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por Marcelo Copello
Michel Rolland, talvez o enólogo de maior prestígio
do mundo, está finalmente trabalhando no Brasil. Após
quase dois anos de negociações, este especialista
aceitou o convite da Vinícola Miolo para desenvolver seus
vinhos. Esta coluna visitou a vinícola gaúcha e conferiu
o trabalho do especialista francês.
O "estilo Rolland" é de líquidos
concentrados, feitos a partir de uvas ultramaduras, com taninos
amaciados por longo estágio em barris de carvalho novo, respeitando
o solo e o clima de sua origem. Este mestre sabe que não
existe receita de bolo para se fazer vinho. Trata-se de um processo
complexo, por suas inúmeras variáveis e muitos mistérios,
quase uma alquimia.
A assinatura de Rolland em um rótulo garante
o acesso aos formadores de opinião mais poderosos do planeta,
como a revista "Wine Spectator" ou o crítico Robert
Parker, que costuma conferir notas altas aos produtos da grife Rolland.
A contratação desta consultoria faz parte de uma estratégia
da empresa para penetração no mercado internacional.
Segundo seu enólogo-chefe, Adriano Miolo, a empresa detém
uma fatia de 80% do mercado de vinhos finos nacionais quando se
fala de garrafas com preço acima de R$ 10. Uma fatia de cerca
de 4 milhões de litros anuais. Contudo, apenas 3% da produção
é exportada, principalmente para os EUA. O objetivo da Miolo
é multiplicar este volume por dez nos próximos anos.
Um consórcio chegou a ser criado, agregando 5 dos mais importantes
produtores brasileiros: Miolo, Salton, Valduga, Aurora e Lovara,
que já atuaram em bloco em eventos como a London Wine Fair
e Vinexpo de Nova York em 2002. O trabalho do expert francês
se estende às três unidades da Miolo: Bento Gonçalves,
na Serra Gaúcha; Campanha Gaúcha, fronteira com o
Uruguai, e Vale do São Francisco, no nordeste do País.
Vai desde a escolha das castas, o plantio, os cuidados com o vinhedo,
a poda e a seleção das barricas de carvalho, até
o projeto das cantinas e o marketing, com o posicionamento dos produtos
no mercado. O sistema de plantio é o de espaldeira, método
milenar usado na Europa com plantas mantidas na forma arbustiva,
o que permite maior insolação, com adaptações
a cada uma das três regiões. Por exemplo, cultivo de
mais vinhas por hectare para que concorram entre si em busca de
nutrientes do solo, inclinação do terreno e baixo
rendimento controlado.
Em Bento Gonçalves, um novo modelo de tanque
de aço inox para a fermentação dos tintos já
foi instalado. Difere dos outros que a empresa dispõe por
ser mais baixo e de maior diâmetro, proporcionando um maior
contato das cascas, que bóiam junto com o líquido,
aumentando a extração de cor e estrutura na bebida.
O método de remontagem - bombeamento do mosto do fundo do
tanque para a superfície - também será diferente,
as cascas serão mecanicamente empurradas para o fundo do
tanque, melhorando a extração do suco. Toda a movimentação
do mosto será feita por gravidade ao invés da utilização
de bombas, que prejudicam as uvas, dilacerando suas cascas e liberando
substancias indesejadas.
Rolland já auxiliou no corte do Lote 43 (atualmente
o vinho top da empresa) da safra 2002. O projeto culminará
com o lançamento, daqui a dois ou três anos, de três
novos rótulos. A linha já tem nome definido - "Miolo
Terroir" - e será composta por um vinho de cada uma
das três unidades da empresa, expressando o terroir (condições
de solo e clima) de seu local de origem.
Além dessa, a Miolo prepara ainda uma série
de boas novidades para os consumidores. Dentre os novos vinhos provados,
o Miolo Gran Reserva, que estará posicionado entre a linha
Reserva e o Lote 43, e o maior destaque, um exemplar feito a partir
de castas portuguesas plantadas na Estância Fortaleza do Seival,
na Campanha Gaúcha. A amostra provada, ainda não totalmente
acabada, demonstra bom potencial. A cor é retinta e o corte
de Tinta Roriz, Alfroucheiro Preto e Touriga Nacional empresta aromas
de frutas secas bem ao estilo do Douro. O teor alcoólico
é de 12,8%, obtido naturalmente, sem necessidade de nenhum
artifício. O projeto é uma parceria com a portuguesa
DãoSul. O vinho deve chegar ao mercado em 2004, com a marca
Quinta do Seival", custando entre R$ 30 e R$ 40.
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