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Mar de Vinho
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Sobre Marcelo Copello  


GAZETA MERCANTIL - Caderno Fim de Semana - 19/07/2002

À ESPERA DE UMA BOA SURPRESA

por Marcelo Copello

Recentemente o Brasil se sagrou pentacampeão mundial de futebol. Temos muito do que nos orgulhar, mas não apenas no esporte bretão. No vinho o Brasil também ganha campeonatos.

Mas tenho de dizer - e gostaria de estar errado - que dificilmente produziremos obras de arte como um Chateau Latour. Vinhos como este podem custar mais de mil reais a garrafa. Poucos jamais os provaram, e os que provaram não o fazem cotidianamente, como pede esta bebida. O grande mercado no país ainda é de garrafas de menos de R$5,00. Devemos então comparar nossos produtos com os importados de mesmo preço. Já temos vinhos que não maltratam o bolso nem o paladar.

Realizei uma degustação horizontal (de uma mesma safra), com 8 dos melhores tintos nacionais do excelente ano de 1999. Esta seleção também conquistou importantes prêmios, marcando a presença do Brasil no competitivo mercado internacional de vinhos de qualidade.

Gran Reserva Cabernet Sauvignon 1999, da Marson (tel.: 11 5042-3890, cerca de R$50,00). É o mais caro, mas também um dos melhores, feito apenas em grandes safras. Um Cabernet Sauvignon 100%, com 12% de álcool e sete meses de educação em carvalho americano. Muito frutado, com aromas de chocolate, baunilha, cassis, caramelo, violeta e um nítido pimentão verde. Uma ponta agradável de tanino na boca. Muito bom.

Lote 43 1999, da Miolo (tel.: 21 3813-9851, de R$ 30,00 a 40,00). Este é um novo lançamento e o melhor vinho já feito por esta importante vinícola. Um corte de 50% Cabernet Sauvignon e 50% Merlot, com 13% de álcool, amadurecido 1 ano em barricas novas de carvalho americano. Boa intensidade e variedade aromática, lembrando carvalho, baunilha, figos, cassis, ameixa e algo vegetal como musgo. Na boca, tem bom corpo e um bom equilíbrio. Ainda vai evoluir alguns anos. Muito bom.

Millesimè Cabernet Sauvignon 1999, da Aurora (tel.: 11 3331-4011, ainda sem preço). Deve chegar ao mercado no fim deste ano. Um Cabernet Sauvignon 100%, 12,5% de álcool e 8 meses de carvalho em seu currículo (60% francês e 40% americano). Ainda não está totalmente pronto, um pouco tânico e fechado, mas já apresenta muitas qualidades, com aromas de hortelã, tabaco, anis estrelado, baunilha, cassis, pimentão verde, chocolate, entre outros. Tem ótimo equilíbrio e deverá ter vários anos de vida. Muito bom.

Grande Reserva Cabernet Sauvignon 1999, da Lovara (tel.: 54 454-9000, cerca de R$25,00). Este Cabernet Sauvignon 100%, 12% de álcool, lembra um californiano, com bastante carvalho americano no paladar (foram 8 meses em barricas novas). Está em seu auge, embora uma ponta agradável de tanino lhe dê mais uns 2 anos de vida. Boa complexidade aromática com muita torrefação (café, caramelo e côco queimado), menta, baunilha e frutas vermelhas, além de madeira. Muito bom.

Merlot 1999, da vinícola Pizzato (tel.: 54 459 1155, cerca de R$25,00). Merlot 100%, com 12,5% de álcool e vida de 4 meses em carvalho americano. Muito chocolate, carvalho, côco queimado, baunilha e café no nariz. Na boca, uma ponta agradável de tanino. Está pronto, não deve evoluir mais. Entre bom e muito bom.

Grand Millésime Cabernet Sauvignon 1999, da Baron de De Lantier (tel.: 54 462-1566, R$22,00). Um corte de 80% Cabernet Sauvignon, 6% Cabernet Franc e 14% Merlot, com 12% de álcool e estágio de 1 ano em carvalho francês. De um dos mais sérios enólogos do Brasil, Adolfo Lona, este vinho nada contra a corrente. Enquanto o mercado pede líquidos frutados e com muito carvalho, este não tem a maquiagem protetora da madeira. É muito equilibrado e com personalidade e aromas de avolução (couro, caça etc). Bom potencial de envelhecimento. Entre bom e muito bom.

Gran Reserva Excellence Cabernet Sauvignon 1999, da Casa Valduga (tel.: 21 2295-5717). Este é comercializado em um belo estojo de madeira com 6 garrafas sortidas por R$180,00. Tem 13% de álcool e 8 meses passados em carvalho francês. Muitas frutas no olfato, com carvalho no ponto. No palato, uma ponta de tanino, acidez elevada e bom amargor no final. Pronto para beber. Bom.

Dal Pizzol Tannat 1999, da Monte Lemos (tel.: 54 452-2055, cerca de R$25,00). A uva Tannat dá vinhos de muita cor e corpo, mas pouco álcool e vida curta. Este exemplar, sem estágio em carvalho, tem 12% de álcool e aromas como couro, frutas vermelhas, tabaco e especiarias. No palato, a acidez é bem presente com uma ponta de tanino e leve amargor no fim de boca. Para beber agora. Bom.

Qual o melhor? Para o deleite dos enófilos, degustação não é esporte. Não há vencedores ou perdedores. Vinho é arte e prazer, e isto é incomensurável. Há apenas o sacrifício de se deleitar com cada um deles. Assim como comemoramos o penta bebendo a boa safra de 1999, quiçá possamos comemorar o hexa com vinhos ainda melhores, da excepcional safra de 2002. Torçamos!