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por Marcelo Copello
Depois de um show de bola em junho e outro de democracia
em outubro, o orgulho nacional está em alta, assim como o
dólar e o clima no país. Tudo isso somado faz com
que a melhor opção de bebida para este fim de ano
e todo o verão seja o vinho brasileiro, por excelência,
o espumante.
No início de novembro aconteceu em Bento Gonçalves,
Rio Grande do Sul, o primeiro Concurso Internacional de Vinhos do
Brasil. O esperado destaque coube aos espumantes nacionais, agraciados
com um total de 30 medalhas, sendo 12 de ouro e 18 de prata. O fato
só vem confirmar esta amplamente divulgada vocação
nacional. Quais são as explicações para o fenômeno?
Regiões onde o clima dificulta o total amadurecimento
das uvas devido à carência de sol e luminosidade são
propícias à produção de espumantes secos.
O que é uma dificuldade para os brancos e tintos de mesa
(uvas não totalmente maduras, acidez do solo, resultando
em vinhos de pouco corpo, baixo teor alcoólico e acidez elevada)
é uma qualidade para os vinhos espumantes. A falta de estrutura
e de teor alcoólico são plenamente compensadas pela
segunda fermentação à qual são submetidos.
Os exemplares provenientes de regiões muito quentes, geralmente
são desinteressantes, pastosos e com falta de frescor. Os
originários de regiões de clima mais ameno são
nervosos e vivos. É este o motivo pelo qual os espumantes
nacionais são, em geral, superiores aos chilenos e argentinos.
Estas condições ideais, aliadas à moderna tecnologia,
são encontradas na Serra Gaúcha, no Rio Grande do
Sul, de onde provém a quase totalidade do vinho fino brasileiro.
A região inclui Garibaldi, Bento Gonçalves, Monte
Belo do Sul, Farroupilha, Flores da Cunha e Caxias do Sul.
A região de Champagne, nordeste da França,
é favorecida pelo clima frio, que impede a completa maturação
de suas uvas. É lá que se produzem os maiores vinhos
espumantes do mundo, que ditam o padrão mundial desta bebida.
Tanto que o nome "Champagne" é ilegalmente imitado
em vários países. No Brasil, usam-se denominações
como "Champanha", "Champanhe" e literalmente
"Champagne". Tal prática demonstra falta de personalidade
e imaturidade do setor.
Abaixo uma avaliação dos 12 espumantes
brasileiros premiados com ouro, com seus preços aproximados
no varejo em São Paulo:
Marco Luigi Moscatel, da Vinícola Marco
Luigi (R$ 15, tel.: 54 453-2695). O espumantes do tipo Moscatel
seguem todos os típicos aromas florais desta uva, no palato
vão de meio-doces a doces, pedindo uma sobremesa de companhia.
Este exemplar é elaborado pelo método Asti, com 100%
de uvas Moscato, com 8% de teor alcoólico. Tem uma cor comumente
chamada de "branco papel", praticamente incolor. Tem perlage
de tamanho médio e não muito abundante, é meio-doce.
C.
Georges Aubert Espumante Moscatel,
da Champagne Georges Aubert (R$ 18, tel.: 54 462-1155) Moscato 100%,
método Asti, 7,2% de álcool. Cor palha muito clara
com ótima perlage, aromático e doce. C.
Salton Moscatel Espumante, da Vinhos Salton (R$ 18).
100% Moscato, método Asti, 7,5% de álcool. Amarelo
palha claro, com perlage média. Flores e cítricos
nos aromas, com uma doçura pronunciada. B.
Acquasantiera Chardonnay Reserva Especial
Brut, da Cooperativa Vinícola Garibaldi (R$ 17, tel.:
54 462-1100), engarrafado em 2001. Um Chardonnay 100%, com 11,5%
de álcool, elaborado pelo método Charmat. O forte
é o visual, amarelo dourado, com perlage fina abundante e
persistente. No aspecto olfativo, faltou intensidade e persistência.
No gustativo, o aparente gás não se mostra presente,
dando lugar a uma ponta de doçura, que deve estar no limite
do "Brut". Curioso, analisei duas amostras, uma trazia
no rótulo a palavra "Champagne" e a outra, "Espumante".
B.
Casa Valduga Brut 2000, Méthode Traditionelle
(R$ 26, tel.: 54 453-3122). Uma assemblage de Chardonnay e Pinot
Noir com teor alcoólico de 12%, feito pelo método
Champenoise. Amarelo dourado com excelente perlage, pequena e abundante.
Ficou a desejar na parte aromática, melhorando bastante na
boca, com ótimo equilíbrio e intensidade. B.
Don Giovanni Brut Champenoise 2000,
da Abegê Bebidas (R$ 40, tel.: 54 451-4129). Este é
um corte de Chardonnay, Pinot Noir e uma pequena quantidade de Riesling
Itálico. Amarelo dourado, ficou devendo um pouco de perlage,
pequenas mas não muito abundantes. No nariz, se mostrou mais
presente com muita casca de pão e frutas como abacaxi. B.
Cordelier Brut, da Vinícola Cordelier (R$ 25,
tel.: 54 453-2333). Um Chardonnay 100%, feito pelo método
Champenoise, com 12% de álcool. Amarelo dourado com perlage
de tamanho médio e não muito numerosa. Melhora no
nariz, onde é fino e intenso com o tradicional aroma de fermento
se destacando. Bom corpo e cremosidade no palato. B.
De Gréville Brut, da Bacardi-Martini
do Brasil (R$ 25, tel.: 54 462-1566). Uma mistura de 70% Chardonnay
e 30% Pinot Noir, com 12,8% de álcool, elaborado pelo método
Charmat. Produção de 33 mil garrafas. De cor amarelo
palha claro, com perlage de tamanho médio e não muito
abundante. Muito fino nos aromas, com notas florais de cítricos.
No palato, é leve seco e fino. B+.
Salton Volpi Reserva Ouro Brut, da Vinhos Salton (R$
22, tel.: 54 451-1611) 60% Chardonnay, 40% Riesling, com 11,5% alc.,
elaborado pelo método Charmat. Amarelo palha claro, com uma
das perlages mais finas da prova. Bom ataque aromático, com
toques florais e cítricos. No palato, tem boa cremosidade
e nota de açúcar residual. B+.
Excellence par Chandon Brut Réserve,
da Chandon do Brasil (R$ 40, tel.: 11 3083-7733). Um corte de Chardonnay
e Pinot Noir, com 11,7%, elaborado pelo método Charmat. Cor
clara, entre amarelo palha e dourado, com uma perlage muito fina
e abundante. No olfato, é fino com aromas de leveduras, pêssego,
avelãs. A persistência, no entanto, cai um pouco. No
palato, é leve e o CO2 acaricia a língua. Tem ótima
cremosidade. A.
Cave Geisse Espumante Brut, da
Vinícola Cave de Amadeu (R$ 20, tel.: 54 452-4766). Chardonnay
70% e Pinot Noir 30%, com 12% de álcool, elaborado pelo método
Champenoise. Amarelo dourado com ótima perlage, pequena e
abundante. Intenso nos aromas. Seco e cremoso no palato. Este foi
o exemplar de caráter mais sério da prova, lembrando
muito o estilo francês, enquanto a maioria segue um estilo
mais leve. A.
Gran Millesime Champenoise 1999,
da Cooperativa Vinícola Aurora (R$ 35, tel.: 54 451-4111).
Chardonnay 70% e Pinot Noir 30%, com 12% de álcool, elaborado
pelo método Champenoise. Amarelo dourado, com excelente perlage.
Muito perfumado, com flores e um toque de baunilha e torrefação,
provavelmente por breve estágio em carvalho. A persistência
aromática, porém, é curta. No palato, é
seco e equilibrado com ótima sensação de CO2.
Produção de apenas 1.200 garrafas, ainda não
lançadas no mercado. A, o melhor da prova.
Além destes podemos citar outros rótulos
muito bons como o Miolo Brut, o Dal Pizzol Brut e o Marson Brut.
Por causa dos preços razoáveis (se comparados aos
importados), os espumantes brasileiros podem em mais vezes e mais
informalmente. Levar algumas garrafas para beira da praia ou piscina,
não será nenhum sacrifício para nosso bolso
nem para nosso paladar.
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CRITÉRIO DAS NOTAS
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A+
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Extraordinário, Clássico
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96 a 100
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A
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Excelente
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90 a 95
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B+
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Muito bom
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80 a 89
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B
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Bom, acima da média
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70 a 79
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C
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Médio
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60 a 69
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D
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Fraco
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50 a 59
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E
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Abaixo do padrão, defeituoso
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0 a 49
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