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Sobre Marcelo Copello  


GAZETA MERCANTIL - Caderno Fim de Semana - 31/05/2002

O MUNDO QUASE FÚTIL ATRÁS DAS TAÇAS ROSADAS

por Marcelo Copello

Foto: Magalí GacekTodos os anos, de junho a setembro, a badalada Cote d’Azur é vista através de taças cor-de-rosa. No sul da França o vinho rosé é quase um estilo de vida. Jovem, leve, fresco, alegre e descomplicado, seco ou meio doce, ele vem reconquistando a fama que teve no passado.

"Tinto para carnes, branco para peixes e rosé para quem não sabe beber", diz o ditado. Até pouco tempo atrás era difícil ver uma garrafa de rosé na mesa de "connaisseurs". Muitos confidenciavam que antes de aprender a beber adoravam os rosados portugueses, que inundaram o nosso país na década de 70. A má fama se devia à falta de qualidade da oferta.

Hoje, há ótimos exemplares desse vinho, refrescante e leve o bastante para ser usado como um branco, mas ainda com alguma relação com os reverenciados tintos.

Seu charme está, sem dúvida, na cor, que vai de um delicado tom de casca de cebola até o cereja intenso, quase tinto. Em nossa cultura, o rosa representa a feminilidade, a ingenuidade infantil e o amor fraternal. Nos vinhos, se traduz em bebidas alegres, descompromissadas, quase fúteis.

Os vinhos rosados são obtidos por três métodos possíveis: a partir de uvas com pouca matéria colorante (Pinot Grigio, Gamay, etc.); de misturas de uvas tintas e brancas (processo proibido em muitas regiões); ou de uvas tintas parcialmente maceradas. Este último é o mais praticado e consiste em utilizar as cascas tintas até o ponto em que a cor é considerada ideal, depois são separadas e o processo segue normalmente.

Os rosés são muito versáteis. Podem ser usados como aperitivo, descem fácil se combinados apenas com uma boa conversa. À mesa normalmente se comportam como brancos encorpados ou tintos leves. Adaptam-se a pratos ligeiramente condimentados.

As sugestões são receitas típicas mediterrâneas, como a salada niçoise (com tomates, alho, azeitonas, anchovas), a bouillabaisse (sopa de peixe e frutos do mar, tomate e diversos temperos) e o ratatouille (prato rústico provençal com vegetais condimentados), paella ou o cuscuz marroquino.

Devem ser servidos quase gelados, de 10ºC a 12ºC, e não são dados ao envelhecimento, quando suas características de cor, perfume e acidez são atenuadas.

A seguir, relaciono cinco exemplares disponíveis no mercado nacional, degustados especialmente para esta coluna. Note que são leves também no bolso. Os preços vão de R$ 19 a R$ 87.

Château Romassan Coeur de Grain 2000, AOC Bandol. Produzido pela Domaines Ott, um dos grandes nomes do sul da França. Importado pela Expand (tel. 11 4613-3300, R$ 87). Um corte de Grenache, Cinsault e Mourvèdre, as tintas típicas da Provence. Claríssima cor de pêssego, muito brilhante. Com ataque delicado no nariz, onde lembra melão, cerejas e especiarias. É seco, bem equilibrado, com 13% de álcool, muito elegante e com personalidade.

Rosato di Toscana 2000, Castello di Ama. Mistral (US$ 18). Na Itália, quando claros, os rosés são conhecidos como rosato. Quando mais escuros, são chamados de chiaretto. Este é feito na região do Chianti Clássico pelo mesmo produtor do mítico L’Aparita. É composto 90% por uvas Sangiovese e 10% Canaiolo, que ficam apenas 13 horas em contato com suas cascas. O resultado é um líquido com linda cor cereja clara e brilhante. Possui aromas finos e elegantes de framboesas e cerejas frescas. No palato, é muito mais para um tinto jovem do que para um branco. Seco, quente, com 13% de álcool, muito leve e com ótima acidez.

Tavel L’Espiègle 1999, de Paul Jaboulet Aîné, um grande nome da Côtes du Rhône. Trazido pela Mistral (tel.: 11 3285-1422, US$ 21). Elaborado a partir das castas Grenache, Syrah e Cinsault. No visual, tem cor típica de casca de cebola. Bastante fino nos aromas, com intensidade média. Notas de amêndoas, frutas vermelhas maduras e flores, como rosa. Na boca, é o mais sério da prova. Bastante seco, tem boa estrutura, apoiada pelos 13,5% de álcool.

Gran Caus Rosado 2000, da vinícola Can Ràolds Del Caus, Penedés, Espanha. Trazido pela Mistral (US$ 29,50). Neste país, os rosados são mais claros e os claretes quase tintos. Elaborado a partir da casta Merlot, este tem cor cereja com reflexos rubi, o mais escuro desta degustação. É intenso no nariz, onde lembra frutas vermelhas maduras. Se apresenta seco e quente ao palato, com seus 13% de álcool e com a presença não imperceptível do tanino. O final é agradável e com leve amargor.

Rosé d’Anjou 1999, Donatien Bahauaud. World Wine (tel.: 11 3315-7477, R$ 19). Típico rosé do Vale do Loire, noroeste da França, com predomínio da casta Cabernet Franc. De cor tangerina pálida, muito leve com seus 11,5%. Deve ser bebido jovem como aperitivo, pois tem algum resíduo de doçura.