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por Marcelo Copello
Produtor italiano apresenta clássicos revisitados
com boa relação custo-benefício
A culinária italiana é a mais popular
do mundo. De Hong Kong a Nova York, não há metrópole
que não tenha um "ristorante", quando não
dez, quando não cem. E cada um deles fatalmente oferecerá
uma carta recheada com os indefectíveis vinhos tradicionais
italianos. Estes, na grande maioria, foram criados para consumo
à mesa, em comunhão com a cozinha nacional.
Esta antiga fórmula, de bebidas joviais que
se expressam melhor em harmonia com alimentos, ganhou uma versão
adaptada aos novos tempos por meio da vinícola Farnese, de
Abruzzo, região central da bota. Seu presidente, Camillo
Iullis, esteve no Brasil no início deste mês para apresentar
essa evolução. Unindo tecnologia australiana com a
simpatia e o frescor dos vinhos típicos italianos, os produtos
da Farnese têm ainda um trunfo importante, o preço.
O poderoso crítico americano Robert Parker chegou a se referir
ao Montepulciano D'Abruzzo desta empresa como a melhor oferta do
mundo naquele momento (edição de abril de 1995 de
seu jornal, o "The Wine Adcovate").
A história da Farnese é recente, de apenas
uma década. Um dos primeiros clientes foi o "Sunday
Times Wine Club", clube inglês presidido por ninguém
menos que Hugh Johnson, um dos maiores especialistas mundiais no
assunto. A partir daí as vendas decolaram. A Farnese produz
hoje cerca de 9 milhões de garrafas e exporta 90% deste volume.
Seus principais mercados são EUA, Canadá, Austrália,
Japão, Inglaterra, Irlanda, Holanda, França, Singapura,
Tailândia, Índia, China, Suécia e Noruega. Muito
recentemente o Brasil passou a fazer parte desta lista, com a representação
exclusiva da importadora World Wine (tel.: 11 3315-7477).
O sucesso foi tanto que a empresa resolveu investir
na restauração de um castelo medieval e lá
instalar sua sede. O Castello Caldora, na cidade de Ortona, foi
inaugurado em abril deste ano com a presença de autoridades
e do padrinho da casa, Hugh Johnson. A construção
é uma relíquia que teve sua torre mais antiga construída
em 1251. No século XV muralhas foram edificadas pelo herói
de guerra Jacopo Caldora, que recebeu a propriedade da rainha Giovanna
II, como reconhecimento por seus feitos militares. Bombardeiros
durante a II Guerra Mundial causaram sérios danos ao castelo.
Sua recuperação, iniciada em 2000, durou cerca de
dois anos e hoje a obra voltou a ser um ícone da arquitetura
local.
Os 80 hectares de vinhedos da Farnese estão
situados a uma altitude entre 80 e 400 metros, próximos ao
maciço de Maiella, no centro do país, a cerca de 30
quilômetros do mar. A idade média das vinhas é
de 20 anos, com algumas chegando a 40 anos de idade. A colheita
é totalmente manual e o produto de cada vinhedo é
vinificado em separado para um melhor aproveitamento das características
de cada terreno. Enólogo responsável, Filippo Baccalaro
é um dos sócios do empreendimento. Na época
da colheita, ele conta com ajuda de um variado time de enólogos
que chegam da Austrália, Chile, Nova Zelândia e França.
Uma das práticas utilizadas é um estrito controle
do rendimento das vinhas (quantidade de bebida produzida por área
de terra). Nos rótulos que chegam ao Brasil o rendimento
vai de 50 a 90 hectolitros por hectare (quando as leis locais permitem
rendimentos de até 140). Outro método adotado foi
o de colher tardiamente, chegando aos últimos dias de outubro,
buscando frutos mais maduros.
Abaixo uma avaliação dos cinco vinhos
que chegam ao Brasil. Todos têm boa relação
qualidade/ preço. Precisam de algum tempo para se abrir na
taça (mesmo os brancos), e se beneficiam se acompanhados
de uma refeição. Uma sugestão é decantar
os tintos. Os teores alcoólicos são superiores aos
dos vinhos tradicionais da região, o que se traduz em estrutura
e maciez.
Opis Montepulciano d'Abruzzo Riserva 1996, R$ 65.
É top da casa. Para ganhar complexidade foi amadurecido por
24 meses em três tipos de carvalho: francês, americano
e esloveno. No final deste período o conteúdo dos
diversos barris é misturado até que se alcance o gosto
desejado. É 100% composto por uvas Montepulciano. Tem cor
rubi escura. Bem acabado e elegante, com aromas de especiarias,
carvalho, ameixa seca e um toque de menta. Acaricia o palato com
sua maciez, com 13,5% de álcool (bem mais que os 12,5% exigidos
pela DOC Montepulciano d'Abruzzo Riserva), e com taninos bem resolvidos.
Pronto para beber ou guardar por mais dois anos. Muito bom.
Don Camillo Farnese Sangiovese 2001, R$ 38. Corte de
85% Sangiovese e 25% Cabernet Sauvignon passando quatro meses em
barris de carvalho. Rubi escuro com reflexos ainda violáceos,
frutado no olfato com notas de pimenta-do-reino e menta. No palato
é justamente tânico, com uma boa vivacidade, sem ser
agressivo, com 13% de álcool. Está pronto, mas pode
ser guardado por mais dois ou três anos. Muito bom.
Casale Vecchio Trebbiano d'Abruzzo 2001, R$ 38. Mistura
de Trebbiano toscano 90%, Passerina 5% e Bombino 5%. A Trabianno,
na França conhecida como Ugni Blanc, é considerada
uma das cepas mais modestas que existe, produzindo normalmente líquidos
insípidos e sem interesse. Este exemplar, no entanto, é
uma ótima surpresa. 15% do mosto é fermentado por
2 meses em carvalho francês, que deixa marcas evidentes na
bebida. Amarelo palha com delicados aromas de baunilha, frutas como
pêra, e um leve toque floral. No paladar, é macio (13,5%
contra os 11-11,5% normalmente ostentados pelos Trebbiano d'Abruzzo).
Muito bom.
Casale Vecchio Montepulciano d'Abruzzo 2000, R$ 38.
O mais encorpado da prova. 100% uvas Montepulciano, amadurecido
seis meses em barricas e com 13,5% de álcool. Cor rubi com
reflexos violáceos e muitas frutas vermelhas no nariz, especiarias
e uma presença vegetal não comum nos outros tintos
da casa, lembrando alguns chilenos. Encorpado, ainda um pouco tânico
e com boa acidez. Bom a muito bom.
Farneto Chardonnay 2000, R$ 27. 100% Chardonnay, com
13,5% de álcool. Amarelo palha claro com os primeiros reflexos
dourados. Média intensidade no nariz, com baunilha, frutas
maduras e cítricos. Macio na boca, com uma acidez equilibrada.
Do grupo este é o que mais lembra um australiano, embora
a influência da madeira seja discreta. Para beber agora. Bom.
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