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Mar de Vinho
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Sobre Marcelo Copello  


GAZETA MERCANTIL - Caderno Fim de Semana - 21/06/2002

O MESTRE QUE VEM DE LONGE

por Marcelo Copello

Aos poucos a oferta de bons vinhos australianos em terras brasileiras está se tornando menos escassa. Parte deste mérito é da KMM Management (tel.: 11 3819-4020), tradicional importadora especializada neste país, que acaba de ampliar seu portfólio representando agora também a premiada vinícola Pepper Tree.

A Austrália, cujo volume das exportações ao longo dos últimos dez anos se multiplicou por 16, está ensinando ao mundo novas maneiras de fazer vinho e, sobretudo, como vendê-lo. Exportaram em 2001, cerca de 450 milhões de garrafas, um negócio bilionário. Conseguiram a façanha de superar a França nas importações inglesas, tornando seu tinto Jacob´s Creek um fenômeno de vendas entre os bretões. A Austrália é hoje o 8º produtor mundial do nobre fermentado, com cerca de 6,5 milhões de hectolitros/ano. O país possui ainda uma das mais importantes escolas de enologia do mundo e exporta técnicos para os quatro cantos do planeta. A fatia do nosso mercado ocupada por eles ainda mínima, 1%. Este número vem, no entanto, crescendo cerca de 30% ao ano, nos últimos 4 anos. No Brasil ainda são encontrados poucos rótulos, trazidos por importadores que se contam nos dedos.

Esta falta está um pouco menos grave com a chegada dos vinhos da Pepper Tree, vinícola que existe a apenas 9 anos, mas já coleciona 400 prêmios, nacionais e internacionais.

Produz cerca de 1 milhão de garrafas por ano e está situada no Hunter Valley, em New South Wales, antiga região vinícola no lado oriental do continente. Metade das suas uvas são colhidas nesta mesma região e a outra metade vêm de vinhedos distantes até 4 mil km, transportados em caminhões climatizados, prática comum naquele país.

A impressão geral das amostras provadas especialmente para esta coluna, é de uma tendência de amenizar o carvalho, privilegiando a fruta, produzindo líquidos jovens e concentrados. Os destaques foram:

Frost Hollow 2001 (R$37,50). Um feliz corte de uvas Semillon e Chardonnay, colhidas em Hunter Valley, região propícia a esta primeira casta. Tem 12,3% de álcool e é bastante claro em sua cor verdeal. Muito fresco com aromas cítricos e minerais completados com discretos toques de carvalho e frutas maduras como abacaxi e pêssego. Um vinho de festa, promete ser um campeão de vendas. Bom.

McLaren Valley Reserved Chardonnay 1999 (R$85,00). As uvas para este vem do Mclaren Valley e de Coonawarra, nobres regiões vinícolas do sul do país. O resultado é excelente. Muito fino, educado 12 meses em carvalho francês. Cor amarelo palha com reflexos dourados. Aromas de baunilha e frutas em calda. Na boca é bem equilibrado e intenso sem ser pesado, com 13% de álcool. Muito bom.

Shiraz 1999 (R$60,00). Um bom exemplar da uva símbolo da Austrália. Os cachos são uma seleção proveniente de 5 vinhedos, de 3 diferentes regiões. De cor rubi escura e com reflexos violáceos, apresenta aroma intenso de especiarias como pimenta do reino, frutas negras, além do bem presente carvalho. No paladar é quente (13,5%) e bem vivo. Muito bom.

Cabernet Merlot Franc 1999 (R$60,00). Um corte típico das 3 grandes uvas de Bordeaux, com 78% de Cabernet Sauvignon, 12% de Merlot e 10% Cabernet Franc. Rubi de média intensidade, apresenta os primeiros aromas de evolução, como couro, além de bem dosado carvalho e fruta madura. Na boca apresenta complexidade e maciez, com 13% de álcool. Muito bom.

Reserve Coonawarra Cabernet Sauvugnon 1998 (R$162,00). A safra de 2000 deste vinho conquistou em 2001 o prêmio Jimmy Watson Trophy, o mais importante da Austrália, batendo outros 800 concorrentes. O de 1998, um excelente ano na região de Coonawarra, não fica atrás. Com 13,5% de álcool e 18 meses em carvalho americano novo tem cor rubi com os primeiros reflexos granada. No olfativo estava um pouco fechado mas se abriu em grande complexidade depois de uns 15 minutos na taça. Os aromas eram de pimentão verde, chocolate, tostados, carvalho, hortelã, ameixas e cassis. Enche a boca com seu corpo, embora deixe-a ainda um pouco árida, o que deve melhorar com mais um ano de guarda. Excelente.

Reserve Coonawarra Merlot 1998 (R$186,00). Ganhou o título de "Best Merlot Worldwide" no International Wine and Spirit Show, em Londres em 1999. Granada escuro, muito rico em aromas, com carvalho marcado por seus 20 meses em barricas francesas (principalmente) e americanas. Além da madeira identifiquei musgo, frutas vermelhas maduras, tostados como caramelo e café, menta, chocolate. No palato é macio (14%) complexo. Excelente, o melhor da prova.

A KMM promete não parar por aí, ainda este mês chegam os vinhos da Sandalford, outro importante nome australiano. Já tive o prazer de provar alguns exemplares ainda, por pouco tempo, inéditos no Brasil. De antemão destaco seus excelentes brancos da linha Premium: Verdelho, Chardonnay e Riesling, este último não deve nada aos da Alsácia. Outra boa surpresa será o Sandalera, um fortificado de excepcional qualidade, da cepa Pedro Ximenes, feito pelo tradicional método espanhol de Solera.