.:| COLUNAS 2003 |:.
Mar de Vinho
design 
Sobre Marcelo Copello  


GAZETA MERCANTIL - Caderno Fim de Semana - 06/06/2003

LITÍGIO ENOLÓGICO INTERNACIONAL

por Marcelo Copello

Nem tudo é harmonia no mundo do vinho. O jogo do poder e das disputas políticas está ameaçando a realização do próximo campeonato mundial de Sommelier, marcado para novembro deste ano em São Francisco (EUA).

Presente no I Congresso Panamericano de Sommeliers, realizado em paralelo ao II Serra Vitis, na semana passada em Petrópolis (RJ), Giuseppe Vaccarini, presidente da Association de la Sommelier Internationale (ASI), conversou com este articulista e contou a sua versão para a contenda.

A ASI foi fundada em 1969 por representantes de apenas quatro países: França, Itália, Portugal e Bélgica. Hoje a entidade é poderosa e agrega 41 nações, totalizando 50 mil associados ao redor do mundo. Dentre os países afiliados, a Itália é talvez o mais influente e de longe o de maior número de associados, com cerca de 30 mil.

Vencedor do concurso de melhor Sommelier do Mundo em 1978, em Lisboa, o italiano Giuseppe Vaccarini é presidente da AIS (Associazione Italiana Sommeliers) e da ASI desde 1996. Reeleito em 2002 para o terceiro mandato na ASI, o especialista perdeu, porém, a reeleição da AIS em casa. Agora, Terenzio Medri tornou-se o manda-chuva da AIS. O rival tentou impugnar o mandato de Vaccarini na ASI, baseado em uma cláusula dos estatutos, que diz que: para ser presidente da associação internacional, deve-se ser também presidente da associação de seu país, segundo Vaccarini, um ponto obscuro no documento. Medri foi apoiado pelos presidentes das associações da França, EUA e Espanha. Esta última está processando em seu país uma editora que teria supostamente sido contratada sem licitação por Vaccarini para executar serviços para a Itália.

Foi então feita uma assembléia geral e, por 34 votos contra três, Vaccarini venceu. Como retaliação puniu os amotinados, solicitando a suspensão de seus mandatos. O representante dos EUA, Andrew Bell, barganhando com uma possível não realização do próximo mundial de Sommelier em seu país, conseguiu um sursis (não-cumprimento da pena). Os outros estão recorrendo da decisão.

Acontecimentos como este são o oposto do espírito agregador que caracteriza o vinho. É aguardar a resolução da contenda e que as associações de Sommeliers possam voltar a ser a verdadeira razão de suas existências: formar profissionais, educar consumidores e divulgar esta saudável bebida..