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Mar de Vinho
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Sobre Marcelo Copello  


GAZETA MERCANTIL - Caderno Fim de Semana - 25/10/2002

A ARTE DO SOMMELIER

por Marcelo Copello

Associação Brasileira de Sommeliers realizará amanhã em São Paulo a final do V Concurso Nacional de Sommeliers. O evento, aberto ao público, acontece às 14 horas no Hotel Sofitel (rua Sena Madureira, 1.355, Vila Clementino). O vencedor da etapa nacional representará o Brasil no diputadíssimo Concurso Mundial, cuja 11ª edição está programada para Nova York no ano que vem.

A arte de escolher vinhos é uma profissão antiqüíssima. Desde tempos remotos, a história é recheada de relatos de celebrações com a bebida. Nelas, enquanto os escravos de ocupavam da comida, as bebidas, consideradas divinas, estavam sempre sob a responsabilidade de um nobre. Na Mesopotâmia do século V, o sommelier era chamado de shagû; na Grécia antiga, de simposiarca; na Roma Imperial, de rex bibendi. A partir do período medieval esta figura ganhou vários nomes, como magister pincernarum, baticularius, echanson, copeiro, garrafeiro e caviste. Somente no século XIX, com a abertura dos primeiros grandes restaurantes e hotéis em Paris, inicia-se a profissão como a conhecemos hoje, surgindo, então, a palavra sommelier. A origem do termo vem de somme ou sommier, do provençal saumalier, o responsável pelos animais que carregavam a soma dos alimentos e bebidas.

São assim distintas as atuações do enólogo e do sommelier. O primeiro é o responsável pela elaboração do vinho, até a entrega ao mercado. A partir daí começa o trabalho do sommelier, que é o profissional do restaurante encarregado em oferecer as bebidas.

Foi a partir de 1969, com a fundação da Association de la Sommellerie Internationale (ASI) que a profissão ganhou padrões internacionais. A ASI hoje conta com mais de 30 países afiliados, entre os quais o Brasil. A Associação Brasileira de Sommeliers (ABS) foi fundada no Rio de Janeiro em 1983. Posteriormente foram abertas regionais em São Paulo, em 1990 e em Brasília e Salvador, em 2001.

A ABS, ao contrário do que o nome indica, sempre esteve voltada para o público amador, em detrimento dos profissionais da área, minoria entre os associados. Este desvio de rumo vem sendo corrigido nos últimos anos, através de diversos cursos de capacitação profissional ministrados no Rio e em São Paulo. A ABS retoma assim sua mais importante finalidade, a de normatização desta nobre profissão, que ainda não está regulamentada oficialmente no Brasil, embora um projeto de lei já se encontre no Senado aguardando votação.

Os concursos acontecem em nível regional, nacional e mundial, cada um com periodicidade trienal. O primeiro mundial foi sediado em 1969 em Bruxelas, com a vitória do francês Armand Melkonian. Desde então foram dez edições, tendo seis franceses, dois italianos, um japonês e um alemão como vencedores. O Rio de Janeiro teve o privilégio de sediar um mundial em 1992, vendo o francês Philipper Faure-Brac sagrar-se vencedor.

Os certames nacionais começaram em 1991, com a vitória de Gianni Tartari, que viria a conquistar o bicampeonato nacional em 1994. Em 1997 vimos a vitória de Manuel Beato e, em 1999, de Dionísio Chaves, o atual campeão.

Os concursos são compostos por três etapas. A primeira, eliminatória, é uma prova escrita, onde se classificam apenas os cinco melhores. A segunda é uma prova de degustação às cegas de três bebidas, na qual o candidato é sabatinado por uma banca examinadora. Por último acontece a prova prática de serviço. Como se estivesse num restaurante, um casal pede pratos para que o canditato sugira os vinhos. Fazem, é claro, pedidos difíceis, como alcachofras ou chocolate. Esta parte do exame, no caso do concurso mundial, deve ser feita em língua estrangeira, com inglês ou francês como opções.

A profissão do sommelier está ligada à busca de uma melhor qualidade de vida, através do consumo de bons alimentos combinados às bebidas mais adequadas, servidas da melhor maneira, em um ambiente propício. A formação proposta pela ASI para um sommelier profissional é bastante abrangente. Engloba desde a compra das bebidas até seu controle de estoque, elaboração da carta de vinhos, noções de marketing e vendas e, naturalmente, domínio da cultura dos vinhos e alimentos. Hoje também se inclui na lista uma educação em charutos e azeites. Tal mister requer paixão e humildade, além de conhecimentos adquiridos de leituras, viagens e degustações. Por todas estas dificuldades, nossa participação em concursos é discreta. Nunca houve um brasileiro classificado entre os cinco primeiros.