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Sobre Marcelo Copello  


GAZETA MERCANTIL - Caderno Fim de Semana - 10/05/2002

GALANTEIO CISPLATINOS

por Marcelo Copello

O consumidor brasileiro pode se sentir lisonjeado. Nosso mercado tem sido sucessivamente cortejado pela indústria vinícola de diversos países. Ontem chegou ao fim a feira Vivavinho, com produtores internacionais de peso, enquanto a Vinexpand, com estrelas da viticultura européia trazidas pela Expand Group, prossegue em outras capitais. Também os vizinhos do Brasil de boa cepa têm mandado constantes delegações para conhecer o atraente mercado nacional. Depois de Chile e Argentina, os galanteios vêm do Uruguai. Na semana passada, o Instituto Nacional de Vitivinicultura (Inavi), órgão oficial da antiga província Cisplatina, trouxe ao Brasil um grupo de 20 produtores.

O ex-território brasileiro produz por ano 95 milhões de litros do nobre fermentado, dos quais 90% são consumidos internamente. Os uruguaios bebem bem, 33 litros da bebida per capita ao ano, o que os coloca na 9ª posição do consumo mundial. Apesar de antiga, a indústria vitivinícola começou a evoluir somente nos anos 90, com a entrada de capital externo. Deixou, então, de produzir apenas os típicos rosados adocicados e se voltou para o exigente mercado internacional. As exportações subiram de 170 mil litros, em 1994, para mais de 3 milhões, em 1999.

O Brasil tem importância fundamental nos números, comprando metade dessas garrafas, o que representa cerca de US$ 3 milhões anuais. A outra metade é dividida entre mais de 30 países.

O desafio dos uruguaios é tornar seu vinho conhecido. Poucos consumidores mundo afora sabem de sua existência. O vinhedo cisplatino se situa numa latitude (entre 30º e 35º) considerada ideal. É a mesma dos mais importantes produtores do Hemisfério Sul: Chile, Argentina, África do Sul e Austrália. Há uma oferta variada de produtos: tintos e brancos, desde os jovens e frutados, até os mais complexos e barricados. Várias são as variedades cultivadas, como Merlot, Cabernet Sauvignon, Folle Noire, Shiraz, Sauvignon Blanc e Chardonnay. Mas o verdadeiro símbolo do país é a Tannat, trazida para aquela região no final do séc. XIX. Esta casta tinta é original do sudoeste da França, onde serve de base para o Madiran, um líquido retinto e excessivamente tânico. Hoje, o Uruguai tem mais superfície plantada desta uva do que a própria França, representando aproximadamente um terço de seus campos de cultivo. O nome Tannat vem de tanino, substância responsável pela adstringência e cor escura nos tintos.

A seguir, relaciono seis Tannats de qualidade degustados especialmente para esta coluna, com avaliação (de 0 a 100):

Preludio 1997, Juanicó. Importado pela Expand (tel.: 11 4613-3300, R$ 86). É o top desta vinícola e um dos melhores desse país. Um corte de 50% Tannat, 20% Cabernet Sauvignon, 15% Cabernet Franc, 10% Merlot e 5% de Petit Verdot. De cor vermelho granada escuro, com um belo nariz com carvalho destacado, seguido de frutas negras maduras, pimenta-do-reino e tostados. No palato é encorpado, com textura redonda e equilibrada, 12,5% de álcool e taninos que deixam a boca enxuta. Muito bom (de 80 a 89).

Tannat 2000, De Lucca. Este ainda não tem representação no Brasil, mas merece. O contato é: reideluc@adinet.com.uy. Reinaldo de Lucca, que fez mestrado em enologia em Montpelier, demonstra o que aprendeu fazendo deste um vinho de terroir, privilegiando o paladar da uva e de seu ambiente ao de madeira. Cor rubi violáceo, com aromas de ameixa passa e cassis, além de carvalho (ma non troppo). Elegante na boca, com um teor alcoólico alto para o padrão uruguaio (13,5%). Muito bom (de 80 a 89).

Don Pascual Tannat Roble 2000, da Juanicó. Importado pela Expand (R$ 41). A Tannat, por sua personalidade forte, se expressa melhor após um estágio em madeira. Este exemplar amadurece nove meses em barricas. Tem cor púrpura, aroma discreto de carvalho, amoras maduras, com toques minerais e de especiarias. Na boca, os taninos ainda incomodam. É para daqui a um ano ou dois. Bom, acima da média (de 70 a 79).

Tannat-Merlot 2000, Bodega Juan Toscanini y Hijos. Importado por Blumimpex (tel.: 47 322-3844, R$ 11). Trata-se de um interessante corte no qual a Tannat se beneficiou da textura macia e dos aromas herbáceos da Merlot. É rubi na cor e púrpura nos reflexos. No nariz, há muitas frutas do bosque. Nota-se também um toque mentolado e achocolatado. Ótimo custo-benefício. Bom, acima da média (de 70 a 79).

Padre Barreto Tannat Roble 1998, Bruzzone Y Sciutto. Ainda sem representante no Brasil. Contatos por bys@adinet.com.uy. A cor é rubi quase escuro com reflexos granada. De boa intensidade aromática, com madeira e fruta em equilíbrio, destas sobressaem ameixas quase cozidas. Na boca, tem bom corpo e um leve amargor. Bom, acima da média (de 70 a 79).

Reserva Familiar Tannat 2000, da Montes Toscanini e ainda sem importador no Brasil, Contato: eleeme@info-red.com. Cor rubi, entre claro e escuro, com ataque aromático de média intensidade, em que as frutas vermelhas se destacam, acompanhadas por aromas de tabaco. Na boca tem bom corpo e seus taninos sobressaem ligeiramente nos 12% de álcool. Bom, acima da média (de 70 a 79).