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por Marcelo Copello
Os vinhos portugueses são hoje uma das melhores
opções de compra do mercado. O país foi o último
dos grandes produtores europeus a se modernizar, o que só
ocorreu a partir da entrada na Comunidade Européia, em 1986.
Hoje a qualidade é inegável, a mudança da imagem,
contudo, é mais lenta. Embora no Brasil a presença
lusa seja é expressiva, ocupando o 3º lugar entre os
vinhos importados, vindo logo após Itália e Chile,
Portugal ainda tem dificuldades de penetração em importantes
mercados como os EUA e Japão (com exceção do
Vinho do Porto, um caso a parte).
Os vinhos do Dão, no centro-norte do país,
à nordeste de Coimbra, são um bom exemplo deste fenômeno.
Sempre lembrada pelo inigualável queijo de ovelha Serra da
Estrela, o Dão é a denominação portuguesa
mais conhecida no mundo. Seu campeão de vendas, o Grão
Vasco, é um dos rótulos mais vendidos em Portugal.
A região, contudo, embora já tenha grandes vinhos,
ainda é associada aos tintos rústicos e brancos oxidados,
figuras fáceis em qualquer supermercado.
Tendo recebido o título de Região Demarcada em 1908,
o Dão sofreu muito tempo de um excesso de cooperativas, o
que uniformizou o gosto de seus vinhos, nivelando-os por baixo.
Nos últimos anos, com a elevação
a DOC (Denominação de Origem Controlada), em 1990,
e com pequenos produtores começando a engarrafar seus vinhos
a qualidade aumentou. O Dão é hoje protagonista de
uma interessante releitura da tendência internacional de vinhos
varietais, ou mono-castas, como se diz em Portugal, feitos com apenas
um tipo de uva. Alguns dos melhores rótulos da região
são deste tipo, mas não de cepas internacionais como
a Cabernet Sauvignon e sim de castas tradicionais portuguesas, que,
para os consumidores, estiveram sempre camufladas em misturas, mas
hoje seguem carreira solo com grande sucesso. O maior exemplo é
a Touriga Nacional, uva mais importante de Portugal e base do vinho
do Porto. Esta rende pouco, porém proporciona líquidos
de cor profunda, aromas intensos, tânicos e concentrados.
Outras uvas interessantes são as tintas Jaen, Alfrocheiro
Preto, Tinta Roriz (chamada na Espanha de Tempranillo), Tinto Cão
e Rufete, e as brancas Encruzado e Malvasia Fina. Já é
possível encontrar interessantes vinhos feitos 100% com cada
uma destas castas.
Esta coluna provou alguns dos melhores vinhos da região
disponíveis em nosso mercado, todos da safra de 1999. A surpresa
foi o Quinta do Santar, que estará chegando a nosso mercado
em breve, e a elegância geral das bebidas, de uma região
estigmatizada pela rusticidade de seus tintos. As ausências
foram o Quinta dos Carvalhais, um nome importante, cuja garrafa
não chegou a tempo para ser avaliada, e o Quinta do Corujão,
ainda sem representante no Brasil.
Alfrocheiro Preto 1999, Quinta
dos Roques (Decanter, tel.: 11 3071-3055, US$ 45). 10 meses
em barricas de carvalho francês. Cor clara, alinhado no olfato,
com frutos vermelhos frescos, um toque floral, madeira bem integrada
e, no final, aparece um chocolate. Precisa de tempo para se abrir
na taça. Melhor no nariz que na boca, onde falta certa profundidade.
Pode ainda desenvolver outros aromas com alguns anos de guarda.
B/B+
Tinto Cão 1999, Quinta
dos Roques (Decanter, US$ 44). Apesar do nome pouco delicado
esta uva é considerada mais feminina que robusta. Educado
10 meses em barricas de carvalho francês. Cor clara, fino
e delicado (média intensidade) no nariz, mostrando carvalho,
frutas vermelhas e um toque floral. Na boca é elegante, com
médio corpo, taninos ainda um pouco ásperos, boa acidez,
13,5% de álcool, com final longo e agradável. Pronto
para beber ou para ganhar maciez em mais dois anos de guarda. B+
Touriga Nacional 1999, Quinta
da Pellada (Mistral, tel.: 11 3372-3400, US$ 45,50). Rubi
entre claro e escuro, com média intensidade no nariz com
de aromas carvalho (francês), cerejas, cedro e tabaco. Um
tinto de classe, elegante, com taninos finos e macios, de médio
corpo com acidez bem presente. Pronto, mas pode desenvolver seus
aromas com alguns anos de guarda. B+/A
Reserva 1999, Casa de Santar
(Santar, tel. 11 227-7355, ainda não disponível no
Brasil). Uma mistura de 50% Touriga Nacional, 25% Alfrocheiro Preto
e 25% Tinta Roriz. Vermelho rubi com primeiros traços de
evolução na cor, entre clara e escura. No nariz o
primeiro a chegar é o carvalho, seguido de especiarias, tabaco
e couro. Macio e elegante no palato, bom corpo, com 13% de álcool.
Está pronto, pode porém ser guardado por mais 2 anos.
A
Touriga Nacional 1999, Quinta
de Cabriz (Expand, tel.: 11 4613-3333, US$ 38). 100% Touriga
Nacional, com 6 meses em barricas de carvalho francês de segundo
ano em seu currículo. Rubi escuro. Bom ataque aromático,
lembrando couro, carvalho, tostados, defumados e frutas negras muito
maduras e um leve toque de menta. Sério, o mais encorpado
da prova, 12,6% de álcool, ainda com uma ponta de tanino,
final longo com uma nota agradável de amargor. Beber ou guardar
por 5 anos ou mais. O melhor (e mais barato) da prova. A
| Legenda |
|
| A+ |
Extraordinário |
(95 a 100) |
| A |
Excelente |
(90 a 94) |
| B+ |
Muito bom |
(85 a 89) |
| B |
Bom |
(80 a 84) |
| C |
Médio |
(70 a 79) |
| D |
Fraco |
(50 a 69) |
| E |
Abaixo do padrão |
(0 a 49) |
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