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por Marcelo Copello
Foi uma experiência nova conversar com um produtor
de vinhos franceses em português e, o mais notável,
ser este seu idioma nativo. Eric Recchia, 60 anos, carioca de Santa
Tereza, é, talvez, o único brasileiro a fazer vinhos
no país que é a referência mundial para esta
bebida.
Recchia esteve no Brasil na semana passada para rever
familiares e promover os vinhos que está produzindo. Este
filho de franco-italianos é engenheiro químico, carreira
em que chegou à direção de uma multinacional
com sede na França, onde está radicado há 12
anos.
Ao se aposentar, resolveu concretizar um velho sonho:
morar no campo e fazer seu próprio vinho. Há 5 anos
atrás seu desejo foi realizado em grande estilo, adquiriu
uma propriedade no Vale do Loire, uma das regiões mais belas
daquele país, onde produz ótimos vinhos que já
exporta para alguns países.
O Vale do Loire é uma das regiões vinícolas
mais variadas da França. Seus vinhos ainda são mais
apreciados localmente. Por aqui pouco se conhece fora do Sancerre,
Pouilly-Fumé e Vouvray. É, contudo, um dos vinhedos
mais antigos e extensos do mundo. Os brancos secos dominam, com
a Sauvignon Blanc reinando, passando por ótimos brancos doces,
como o Quarts-de-Chaume, espumantes de qualidade, tintos leves de
Cabernet Franc e Gamay, e rosés sem muita expressão.
A propriedade de Recchia chama-se "Les Grandes
Vignes" e situa-se sub-região de Touraine, no coração
do Loire, onde estão os famosos castelos que formam o chamado
"vale dos reis". São 7 hectares que produzem cerca
de 50 mil garrafas ao ano, sendo 90% brancos, feitos com a Sauvignon
Blanc, e 10% tintos da uva Gamay. Recchia ainda representa a CVOT
- Confrerie des Vignerons Oisly et Thesée, união dos
produtores locais. No total, num primeiro lote para testar o mercado,
chegaram ao Brasil apenas 3.600 garrafas. Quem importa é
a Impexco (tel.: 11 3257-0653) e são 4 os rótulos
disponíveis, todos com preços acessíveis:
Sauvignon Blanc Les Granes Vignes 2001, AOC Touraine
(R$33,90). Um varietal 100% Sauvignon Blanc, a grande uva da região.
Linda cor amarelo palha brilhante com reflexos esverdados, muito
transparente. É uma festa para o olfato, com ataque marcante,
lembrando hortelã, flores e, sobretudo, muitas frutas cítricas.
Os franceses têm dificuldade em descrever os aromas de vinhos
como este, referem-se apenas a "frutas exóticas".
No Brasil quem soltar a imaginação vai identificar
desde maracujá até cupuaçú. No aspecto
gustativo é seco e mineral, com um bom equilíbrio,
fresco e leve com 12% de álcool. Bom custo-benefício.
Entre muito bom e excelente.
Baronnie D´Aignan Brut 1997, AOC Crémant
de Loire (R$58,00). Um espumante de corte tradicional champenoise,
de Chardonnay com Pinot Noir. Com segunda fermentação
longa, de um ano no mínimo, na garrafa. Aos olhos é
amarelo palha com uma tonalidade salmão muito sutil. Com
fina e persistente perlage e aromas delicados de flores e cítricos.
Na boca é bem equilibrado, com 12% de álcool e bastante
vivo para um espumante de 5 anos de idade. Tem boa cremosidade com
um toque de amêndoas. Muito bom.
Nectar des Anges 1997, AOC Touraine (R$76 - garrafa
de 500ml). Um vendage tardive, corte de Sauvignon Blanc com Chenin
Blanc, provenientes de vinhas com 40 anos de idade, onde as uvas
são colhidas sobremaduras, o que nem todo ano é possível.
Esta safra (1997) é a mais recente deste vinho de sobremesa
que, por não ser excessivamente doce, é versátil
podendo acompanhar sombremesas, queijos fortes ou simplesmente ser
apreciado puro. Muito mel, damasco e abacaxi, com toques minerais
e florais nos aromas. O paladar deste néctar é macio
sem ser enjoativo, com 12% de álcool. Muito bom.
Cabernet Franc Domaine de La Chatoire 2000, AOC Touraine
(R$33,90). Um tinto bastante leve, 100% Cabernet Franc. Rubi claro
muito límpido e brilhante. Aromas de frutas vermelhas e minerais.
No palato é pouco alcoólico (11,5%), sem deixar de
ser bem equilibrado, com boa acidez e uma ponta de tanino que faz
com que cresça se acompanhado de pratos de carne não
muito condimentadas. Pronto para beber. Bom.
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