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Mar de Vinho
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GAZETA MERCANTIL - Caderno Fim de Semana - 30/05/2003

O VINHO SOBE A SERRA

por Marcelo Copello

Petrópolis, a bela e sofisticada estância serrana fluminense, promove o II Serra Vitis - Encontro do Vinho na Serra. Este segundo evento, que prossegue até 1º de junho, é a confirmação da cidade como o novo território para enófilos do Estado do Rio de Janeiro.

O encontro, que estreou em maio de 2002 com 50 participantes e cinco degustações, cresceu consideravelmente e neste ano espera a presença de 300 inscritos em um total de 11 provas. Provavelmente inspiradas no bom exemplo do encontro de Pedra Azul, no Espírito Santo, foram acrescentadas cinco degustações ditas "especiais", do mais alto nível. Os destaques são a vertical do tinto bordalês Château Pichon-Longueville-Baron (1995 a 1999), conduzida pelo consultor Jorge Lucki, e a vertical de Mouchão, um dos melhores tintos de Portugal, conduzida pelo presidente da Associação Brasileira de Sommeliers-RJ (ABS-RJ), Ricardo Farias.

Também conduzida por Farias, pode ser interessante a vertical do Gran Reserva riojano Faustino I, que oferece desde as safras mais antigas, como as de 1964 e 1970, chega a seu provável ápice, no premiado ano de 1982, e aporta nos mais recentes 1994 e 1995. A dúvida é apenas quanto ao 1970, um ano que não chegou a ser excelente e vai muito além dos 15 anos de idade sugeridos pelo produtor como ideal de maturidade de seus Gran Reservas.

O interesse pelo evento cresce exponencialmente com a realização simultânea do I Congresso Pan-americano de Sommeliers, que contará com a presença de dirigentes de diversas associações de sommeliers das Américas, todas afiliadas à Association de la Sommellerie Internationale (ASI).

A entidade internacional foi fundada em 1969 em Reims, na França, congregando, então, apenas quatro países (França, Itália, Bélgica e Portugal), com o objetivo de facilitar o intercâmbio profissional e regulamentar a profissão de sommelier (profissional do restaurante responsável pelas bebidas). Hoje a ASI conta com mais de 30 países afiliados, entre os quais o Brasil, cuja Associação Brasileira de Sommeliers (ABS) foi fundada no Rio de Janeiro em 1983 pelo italiano Danio Braga e hoje já conta com regionais em São Paulo, Brasília e Salvador.

O atual presidente da ASI, Giuseppe Vaccarini, é presença confirmada no evento. Este italiano, também presidente da Associazione Italiana Sommelier (AIS), ostenta o título máximo da categoria, o de melhor sommelier do mundo, conquistado em Lisboa em 1978.

Dez países deverão estar representados pelos dirigentes de suas associações. Alguns deles, como o canadense Jacques Orhon e o chileno Hector Vergara, conduzirão degustações abertas ao público, cujos temas serão, respectivamente: "Duas Francesas no Novo Mundo: Cabernet Sauvignon e Shiraz" e "Panorama dos vinhos chilenos".

O evento se encerra com chave de ouro no domingo, com uma mesa-redonda reunindo representantes de vários setores da indústria do vinho no Brasil, como o importador Ciro Lilla, o restaurateur Danio Braga, os enólogos Adolfo Lona e Philippe Mével e o sommelier mineiro Guilherme Corrêa.

A proximidade da Serra de Petrópolis (menos de uma hora de automóvel do Rio de Janeiro, por exemplo) e a flexibilidade dada pela organização do evento são fatores positivos. Os participantes podem fazer compras avulsas entre palestras, degustações, almoços e jantares harmonizados, sem a necessidade de aderir a pacotes ou de se hospedar em uma das pousadas do evento. Pode-se subir a serra, participar de uma degustação e/ou um almoço e voltar no mesmo dia.

Como bom vinho é indissociável da boa mesa, outra atração são os 7 menus harmonizados oferecidos, como parte do encontro, em 5 restaurantes da região, como o Solar Fazenda do Cedro (sede das degustações), Tambo los Incas e a estrelada Locanda della Mimosa. Os cardápios passeiam por diversas culinárias, como a francesa e a italiana, além de infalíveis combinações de pratos portugueses com vinhos idem, chegando a um menu mediterrâneo, com o manjado, mas sempre eficiente, gazpacho com jerez.

O que mais chama a atenção é um menu brasileiro, que oferece casamentos mais ousados. Entre eles, uma farofa com camarões que vem de mãos dadas com um Sauvignon Blanc, carne-seca e queijo coalho, que fazem par com um Bordeaux tinto, nhoque de jerimum com carne-de-sol que flertam com um Malbec e mangada com sorvete de queijo-de-minas se exibe ao lado de um autêntico Sauternes.