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Mar de Vinho
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GAZETA MERCANTIL - Caderno Fim de Semana - 01/11/2002

AS CAÇULAS DO NOVO MUNDO

por Marcelo Copello

Famosa por suas belíssimas paisagens naturais, a Nova Zelândia foi o país vinícola que mais cresceu nas últimas décadas. Os números são vertiginosos. As exportações praticamente inexistentes em 1970 pularam para US$ 200 mil em 1980, US$ 12 milhões em 1990 e atingiram US$ 125 milhões este ano, com uma projeção de chegar a US$ 400 milhões em 2007. O número de vinícolas também se multiplicou, indo de 131 em 1990 para 398 em 2002, a maioria de pequeno porte, privilegiando a qualidade.

A produção total, embora crescente, ainda é relativamente pequena, com cerca de 80 milhões de litros na safra deste ano. Este total representa um décimo do que os vizinhos australianos engarrafam e cerca de um centésimo do mar de vinho francês que abastece o mundo.

As exportações equivalem a 65% da produção. Os maiores clientes são os britânicos, que compram mais da metade destas garrafas, com americanos e australianos levando a maior parte do restante. A importação de vinhos neozelandeses no Brasil ainda é muito pequena, não merecendo menção nas estatísticas locais.

A história deste sucesso é muito recente. Embora as primeiras vinhas tenham sido trazidas para estas ilhas da Oceania em 1819 por missionários ingleses, apenas na década de 1960 começou a produção de vinhos de qualidade. E somente em 1973 as primeiras mudas foram plantadas em Marlborough, hoje a maior região vinícola do país.

A Nova Zelândia é formada por duas ilhas chamadas de North Island e South Island. Seus vinhedos se estendem por cerca de 1.600 quilômetros entre as latitudes 36º e 45º. São as vinhas mais ao sul do planeta. O clima é marítimo temperado, com uma vasta variedade de solos e micro-climas, resultando em bebidas com uma instigante diversidade de estilos.

Dentre as variedades cultivadas a Sauvignon Blanc impera, simboliza os vinhos do país e representa nada menos que 54% das exportações. Em área plantada esta cepa também lidera com 27% do total, seguida de perto pela Chardonnay, com 26% e a Pinot Noir, 14%. Estas castas encontraram condições bastante favoráveis neste país, assim como a Riesling, Gewurztraminer, Cabernet Sauvignon e Merlot.

Pouquíssimos importadores trazem rótulos neozelandeses para nosso mercado e apenas um é especializado no tema, a Premium, de Belo Horizonte, que sozinha representa 19 vinícolas do que há de melhor naquele país. Alguns exemplos do que se pode encontrar no Brasil:

Sauvignon Blanc 2001, Palliser Estate de Martinborough na região de Wairarapa, extremo sul da North Island. Um branco que se impõe por sua estrutura e ataque aromático. Com muitas frutas no nariz, de goiaba até maracujá e limão. No palato é rico e fresco com um toque herbáceo. Excelente, trazido pela Premium (tel. 31 3282-1588) por R$ 54. Ótima compra.

Chardonnay 1998, Cloudy Bay Vineyards de Marlborough (Veuve Clicquot tel.: 11 4702-6095, R$ 100). A Cloudy Bay tem o mérito de ter colocado a Nova Zelândia no mapa com seu Sauvignon Blanc. O Chardonnay não fica atrás, com aromas de torrefação e presença agradável do carvalho novo, além de uma cesta de frutas, com pêssego, pêra e melão. Estruturado e com 14%. Muito bom a excelente.

Quintology 1999, Matariki Wines (Expand tel.: 11 4613-3333, cerca de R$ 153). Da ensolarada e tradicional região de Hawkes Bay, na costa leste da North Island, propícia aos tintos. Este é quase um corte bordalês com, como sugere seu nome, cinco castas: Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc, Syrah e Malbec. Amadurecido em carvalho francês com aromas de chocolate, amoras pretas, musgo, especiarias e um toque de violetas. Encorpado e concentrado (13,3% de álcool). Para beber agora ou nos próximos três anos. Muito bom.

Pinot Noir 1999, Wither Hills Vineyards, Marlborough, importante região no nordeste da South Island (Premium, R$ 105). A Nova Zelândia é possivelmente o país onde esta uva aristocrática melhor se desenvolve, depois da França. Este é um dos melhores do país, vermelho púrpura claro, muito intenso e fragrante no nariz, com especiarias, cerejas e carvalho. Médio corpo, quente e macio (14%), com um longo final com um toque agradável de tanino. Excelente.

Curiosidade: a média de idade das quatro vinícolas citadas é de dez anos, o que, em termos enológicos, é nada. São as caçulas do Novo Mundo.