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por Marcelo Copello
A Associação Brasileira de Enologia (ABE)
realizou, na semana passada, em Bento Gonçalves (RS), o 1º
Concurso Internacional de Vinhos do Brasil (CIVB).
Certames como este tiveram grande prestígio
no final do século XIX e início do XX. Algumas das
medalhas conferidas em eventos daquela época constam até
hoje em alguns rótulos, como se qualidade fosse virtude permanente.
Com a globalização, nas últimas
décadas as competições voltaram à baila.
Eventos como a Vinitaly (Itália), Vinexpo e Vinalies (França),
Selecciones Mondiales (Canadá), Zarcillos e Bacchus (Espanha)
e Vinandino (Argentina) têm grande prestígio e integram
um circuito internacional enológico. Dão fama aos
vencedores, agitam o setor e promovem marcas.
É importante informar ao consumidor o verdadeiro
significado dessas provas. O neófito sempre questiona: "Uma
medalha de ouro quer dizer um vinho extraodinário?",
ou "se estes concursos são realmente sérios,
por que vinhos como o Romanée Conti não ganham sempre?".
Muitas empresas têm por norma não participar de competições,
pois para produtos de reconhecida qualidade e projeção
internacional estas olimpíadas pouco ou nada acrescentam.
Uma medalha de ouro denota mérito sim, porém relativo.
Indica superioridade sobre os outros concorrentes daquele evento
específico. Além disso, é preciso diferenciar
os concursos. Eles se multiplicaram, confundindo o consumidor, e
nem todos são idôneos. Neste sentido, é fundamental
a atuação da OIV (Organização Internacional
da Vinha e do Vinho), entidade maior da vitivinicultura mundial
em termos técnicos e científicos.
A OIV estabelece regras e fiscaliza os campeonatos.
Destes regulamentos fazem parte a obrigatoriedade das avaliações
serem "às cegas" (a amostra é servida em
uma taça identificada apenas por um número, o que
impossibilita que o jurado saiba qual a marca ou a procedência
do produto). Além disso, uma cota dos jurados deve ser de
estrangeiros, com um mínimo de doutores em enologia, e um
percentual máximo de vinhos pode ser premiado. A OIV também
estabelece os critérios de avaliações, tendo
criado há três anos, em conjunto com a União
Internacional de Enólogos (UIOE), uma ficha padrão,
unificando os critérios de julgamento de todos os concursos
sob sua patronagem.
O CIVB contou com 409 rótulos concorrentes,
de 12 países (Alemanha, Argentina, Brasil, Chile, Eslováquia,
Espanha, França, Hungria, Itália, Portugal, Turquia
e Uruguai). Destas amostras, cerca de 50% provinham da América
Latina. Um número muito bom para a edição inaugural.
Para se ter uma noção, grandes concursos chegar a
ter mais de 3 mil amostras.
Foram 28 jurados e 12 convidados estrangeiros. Entre
eles os doutores em Enologia Jean-Lucien Cabirol (França)
e Maria Isabel Mijares (Espanha); a jornalista Lilyane Weston (Inglaterra);
o ex-presidente do Instituto do Vinho do Porto, Bento Augusto de
Carvalho (Portugal), e Vicente Sanchez Migallon (Espanha), presidente
da União Internacional de Enólogos. O resultado do
concurso foi bastante animador. Das 409 amostras avaliadas, 118
receberam medalhas. Foram 51 de ouro, 66 de prata e um "grande
ouro" para o tinto chileno Casa Silva Quinta Generación
2000. Destas, o Brasil levou 20 de ouro e 27 de prata. Os brancos
nacionais ficaram com três de ouro e quatro de prata e os
tintos com cinco de ouro e quatro de prata. O esperado destaque
coube aos espumantes nacionais, com um total de 30 premiações,
sendo 12 de ouro e 18 de prata.
Dos produtores brasileiros os mais premiados foram
a Vinícola Aurora com seis láureas (uma de ouro e
cinco de prata), seguida pela Vinícola Miolo com quatro (três
de ouro e uma de prata) e pela Vinhos Salton, três de ouro.
Entre os estrangeiros, o destaque ficou com os chilenos da Casa
Silva, com 15 comendas (uma grande ouro, sete de ouro e sete de
prata), seguido pela Viu Manent, com 11 (seis de ouro e cinco de
prata).O argentin
o Félix Aguinaga, presidente da OIV, destacou
o profissionalismo da Associação Brasileira de Enologia,
organizadora do CIVB. "Este evento é mais um passo para
um país que está a caminho do reconhecimento internacional."
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