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por Marcelo Copello
Uma deliciosa maratona é a descrição
mais adequada para o Encontro Mistral,
feira de vinhos promovida pela Mistral Importadora, uma das maiores
e melhores empresas do ramo no País. O evento, que aconteceu
na semana passada, colocou à disposição de
enófilos paulistanos e cariocas quase 300 rótulos
de ótimo nível, servidos pelos próprios produtores.
Ao todo, mais de 40 vinícolas, de oito países,
estavam representadas, na maioria dos casos, por seus proprietários,
que decidiram vir pessoalmente e pagando parte das despesas. Esse
comportamento confirma o interesse que o mercado brasileiro vem
despertando no mundo do vinho. Tamanha receptividade, vinda de nomes
consagrados, que certamente não têm no Brasil seu principal
cliente, demonstra a confiança no potencial das vendas nacionais.
Outro ponto positivo foi a limitação de ingressos
- cerca de 300 por dia -, o que evitou as aglomerações,
que freqüentemente comprometem eventos como esse.
A feira foi palco para a apresentação
de algumas boas novidades prestes a chegar por aqui, como o tinto
Girolate 2001, do Château Tour de Mirambeau. O produtor de
Bordeaux, que conta com a consultoria do onipresente enólogo
Michel Rolland, tem chamado a atenção com vinhos de
boa relação custo-benefício. O Girolate 2001
é um Merlot com 14,5% de álcool, feito a partir de
vinhedos com rendimentos baixíssimos (15 hectolitros por
hectare), fermentado em barris de carvalho. É concentrado
e macio, com aromas de ameixas e chocolate.
A França reafirmou a qualidade de seus vinhos
e foi a presença mais marcante da feira. Talvez o maior destaque
tenha sido a Domaine Comte Georges de Vogué, da Borgonha,
a maior referência em Chambolle-Musigny. Seus vinhos encantam
até o mais exigente dos paladares com extrema elegância.
Portugal esteve muito bem representado. Dois dos maiores
vinhos do Douro estavam lado a lado, o elegante Fojo 2000, com uvas
Tinta Roriz e Tinta Barroca, e o potente Quinta do Vale do Meão
2000, com Touriga Nacional. Este último é conhecido
como "Barca Nova", por ser produzido em vinhedos que,
por muitos anos, originaram o vinho ícone português
Barca Velha. Os lusitanos também mostraram que têm
bons brancos, como o Redoma Reserva 1999, fermentado em barris de
carvalho, mostrando boa complexidade e notas tostadas agradáveis.
Fizeram lembrar ainda que nada se compara a um bom Porto Vintage
na idade certa, como o Grahams 1980, oferecido no evento.
Da Espanha pôde-se provar, em avant-première,
o Gavilán 2001, da Pérez Pascuas (Viña Pedrosa).
Este tinto 100% Tempranillo estagia um ano em barricas, é
jovem, frutado e vai agradar muito. Embora ainda sem preço,
custará menos que os US$ 39 cobrados pelo Viña Pedrosa
Crianza.
Da Itália, a novidade é o Masi Grandarella
2000, outro que irá chegar. É feito no estilo dos
famosos Amarones deste produtor, com uvas-passas, alcançando
14,5% de álcool, só que de cepas Refosco, Corvina
e, incomum neste país, a Carmenère. O resultado agrada,
mas fica aquém dos Amarones. O preço ainda não
foi divulgado.
Ainda do norte da Itália, outro destaque é
Livio Felluga. Responsável por brancos que ajudaram a fazer
a história do Friuli, ele apresentou o Shàrjs Chardonnay
2000 de impacto no olfato com notas de pêssego, flores brancas
e baunilha. Seu Sossò Riserva 1996, também merece
atenção. É um Merlot ainda jovem e de classe.
Descendo para a Toscana, a parada obrigatória é no
Castello di Ama com o supertoscano LApparita, servido por
Marco Pallanti, eleito "Enologo dellAnno" pelo "Gambero
Rosso".
Do Novo Mundo, havia os maiores produtores sul-americanos.
Do Chile, a Viña Montes, que oferece desde bom custo-benefício
com sua linha básica, até superpremiuns como o Montes
Alpha "M", um corte bordalês de alto nível,
ou o Montes Folly, um Shiraz de primeira. A Casa Lapostole, outro
dos muitos clientes de Michel Rolland, não ficou atrás
mostrando o melhor Merlot daquele país, o Clos Apalta 2000.
Arrematando, Nicolás Catena Zapata, o bambambam da Argentina,
mostrou a classe de sua linha top.
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