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por Marcelo Copello
Recentemente o Brasil se sagrou pentacampeão
mundial de futebol. Temos muito do que nos orgulhar, mas não
apenas no esporte bretão. No vinho o Brasil também
ganha campeonatos.
Mas tenho de dizer - e gostaria de estar errado - que
dificilmente produziremos obras de arte como um Chateau Latour.
Vinhos como este podem custar mais de mil reais a garrafa. Poucos
jamais os provaram, e os que provaram não o fazem cotidianamente,
como pede esta bebida. O grande mercado no país ainda é
de garrafas de menos de R$5,00. Devemos então comparar nossos
produtos com os importados de mesmo preço. Já temos
vinhos que não maltratam o bolso nem o paladar.
Realizei uma degustação horizontal (de
uma mesma safra), com 8 dos melhores tintos nacionais do excelente
ano de 1999. Esta seleção também conquistou
importantes prêmios, marcando a presença do Brasil
no competitivo mercado internacional de vinhos de qualidade.
Gran Reserva Cabernet Sauvignon 1999, da Marson (tel.:
11 5042-3890, cerca de R$50,00). É o mais caro, mas também
um dos melhores, feito apenas em grandes safras. Um Cabernet Sauvignon
100%, com 12% de álcool e sete meses de educação
em carvalho americano. Muito frutado, com aromas de chocolate, baunilha,
cassis, caramelo, violeta e um nítido pimentão verde.
Uma ponta agradável de tanino na boca. Muito bom.
Lote 43 1999, da Miolo (tel.: 21 3813-9851, de R$ 30,00
a 40,00). Este é um novo lançamento e o melhor vinho
já feito por esta importante vinícola. Um corte de
50% Cabernet Sauvignon e 50% Merlot, com 13% de álcool, amadurecido
1 ano em barricas novas de carvalho americano. Boa intensidade e
variedade aromática, lembrando carvalho, baunilha, figos,
cassis, ameixa e algo vegetal como musgo. Na boca, tem bom corpo
e um bom equilíbrio. Ainda vai evoluir alguns anos. Muito
bom.
Millesimè Cabernet Sauvignon 1999, da Aurora
(tel.: 11 3331-4011, ainda sem preço). Deve chegar ao mercado
no fim deste ano. Um Cabernet Sauvignon 100%, 12,5% de álcool
e 8 meses de carvalho em seu currículo (60% francês
e 40% americano). Ainda não está totalmente pronto,
um pouco tânico e fechado, mas já apresenta muitas
qualidades, com aromas de hortelã, tabaco, anis estrelado,
baunilha, cassis, pimentão verde, chocolate, entre outros.
Tem ótimo equilíbrio e deverá ter vários
anos de vida. Muito bom.
Grande Reserva Cabernet Sauvignon 1999, da Lovara (tel.: 54 454-9000,
cerca de R$25,00). Este Cabernet Sauvignon 100%, 12% de álcool,
lembra um californiano, com bastante carvalho americano no paladar
(foram 8 meses em barricas novas). Está em seu auge, embora
uma ponta agradável de tanino lhe dê mais uns 2 anos
de vida. Boa complexidade aromática com muita torrefação
(café, caramelo e côco queimado), menta, baunilha e
frutas vermelhas, além de madeira. Muito bom.
Merlot 1999, da vinícola Pizzato (tel.: 54 459
1155, cerca de R$25,00). Merlot 100%, com 12,5% de álcool
e vida de 4 meses em carvalho americano. Muito chocolate, carvalho,
côco queimado, baunilha e café no nariz. Na boca, uma
ponta agradável de tanino. Está pronto, não
deve evoluir mais. Entre bom e muito bom.
Grand Millésime Cabernet Sauvignon 1999, da
Baron de De Lantier (tel.: 54 462-1566, R$22,00). Um corte de 80%
Cabernet Sauvignon, 6% Cabernet Franc e 14% Merlot, com 12% de álcool
e estágio de 1 ano em carvalho francês. De um dos mais
sérios enólogos do Brasil, Adolfo Lona, este vinho
nada contra a corrente. Enquanto o mercado pede líquidos
frutados e com muito carvalho, este não tem a maquiagem protetora
da madeira. É muito equilibrado e com personalidade e aromas
de avolução (couro, caça etc). Bom potencial
de envelhecimento. Entre bom e muito bom.
Gran Reserva Excellence Cabernet Sauvignon 1999, da
Casa Valduga (tel.: 21 2295-5717). Este é comercializado
em um belo estojo de madeira com 6 garrafas sortidas por R$180,00.
Tem 13% de álcool e 8 meses passados em carvalho francês.
Muitas frutas no olfato, com carvalho no ponto. No palato, uma ponta
de tanino, acidez elevada e bom amargor no final. Pronto para beber.
Bom.
Dal Pizzol Tannat 1999, da Monte Lemos (tel.: 54 452-2055,
cerca de R$25,00). A uva Tannat dá vinhos de muita cor e
corpo, mas pouco álcool e vida curta. Este exemplar, sem
estágio em carvalho, tem 12% de álcool e aromas como
couro, frutas vermelhas, tabaco e especiarias. No palato, a acidez
é bem presente com uma ponta de tanino e leve amargor no
fim de boca. Para beber agora. Bom.
Qual o melhor? Para o deleite dos enófilos,
degustação não é esporte. Não
há vencedores ou perdedores. Vinho é arte e prazer,
e isto é incomensurável. Há apenas o sacrifício
de se deleitar com cada um deles. Assim como comemoramos o penta
bebendo a boa safra de 1999, quiçá possamos comemorar
o hexa com vinhos ainda melhores, da excepcional safra de 2002.
Torçamos!
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