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por Marcelo Copello
Famosa por suas belíssimas paisagens naturais,
a Nova Zelândia foi o país vinícola que mais
cresceu nas últimas décadas. Os números são
vertiginosos. As exportações praticamente inexistentes
em 1970 pularam para US$ 200 mil em 1980, US$ 12 milhões
em 1990 e atingiram US$ 125 milhões este ano, com uma projeção
de chegar a US$ 400 milhões em 2007. O número de vinícolas
também se multiplicou, indo de 131 em 1990 para 398 em 2002,
a maioria de pequeno porte, privilegiando a qualidade.
A produção total, embora crescente, ainda
é relativamente pequena, com cerca de 80 milhões de
litros na safra deste ano. Este total representa um décimo
do que os vizinhos australianos engarrafam e cerca de um centésimo
do mar de vinho francês que abastece o mundo.
As exportações equivalem a 65% da produção.
Os maiores clientes são os britânicos, que compram
mais da metade destas garrafas, com americanos e australianos levando
a maior parte do restante. A importação de vinhos
neozelandeses no Brasil ainda é muito pequena, não
merecendo menção nas estatísticas locais.
A história deste sucesso é muito recente.
Embora as primeiras vinhas tenham sido trazidas para estas ilhas
da Oceania em 1819 por missionários ingleses, apenas na década
de 1960 começou a produção de vinhos de qualidade.
E somente em 1973 as primeiras mudas foram plantadas em Marlborough,
hoje a maior região vinícola do país.
A Nova Zelândia é formada por duas ilhas
chamadas de North Island e South Island. Seus vinhedos se estendem
por cerca de 1.600 quilômetros entre as latitudes 36º
e 45º. São as vinhas mais ao sul do planeta. O clima
é marítimo temperado, com uma vasta variedade de solos
e micro-climas, resultando em bebidas com uma instigante diversidade
de estilos.
Dentre as variedades cultivadas a Sauvignon Blanc impera,
simboliza os vinhos do país e representa nada menos que 54%
das exportações. Em área plantada esta cepa
também lidera com 27% do total, seguida de perto pela Chardonnay,
com 26% e a Pinot Noir, 14%. Estas castas encontraram condições
bastante favoráveis neste país, assim como a Riesling,
Gewurztraminer, Cabernet Sauvignon e Merlot.
Pouquíssimos importadores trazem rótulos
neozelandeses para nosso mercado e apenas um é especializado
no tema, a Premium, de Belo Horizonte, que sozinha representa 19
vinícolas do que há de melhor naquele país.
Alguns exemplos do que se pode encontrar no Brasil:
Sauvignon Blanc 2001, Palliser Estate de Martinborough
na região de Wairarapa, extremo sul da North Island. Um branco
que se impõe por sua estrutura e ataque aromático.
Com muitas frutas no nariz, de goiaba até maracujá
e limão. No palato é rico e fresco com um toque herbáceo.
Excelente, trazido pela Premium (tel. 31 3282-1588) por R$ 54. Ótima
compra.
Chardonnay 1998, Cloudy Bay Vineyards de Marlborough
(Veuve Clicquot tel.: 11 4702-6095, R$ 100). A Cloudy Bay tem o
mérito de ter colocado a Nova Zelândia no mapa com
seu Sauvignon Blanc. O Chardonnay não fica atrás,
com aromas de torrefação e presença agradável
do carvalho novo, além de uma cesta de frutas, com pêssego,
pêra e melão. Estruturado e com 14%. Muito bom a excelente.
Quintology 1999, Matariki Wines (Expand tel.: 11 4613-3333,
cerca de R$ 153). Da ensolarada e tradicional região de Hawkes
Bay, na costa leste da North Island, propícia aos tintos.
Este é quase um corte bordalês com, como sugere seu
nome, cinco castas: Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc,
Syrah e Malbec. Amadurecido em carvalho francês com aromas
de chocolate, amoras pretas, musgo, especiarias e um toque de violetas.
Encorpado e concentrado (13,3% de álcool). Para beber agora
ou nos próximos três anos. Muito bom.
Pinot Noir 1999, Wither Hills Vineyards, Marlborough,
importante região no nordeste da South Island (Premium, R$
105). A Nova Zelândia é possivelmente o país
onde esta uva aristocrática melhor se desenvolve, depois
da França. Este é um dos melhores do país,
vermelho púrpura claro, muito intenso e fragrante no nariz,
com especiarias, cerejas e carvalho. Médio corpo, quente
e macio (14%), com um longo final com um toque agradável
de tanino. Excelente.
Curiosidade: a média de idade das quatro vinícolas
citadas é de dez anos, o que, em termos enológicos,
é nada. São as caçulas do Novo Mundo.
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