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por Marcelo Copello
Petrópolis, a bela e sofisticada estância
serrana fluminense, promove o II Serra Vitis
- Encontro do Vinho na Serra. Este segundo evento, que prossegue
até 1º de junho, é a confirmação
da cidade como o novo território para enófilos do
Estado do Rio de Janeiro.
O encontro, que estreou em maio de 2002 com 50 participantes
e cinco degustações, cresceu consideravelmente e neste
ano espera a presença de 300 inscritos em um total de 11
provas. Provavelmente inspiradas no bom exemplo do encontro de Pedra
Azul, no Espírito Santo, foram acrescentadas cinco degustações
ditas "especiais", do mais alto nível. Os destaques
são a vertical do tinto bordalês Château Pichon-Longueville-Baron
(1995 a 1999), conduzida pelo consultor Jorge Lucki, e a vertical
de Mouchão, um dos melhores tintos de Portugal, conduzida
pelo presidente da Associação Brasileira de Sommeliers-RJ
(ABS-RJ), Ricardo Farias.
Também conduzida por Farias, pode ser interessante
a vertical do Gran Reserva riojano Faustino I, que oferece desde
as safras mais antigas, como as de 1964 e 1970, chega a seu provável
ápice, no premiado ano de 1982, e aporta nos mais recentes
1994 e 1995. A dúvida é apenas quanto ao 1970, um
ano que não chegou a ser excelente e vai muito além
dos 15 anos de idade sugeridos pelo produtor como ideal de maturidade
de seus Gran Reservas.
O interesse pelo evento cresce exponencialmente com
a realização simultânea do I
Congresso Pan-americano de Sommeliers, que contará
com a presença de dirigentes de diversas associações
de sommeliers das Américas, todas afiliadas à Association
de la Sommellerie Internationale (ASI).
A entidade internacional foi fundada em 1969 em Reims,
na França, congregando, então, apenas quatro países
(França, Itália, Bélgica e Portugal), com o
objetivo de facilitar o intercâmbio profissional e regulamentar
a profissão de sommelier (profissional do restaurante
responsável pelas bebidas). Hoje a ASI conta com mais de
30 países afiliados, entre os quais o Brasil, cuja Associação
Brasileira de Sommeliers (ABS) foi fundada no Rio de Janeiro em
1983 pelo italiano Danio Braga e hoje já conta com regionais
em São Paulo, Brasília e Salvador.
O atual presidente da ASI, Giuseppe Vaccarini, é
presença confirmada no evento. Este italiano, também
presidente da Associazione Italiana Sommelier (AIS), ostenta o título
máximo da categoria, o de melhor sommelier do mundo,
conquistado em Lisboa em 1978.
Dez países deverão estar representados
pelos dirigentes de suas associações. Alguns deles,
como o canadense Jacques Orhon e o chileno Hector Vergara, conduzirão
degustações abertas ao público, cujos temas
serão, respectivamente: "Duas Francesas no Novo Mundo:
Cabernet Sauvignon e Shiraz" e "Panorama dos vinhos chilenos".
O evento se encerra com chave de ouro no domingo, com
uma mesa-redonda reunindo representantes de vários setores
da indústria do vinho no Brasil, como o importador Ciro Lilla,
o restaurateur Danio Braga, os enólogos Adolfo Lona e Philippe
Mével e o sommelier mineiro Guilherme Corrêa.
A proximidade da Serra de Petrópolis (menos
de uma hora de automóvel do Rio de Janeiro, por exemplo)
e a flexibilidade dada pela organização do evento
são fatores positivos. Os participantes podem fazer compras
avulsas entre palestras, degustações, almoços
e jantares harmonizados, sem a necessidade de aderir a pacotes ou
de se hospedar em uma das pousadas do evento. Pode-se subir a serra,
participar de uma degustação e/ou um almoço
e voltar no mesmo dia.
Como bom vinho é indissociável da boa
mesa, outra atração são os 7 menus harmonizados
oferecidos, como parte do encontro, em 5 restaurantes da região,
como o Solar Fazenda do Cedro (sede das degustações),
Tambo los Incas e a estrelada Locanda della Mimosa. Os cardápios
passeiam por diversas culinárias, como a francesa e a italiana,
além de infalíveis combinações de pratos
portugueses com vinhos idem, chegando a um menu mediterrâneo,
com o manjado, mas sempre eficiente, gazpacho com jerez.
O que mais chama a atenção é um
menu brasileiro, que oferece casamentos mais ousados. Entre eles,
uma farofa com camarões que vem de mãos dadas com
um Sauvignon Blanc, carne-seca e queijo coalho, que fazem par com
um Bordeaux tinto, nhoque de jerimum com carne-de-sol que flertam
com um Malbec e mangada com sorvete de queijo-de-minas se exibe
ao lado de um autêntico Sauternes.
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