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por Marcelo Copello
Portugal continua não medindo esforços
para recuperar o posto de segundo lugar entre os vinhos mais importados
pelo Brasil (foram ultrapassados pelos chilenos, enquanto os líderes
são os italianos). Dois recentes eventos comprovam o fato.
O palco de ambos foi o belíssimo Palácio São
Clemente, residência oficial do Cônsul Geral de Portugal
no Rio de Janeiro. Nada mais apropriado do que degustar rodeado
por arquitetura imponente, obras de arte e um belo jardim, onde
reina uma mangueira centenária, tudo no clima da notória
hospitalidade portuguesa.
No primeiro, o vinho esteve, mais uma vez, de mãos
dadas com a arte. A Herdade do Esporão, vinícola portuguesa
do Alentejo, acaba de lançar a safra 1999 do seu Garrafeira,
que todos os anos traz em seu rótulo uma obra de arte. Para
este o escolhido foi Rubens Gerchman, artista plástico carioca
de 60 anos, que é tido como o maior nome de sua geração.
Gerchman é o primeiro pintor não português a
receber tal homenagem.
A Herdade do Esporão produz nada menos do que
7 milhões de garrafas anuais, sendo 30 mil do seu top Garrafeira.
Este é uma criação de Luiz Duarte, eleito o
melhor enólogo de Portugal em 1998. Segundo ele, este vinho
possou por mudanças profundas. Antes não era feito
todos os anos (houve Garrafeira em 1987, 1990, 1994, e 1997). A
partir deste lançamento será produzido regularmente,
em uma nova cantina construída especialmente para este fim.
Outra novidade é que sua fórmula será diferente
conforme a colheita. Na de 1999, por exemplo, é 20% Syrah,
35% Touriga Nacional, 30% Aragonês e 10% Alicante Bouchet.
O resultado é um líquido de cor escura, transitando
entre rubi e granada, com reflexos violáceos. Os aromas são
de frutas vermelhas maduras, ameixas, especiarias e carvalho bem
integrado ao todo (fica 18 meses em barricas novas francesas). Tem
14% de álcool e taninos surpreendentemente macios para um
vinho de guarda como este. Duarte explica que o segredo é
utilizar uvas ultra-maduras e, antes da pisa (o tradicional método
de pisar as uvas), 80% dos engaços (ramo que prende as uvas
ao cacho e dá adstringência à bebida) são
retirados. A importação é da Qualimpor (tel.:
11 5181-4492, cerca de R$100,00).
O segundo evento, promovido pelo IVP (Instituto do
Vinho do Porto) teve como objetivo ampliar a abrangência desta
bebida. Para tal foi apresentado um novo cálice, projetado
especialmente para ela e oferecido um jantar para mostrar que esta
pode acompanhar vários pratos em uma refeição.
Para conceber o novo cálice, foi escolhido Álvaro
Siza Vieira, um dos maiores nomes da arquitetura portuguesa, agraciado
com o premio Pritzker, o "Nobel" da arquitetura, da Hyatt
Foundation de Chicago em 1992. Carlos Soares, diretor de Marketing
do IVP, explicou a importância desta novidade: "O cálice
antigo parecia o irmão menor das degustações.
Era pequeno demais perto das taças de tintos e brancos de
mesa. Agora está mais alto, para tirar este complexo de inferioridade
e nos dar mais orgulho". O resultado é uma peça
elegante, no formato clássico de taça de degustação,
apoiado numa haste quadrada, com uma pequena concavidade para se
apoiar o polegar.
Para testar a nova taça foram degustados 23
ótimos portos, dos quais destaco:
Cockburn 10 Years Tawny. Importado pela Allied Domeq (21 2556-4100),
ainda não está sendo comercializado. Encanta o olhar
com sua cor alaranjada com lindos reflexos rubi muito clara e brilhante.
Intenso no nariz com passas, avelãs. Muito fino e delicado
na boca, muito equilibrado, é menos doce que seus pares.
Muito bom.
Duque de Bragança 20 anos, A.A. Ferreira (Aurora,
R$254,00). Este é um corte de vinhos de 15 a 40 anos, assim
alia frescor a complexidade, com aromas de frutas secas, figos secos,
tâmaras, mel e especiarias. Vinho muito elegante e com final
prolongado. Frescor acentuado pela, ótima acidez, meio-doce,
com longa persistência na boca. Um clássico.
Royal O Porto Colheita 1977, da Real Companhia Velha. Trazido pela
Barrinhas (tel.: 21 2584-9596, R$125,00). Muito claro, alaranjado
quase âmbar. Intenso nos aromas, bastante etéreo pela
oxidação. Grande persistência gustativa. Excelente.
Cockburn Vintage Quinta dos Canais 99. Da Allied Domeq,
ainda não comercializado no Brasil. Cor quase preta, com
reflexos púrpura. Muito vegetal, com manjericão e
bananas nos aromas. Na boca é denso e ainda muito fechado
e tânico. Para se guardar por mais uns 20 anos. Muito bom.
Taylor's Vintage 87, Quinta Terra Feita. Expand (11
4613-3300, US$79.00). Talvez o melhor da prova. Cor rubi escuro
com certa opacidade. Rico de aromas, com chocolate, uva passa e
vegetais. Ainda pode evoluir muito. Excepcional.
O desfecho da noite foi o jantar foi elaborado por
Flavia Quaresma, um dos grandes chefs do Rio, onde ficou plenamente
provado que o Porto também pode ser um vinho para a mesa.
Os destaques foram a Terrine de Foie Gras reduzido no vinho do Porto,
escoltada por um Porto 10 anos e o Moelleux de chocolate e avelãs
casado com Porto LBV. Divino.
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