|
por Marcelo Copello
Aos poucos a oferta de bons vinhos australianos em
terras brasileiras está se tornando menos escassa. Parte
deste mérito é da KMM Management (tel.: 11 3819-4020),
tradicional importadora especializada neste país, que acaba
de ampliar seu portfólio representando agora também
a premiada vinícola Pepper Tree.
A Austrália, cujo volume das exportações
ao longo dos últimos dez anos se multiplicou por 16, está
ensinando ao mundo novas maneiras de fazer vinho e, sobretudo, como
vendê-lo. Exportaram em 2001, cerca de 450 milhões
de garrafas, um negócio bilionário. Conseguiram a
façanha de superar a França nas importações
inglesas, tornando seu tinto Jacob´s Creek um fenômeno
de vendas entre os bretões. A Austrália é hoje
o 8º produtor mundial do nobre fermentado, com cerca de 6,5
milhões de hectolitros/ano. O país possui ainda uma
das mais importantes escolas de enologia do mundo e exporta técnicos
para os quatro cantos do planeta. A fatia do nosso mercado ocupada
por eles ainda mínima, 1%. Este número vem, no entanto,
crescendo cerca de 30% ao ano, nos últimos 4 anos. No Brasil
ainda são encontrados poucos rótulos, trazidos por
importadores que se contam nos dedos.
Esta falta está um pouco menos grave com a chegada
dos vinhos da Pepper Tree, vinícola que existe a apenas 9
anos, mas já coleciona 400 prêmios, nacionais e internacionais.
Produz cerca de 1 milhão de garrafas por ano
e está situada no Hunter Valley, em New South Wales, antiga
região vinícola no lado oriental do continente. Metade
das suas uvas são colhidas nesta mesma região e a
outra metade vêm de vinhedos distantes até 4 mil km,
transportados em caminhões climatizados, prática comum
naquele país.
A impressão geral das amostras provadas especialmente
para esta coluna, é de uma tendência de amenizar o
carvalho, privilegiando a fruta, produzindo líquidos jovens
e concentrados. Os destaques foram:
Frost Hollow 2001 (R$37,50). Um feliz corte de uvas
Semillon e Chardonnay, colhidas em Hunter Valley, região
propícia a esta primeira casta. Tem 12,3% de álcool
e é bastante claro em sua cor verdeal. Muito fresco com aromas
cítricos e minerais completados com discretos toques de carvalho
e frutas maduras como abacaxi e pêssego. Um vinho de festa,
promete ser um campeão de vendas. Bom.
McLaren Valley Reserved Chardonnay 1999 (R$85,00).
As uvas para este vem do Mclaren Valley e de Coonawarra, nobres
regiões vinícolas do sul do país. O resultado
é excelente. Muito fino, educado 12 meses em carvalho francês.
Cor amarelo palha com reflexos dourados. Aromas de baunilha e frutas
em calda. Na boca é bem equilibrado e intenso sem ser pesado,
com 13% de álcool. Muito bom.
Shiraz 1999 (R$60,00). Um bom exemplar da uva símbolo
da Austrália. Os cachos são uma seleção
proveniente de 5 vinhedos, de 3 diferentes regiões. De cor
rubi escura e com reflexos violáceos, apresenta aroma intenso
de especiarias como pimenta do reino, frutas negras, além
do bem presente carvalho. No paladar é quente (13,5%) e bem
vivo. Muito bom.
Cabernet Merlot Franc 1999 (R$60,00). Um corte típico
das 3 grandes uvas de Bordeaux, com 78% de Cabernet Sauvignon, 12%
de Merlot e 10% Cabernet Franc. Rubi de média intensidade,
apresenta os primeiros aromas de evolução, como couro,
além de bem dosado carvalho e fruta madura. Na boca apresenta
complexidade e maciez, com 13% de álcool. Muito bom.
Reserve Coonawarra Cabernet Sauvugnon 1998 (R$162,00).
A safra de 2000 deste vinho conquistou em 2001 o prêmio Jimmy
Watson Trophy, o mais importante da Austrália, batendo outros
800 concorrentes. O de 1998, um excelente ano na região de
Coonawarra, não fica atrás. Com 13,5% de álcool
e 18 meses em carvalho americano novo tem cor rubi com os primeiros
reflexos granada. No olfativo estava um pouco fechado mas se abriu
em grande complexidade depois de uns 15 minutos na taça.
Os aromas eram de pimentão verde, chocolate, tostados, carvalho,
hortelã, ameixas e cassis. Enche a boca com seu corpo, embora
deixe-a ainda um pouco árida, o que deve melhorar com mais
um ano de guarda. Excelente.
Reserve Coonawarra Merlot 1998 (R$186,00). Ganhou o
título de "Best Merlot Worldwide" no International
Wine and Spirit Show, em Londres em 1999. Granada escuro, muito
rico em aromas, com carvalho marcado por seus 20 meses em barricas
francesas (principalmente) e americanas. Além da madeira
identifiquei musgo, frutas vermelhas maduras, tostados como caramelo
e café, menta, chocolate. No palato é macio (14%)
complexo. Excelente, o melhor da prova.
A KMM promete não parar por aí, ainda
este mês chegam os vinhos da Sandalford, outro importante
nome australiano. Já tive o prazer de provar alguns exemplares
ainda, por pouco tempo, inéditos no Brasil. De antemão
destaco seus excelentes brancos da linha Premium: Verdelho, Chardonnay
e Riesling, este último não deve nada aos da Alsácia.
Outra boa surpresa será o Sandalera, um fortificado de excepcional
qualidade, da cepa Pedro Ximenes, feito pelo tradicional método
espanhol de Solera.
|