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por Marcelo Copello
O Chile está em segundo lugar entre os vinhos
mais importados para o Brasil. Provavelmente estaria em primeiro
se não fossem os fenômenos italianos Prosecco, Frascatti
e Valpolicella.
A história do vinho chileno é antiga
e possui 3 grandes momentos. O primeiro, em meados do século
XVI, quando a colonização se iniciou e vinhas espanholas
chegaram àquele país. Na segunda metade do século
XIX, castas francesas, entre elas a Carménère, foram
importadas e grandes empresas familiares fundadas, como a Concha
y Toro (1883) e a Undurraga (1885). No século da globalização,
o ano de 1985 foi marcado pela entrada das multinacionais e dos
flying winemakers, fazendo do vinho chileno um símbolo do
que se convencionou chamar o "estilo Novo Mundo": vinhos
a bom preço, bem feitos, fáceis de beber e que agradam
a uma ampla gama de consumidores.
É apostando neste estilo que a Gómez
Carrera, uma das mais maiores e mais antigas importadoras brasileiras,
está diversificando seu portfólio. Os primeiros a
chegar são os novos rótulos chilenos da Viña
Undurraga. Mário José Gómez Delgado, diretor
desta importadora, promete não parar por aí. Seu plano
é trazer mais vinhos do Novo Mundo, como australianos, neo-zelandeses
e californianos. "Isto se o câmbio do dólar permitir",
diz. Segundo Delgado, o cenário da economia é desanimador,
tornando qualquer plano incerto. Aposta, contudo, num consumidor
cada vez mais exigente e em busca de novidades.
Em 1948, Mário Gómez Carrera, sócio
da extinta Sociedade União de Laticínios, criou nesta
empresa um departamento de importação de alimentos
e bebidas. Este seria o embrião da Gómez Carrera Importação
e Exportação Ltda., fundada em 1978 por ele e seus
filhos Mário José e Maria Luiza Gómez Delgado.
Desde seu início, a empresa se associou à grandes
marcas do Velho Mundo, notadamente espanholas. Nomes como a Lopez
Hermanos de Málaga (conhecida pelos vinhos de sobremesa Lagrima
Christi), Bodegas Peñalba Lopez, da Ribera del Duero, Williams
& Humbert, de Jerez, e os famosos riojanos Marqués de
Riscal, cujo enólogo é casado com Maria Luiza.
A Viña Undurraga é uma das únicas
empresas familiares remanescentes do Chile. Foi também uma
das pioneiras na exportação, com o primeiro embarque
em 1903 para os EUA. Esta e todas as outras grandes vinícolas
daquele país se voltam cada vez mais para a exportação,
já que nos últimos 10 anos o consumo interno despencou,
caindo de 30 para 13 litros anuais per capita. Hoje, 60% da produção
chilena é exportada, e o Brasil é visto como mercado
estratégico.
Uma curiosidade: os vinhos da Viña Undurraga
são tradicionalmente vendidos em seu país natal em
garrafas do formato "caramanhola", baixas e bojudas, como
as do conhecido Matheus Rosé. Para exportação,
todavia, o líquido é engarrafado em recipientes de
formato tradicional bordalês. A razão é simples
e de ordem prática: cada vasilhame original ocupa o espaço
de dois convencionais nas prateleiras dos supermercados, aumentando
o custo do produto. Além disso, seu transporte e armazenamento
é complicado, até mesmo em adegas particulares. É
a padronização internacional se impondo e descaracterizando
um produto.
Esta coluna avaliou três dos rótulos que
já estão nos supermercados:
Undurraga Carmenère Reserva 1999, Vale Conchagua
(R$36,00). Um varietal da uva que é a menina dos olhos dos
viticultores do Chile. De cor rubi com os primeiros traços
granada, levemente turvo. 25% deste vinho passa 1 ano em carvalho
novo francês. No nariz, tem cereja em primeiro plano, com
aromas herbáceos, uma marca chilena, dominando depois de
alguns minutos. É melhor no nariz que na boca, onde os 13%
de álcool parecem pouco para uma acidez e tanicidade em ligeira
supremacia. Bom.
Undurraga Cabernet Sauvignon Founder's Collection 1997,
Vale do Maipo (R$70,00). 100% do líquido é guardado
em barricas novas de carvalho francês por 16 meses. De cor
granada claro com os primeiros reflexos alaranjados. Este é
um vinho bem evoluído e redondo. Identifiquei aromas de caixa
de charuto (cedro), defumados, frutas maduras (ameixa) e baunilha.
Na boca é macio e equilibrado (12,5% de álcool) e
está pronto para consumo. Muito bom.
Undurraga Sauvignon Blanc 2001, Valle Lotué
(R$ 18,00). Um varietal 100%, feito para consumo imediato. Amarelo
palha claro e brilhante, com reflexos esverdeados. Oferece aromas
sutis de flores e minerais, seguidos de pêssegos e ervas.
Leve no corpo, com um teor alcoólico de 12,5%, é refrescante.
Para aperitivo ou pratos leves de peixe. Bom.
O grande vinho da casa, contudo, só chega ao
Brasil na próxima semana. Trata-se do tinto premium Altazor,
que aporta junto com outra novidade: o branco Gewurztraminer.
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