líquido
retinto e excessivamente tânico. Hoje, o Uruguai tem mais
superfície plantada desta uva do que a própria França,
representando aproximadamente um terço de seus campos de
cultivo. O nome Tannat vem de tanino, substância responsável
pela adstringência e cor escura nos tintos.
A seguir, relaciono seis Tannats de qualidade degustados
especialmente para esta coluna, com avaliação (de
0 a 100):
Preludio 1997, Juanicó. Importado pela Expand
(tel.: 11 4613-3300, R$ 86). É o top desta vinícola
e um dos melhores desse país. Um corte de 50% Tannat, 20%
Cabernet Sauvignon, 15% Cabernet Franc, 10% Merlot e 5% de Petit
Verdot. De cor vermelho granada escuro, com um belo nariz com carvalho
destacado, seguido de frutas negras maduras, pimenta-do-reino e
tostados. No palato é encorpado, com textura redonda e equilibrada,
12,5% de álcool e taninos que deixam a boca enxuta. Muito
bom (de 80 a 89).
Tannat 2000, De Lucca. Este ainda não tem representação
no Brasil, mas merece. O contato é: reideluc@adinet.com.uy.
Reinaldo de Lucca, que fez mestrado em enologia em Montpelier, demonstra
o que aprendeu fazendo deste um vinho de terroir, privilegiando
o paladar da uva e de seu ambiente ao de madeira. Cor rubi violáceo,
com aromas de ameixa passa e cassis, além de carvalho (ma
non troppo). Elegante na boca, com um teor alcoólico alto
para o padrão uruguaio (13,5%). Muito bom (de 80 a 89).
Don Pascual Tannat Roble 2000, da Juanicó. Importado
pela Expand (R$ 41). A Tannat, por sua personalidade forte, se expressa
melhor após um estágio em madeira. Este exemplar amadurece
nove meses em barricas. Tem cor púrpura, aroma discreto de
carvalho, amoras maduras, com toques minerais e de especiarias.
Na boca, os taninos ainda incomodam. É para daqui a um ano
ou dois. Bom, acima da média (de 70 a 79).
Tannat-Merlot 2000, Bodega Juan Toscanini y Hijos.
Importado por Blumimpex (tel.: 47 322-3844, R$ 11). Trata-se de
um interessante corte no qual a Tannat se beneficiou da textura
macia e dos aromas herbáceos da Merlot. É rubi na
cor e púrpura nos reflexos. No nariz, há muitas frutas
do bosque. Nota-se também um toque mentolado e achocolatado.
Ótimo custo-benefício. Bom, acima da média
(de 70 a 79).
Padre Barreto Tannat Roble 1998, Bruzzone Y Sciutto.
Ainda sem representante no Brasil. Contatos por bys@adinet.com.uy.
A cor é rubi quase escuro com reflexos granada. De boa intensidade
aromática, com madeira e fruta em equilíbrio, destas
sobressaem ameixas quase cozidas. Na boca, tem bom corpo e um leve
amargor. Bom, acima da média (de 70 a 79).
Reserva Familiar Tannat 2000, da Montes Toscanini e
ainda sem importador no Brasil, Contato: eleeme@info-red.com. Cor
rubi, entre claro e escuro, com ataque aromático de média
intensidade, em que as frutas vermelhas se destacam, acompanhadas
por aromas de tabaco. Na boca tem bom corpo e seus taninos sobressaem
ligeiramente nos 12% de álcool. Bom, acima da média
(de 70 a 79).
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