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por Marcelo Copello
Terceiro maior produtor e exportador mundial de vinhos,
atrás de França e Itália, a Espanha amarga
no mercado brasileiro um modesto e inexplicavelmente 8º lugar
entre os importados. Com menos de 700 mil garrafas ao ano contra
quase 11 milhões da líder Itália, as maravilhas
da vinicultura espanhola ainda são pouco conhecidas pelo
grande público, embora cultuados por nossos connasseurs.
Para amenizar este gap, os últimos meses foram marcados por
uma série de lançamentos, numa verdadeira ofensiva
hispânica.
A riqueza histórica e a grande diversidade cultural
Ibérica se refletem nos vinhos. A gama vai desde brancos
secos à magníficos fortificados, passando por tintos
que estão entre os maiores do mundo. A Espanha foi uma das
maiores beneficiárias do aumento da tecnologia vinícola
disponível a partir da década de 1980, quando seu
ingresso na União Européia, em 1986, acelerou o processo
de modernização.
O país, outrora conhecido apenas pelos tintos
da região de Rioja, espumantes como o Codorniú da
Cataluña, fortificados de Jerez e pelo vinho Vega Sicilia,
da Ribera del Duero, considerado o maior do península, tem
hoje a qualidade disseminada por todas as regiões. Nomes
como Priorato, Costers del Segre, Toro, Rueda, Samontano e La Mancha
surgiram para o mundo nos últimos anos.
Os tintos continuam sendo a vocação nacional,
onde reina absoluta a uva Tempranillo. A recente entrada de castas
internacionais, como Cabernet Sauvignon e Merlot, misturadas às
uvas locais deram grandes resultados. Dentre as boas novidades disponíveis,
avaliei e selecionei alguns tintos especialmente para esta coluna:
Gotim Bru 1998, da Castell del Remei, vinícola
localizada na região Costers del Segre, Cataluña.
Trazido pela Mistral (tel.: 11 3285-1422, US$21.50). Um corte de
Tempranillo, Merlot e Cabernet Sauvignon, que passa 10 meses em
barricas de carvalho americano. De cor granada clara, se apresenta
ao olfato bastante frutado (groselha e framboesa), com timbres de
carvalho, torrefação e uma leve pelica. Para o palato
tem corpo médio, com 12,5% de álcool, e taninos equilibrados.
Pronto para beber. Bom.
Faustino I Gran Reserva 1994, da Bodegas Faustino da
Rioja. Importado pela La Rioja (tel.: 21 2568-0400, R$82,00). Este
Rioja clássico, como todo Gran Reserva, amadureceu 2 anos
em barris carvalho e outros 3 anos em garrafa antes de chegar ao
mercado. Com um corte típico riojano de 85% Tempranillo,
12% Graciano e 3% Mazuelo. Tem 13% de álcool, muito carvalho,
ameixa, cereja e baunilha, além de aromas de evolução
como couro e caça. Com taninos educados, para se beber agora.
Muito bom.
Hécula 1999, da Bodegas Castaño, de Yecla,
na região de Murcia, sudeste do país. Representado
pela First Food (tel.: 11 3822-1867, R$36,00). Um vinho feito com
100% de uvas Monastrell e envelhecido 6 meses em carvalho americano.
Sua cor é vermelho-púrpura, entre claro e escuro.
Intenso no nariz, é bastante achocolatado, lembrando cassis,
baunilha e carvalho. No palato é muito bem equilibrado, com
13,5% de álcool e uma pequena e agradável aresta de
tanino, o que indica mais um ano para o seu auge, embora já
esteja boníssimo para consumo imediato. Tem ótimo
custo-benefício, vale cada centavo. Entre muito bom e excelente.
Dominio de Valdepusa Syrah 1998, da Marqués
de Griñon, trazido pela Expand (tel.: 11 4613-3333, US$39.00).
Da região de La Mancha, no centro do país, estes vinhedos,
um dos pioneiros na cultura da uva Syrah na Espanha, ficam próximos
à belíssima cidade de Toledo. Elegante, muito intenso
e apimentado no nariz, com aromas de chocolate amargo, especiarias,
frutas passificadas (cereja preta) e carvalho no ponto certo. Muito
encorpado e bastante vivo no paladar, com boa acidez, macio e quente
com 14% de álcool. Equilibrado nos taninos, está pronto
para beber, podendo ser guardado por alguns anos. Excelente.
Calvario 1999, produzido pela Finca Allende, da Rioja
Alta, e trazido pela First Food por R$295,00. Um grande vinho, de
estilo moderno, apesar de ser da região mais tradicional
do país. Criado 14 meses em barricas de carvalho francês.
Suas uvas (90% Tempranillo, 8% Garnacha e 2% Graciano ) vêm
exclusivamente de vinhas velhas, plantadas no ano da vitória,
1945, o que garante grande concentração de aromas
e sabores. Tem 14% de álcool e exuberantes perfumes de geléias
de amoras e cassis, além de musgo, chocolate e um toque de
aniz estrelado. Ainda tânico, merece ser decantado, exige
pratos condimetados, ou mais alguns anos de guarda para ficar pronto.
Um "vinhaço", de excelente a espetacular.
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