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por Marcelo Copello
Em um estrelado restaurante de frutos do mar do balneário
carioca, este articulista, inspirado pelas ofertas do cardápio,
indagou ao sommelier do local: "O que a casa oferece em brancos
da uva Riesling?". A resposta foi emblemática. "Não
trabalhamos com vinhos meio-doces".
Infelizmente este preconceito, causado pela associação
desta uva aos intragáveis líquidos adocicados vendidos
em garrafas azuis nos anos 1980, nos tem privado de excelentes vinhos.
Para muitos especialistas, como crítico inglês Hugh
Johson, a Riesling é a melhor uva branca do mundo. Entre
suas qualidades inclui-se longevidade, estrutura, estilo marcante
e o que hoje chega a ser uma vantagem em relação a
Chardonnay, se manifesta melhor sem a influência do carvalho.
Cultivada a mais de 400 anos na Alemanha, esta cepa,
por demandar mais cuidados do viticultor, teve sua área plantada
sistematicamente reduzida ao longo do séc XX, sendo substituída
pela menos exigente Müller-Thurgau. A partir dos anos 1990,
sua qualidade voltou a ser reconhecida e seu plantio vem crescendo
no mundo inteiro.
A verdadeira Riesling, de origem germânica, conhecida
como Johannisberg ou Riesling Renano, não deve ser confundida
a com a menos nobre Riesling Itálico, que na Alemanha é
chamada de Welschriesling. Mesmo sem ser tão alcoólicos
(podem ir de 6% até 14%), seus vinhos, graças à
elevada acidez, podem se desenvolver na garrafa por até 10
anos. Vão dos totalmente secos aos super doces. Seu caráter
é intensamente frutado e de uma vívida acidez que
lhes dá corpo para acompanhar muitos pratos. Os aromas típicos
são maçã verde (uma marca registrada desta
casta), maçã vermelha, laranja, abacaxí, maracujá,
limão, flores, minerais como ferro e petróleo, mel
(nos doces), tostados e especiarias.
Uma qualidade desta casta é sua adaptabilidade
em diversos tipos de solo e clima, desde o frio europeu ao calor
australiano. As regiões mais tradicionais para esta uva são,
além da Alemanha: Áustria; Alsácia (França),
onde junto com a Gewurztraminer produz os melhores exemplares da
região, mais secos e alcoólicos que os alemães,
mas de igual classe; Friuli, região mais importante da Itália
para brancos; leste Europeu, embora com nenhum resultado expressivo;
Chile e Argentina, ainda que poucos cheguem por aqui; EUA, e Canadá,
onde, resistindo ao frio, origina ótimos Eiswein. Fora da
Europa os países mais promissores são a Nova Zelândia
e a Austrália, onde é bastante disseminada. No Brasil
seu cultivo é antigo, mas infelizmente, por uma imposição
de mercado, os brancos em geral perderam a atenção
dos produtores nos últimos anos, cujo foco está voltado
para os tintos e espumantes.
Vejamos alguns exemplares de excelente nível,
das mais diversas origens, disponíveis em nosso mercado:
Riesling Halbtrocken Selection 1997, Franz Prager (Mistral, tel.:
11 3372-3400, US$26.25). Amarelo dourado, rico no nariz com frutas
amarelas muito maduras (pêssego, abacaxi) e especiarias. A
indicação "Halbtrocken" significa "meio-doce",
este, porém, está longe do que isto implica em vinhos
nacionais, tendo apenas uma ponta de doçura. Untuoso, 13%
de álcool, boa acidez e um final com um toque metálico.
Beber agora. "B/B+".
Riesling 1999, Rippon Vineyard & Winery, Nova Zelândia,
Central Otago (Premium, tel.: 31 3282-1588, R$69,00). Cor palha
clara. Intenso no nariz onde anuncia ser doce, com um toque de mel,
mas se mostra bastante seco na boa. Complexo nos aromas, com lima,
maça verde, minerais, flores brancas e especiarias. Muito
seco, sua acidez elevada e os 12,5% de álcool lhe confere
estrutura para guarda de alguns anos. Bom custo benefício.
"B+".
Riesling Herrenweg de Turckheim 2000, Domaine Zind-Humbrecht,
Alsácia, França (Expand, tel.: 11 4613-3333, US$59.83).
Amarelo dourado, perfume intenso de pêssego escoltado por
baunilha, abacaxi muito maduro, maça, especiarias e minerais.
No palato concentrado e untuoso, com 13% de álcool e uma
ponta de doçura. Beber de agora até 2004. "B+".
Riesling 2001, Sandalford, Western Australia, Margaret
River (KMM, tel.: 11 3819-4020, R$92,65). Palha muito claro e brilhante,
com reflexos esverdeados. Muito perfumado, com maça verde,
limão, abacaxi fresco, melão e flores. Bastante seco
e vívido, sua acidez se sobressai sobre os 12% de álcool.
Beber agora ou até 2008. Não se assuntem com sua tampa
de rosca ao invés de rolha, esta prática é
comum na Austrália e considerada bastante eficiente. "B+/A".
Riesling spätlese trocken Forster Pechstein 1996,
Dr. Bürklin-Wolf, Alemanha, Pfalz (Mistral, US$43.00). A indicação
"spätlese" indica que este vinho foi feito de uvas
colhidas tardiamente, ultra maduras, originando líquidos
muito concentrados. Amarelo dourado brilhante, com muitas frutas
amarelas como o pêssego nos aromas, além de minerais.
Seco e encorpado, com acidez equilibrada com os 13% de álcool.
O mais sério e estruturado da prova. Está no ponto,
mas pode ser guardado mais um par de anos. "A".
| Legenda |
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| A+ |
Extraordinário |
(95 a 100) |
| A |
Excelente |
(90 a 94) |
| B+ |
Muito bom |
(85 a 89) |
| B |
Bom |
(80 a 84) |
| C |
Médio |
(70 a 79) |
| D |
Fraco |
(50 a 69) |
| E |
Abaixo do padrão |
(0 a 49) |
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