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por Marcelo Copello
Preferência nacional, a cerveja é tema
de dois novos livros. Um deles, recém-chegado às livrarias,
é o "O Catecismo da Cerveja", do alemão
Conrad Seidl (Senac, 388 páginas, R$ 45), que ganhou caprichada
tradução de Ingo Lütge e Flávio Quintiliano.
O outro, "Os Primórdios da Cerveja no Brasil",
de Sérgio de Paula Santos (Ateliê Editorial, 46 páginas,
preço máximo estimado R$ 25), tem lançamento
previsto para o início de agosto.
O cartilha de devoção escrita por Seidl,
autodenominado "o papa da cerveja" e dono do registro
desta alcunha, é uma leitura bem-humorada e riquíssima
em informações. Tanto que o livro adora o formato
de perguntas e respostas. Ao todo são 567 goles, ou pílulas,
de conhecimento sobre as loiras, morenas e ruivas espumantes, o
suficiente para embriagar de conhecimento o mais sedento dos "cervejistas".
Jaguar ilustra a obra, enriquecendo-a e comentando o texto com suas
charges, sempre muito bem-vindas.
Quer saber qual o teor de cálcio ideal da água
para fabricação de cerveja?, o papa responde. E qual
o texto da lei de pureza em alemão arcaico?, ou que gosto
tinha a cerveja dos antigos egípcios? está tudo lá.
Os assuntos vão dos técnicos, aos didáticos,
passando por curiosidades, fatos históricos e pitorescos.
São orações, canções, provérbios,
regras e leis.
Tantas informações se ressentem da falta
de um índice remissivo para facilitar as consultas. Numa
próxima edição também seria interessante
uma atualização dos números e estatísticas
divulgados na obra, datados de 1997. Como a cerveja é tão
apreciada pelos brasileiros, nas futuras reedições,
também será interessante incluir sobre a realidade
do bebedor nacional como estatísticas de consumo, hábitos
regionais e as marcas do Brasil. Essas observações
não roubam os méritos do ótimo "O Catecismo
da Cerveja", que se encerra com a pergunta número 567:
"Falar e escrever sobre cerveja não dá sede?"
O sim como resposta é óbvio e inquestionável.
"Os Primórdios da Cerveja no Brasil",
do médico Sérgio de Paula Santos, se propõe
a "levantar alguns dados sobre as primeiras cervejas consumidas
no País, dos primórdios, como diz o título,
aos nossos dias, passando, naturalmente pelas duas maiores cervejarias
citadas".
Sucinto, o livro dá algumas pinceladas na história
da cerveja no Brasil, concentrando-se no passado das duas maiores
empresas brasileiras do setor, a Antártica e a Brahma, fundidas
desde 1999, sob o nome de AmBev (American Beverage Company).
O texto é documental, compilando dados históricos
e relatando fatos curiosos, como a origem da expressão "marca
barbante", que designava qualquer produto de baixa qualidade,
inspirado no fato de as garrafas de cerveja serem outrora vedadas
com rolhas amarradas com barbantes. Também estão lá
dados como a relação entre o preço de uma Antártica,
em 1919, e o salário mensal de uma faxineira na mesma época,
o equivalente a apenas duas e meia garrafas.
A maior parte da obra é dedicada aos anais da
Antártica, empresa resultante de uma associação
entre uma cervejaria de origem alemã e um abatedouro de suínos.
O motivo? O frigorífico possuía uma máquina
de fazer gelo, item caro e importante da fabricação
de cervejas na época. Assim, em 1888 fundou-se a "Companhia
Antarctica Paulista - Fábrica de Gelo e Cerveja". A
crônica da sucessão familiar no controle da empresa
também é abordada. Item digno de nota é o testamento
deixado por um dos herdeiros, datado de 1934. Segundo Paula Santos,
neste documento estariam entre os beneficiários o Partido
Nacional-Socialista Alemão, e o dinheiro legado ficaria aos
cuidados do então presidente, nominalmente citado: Adolf
Hitler.
O leitor chegará à última página
estimulado a se aprofundar em análises históricas
e em estabelecer contato com a realidade atual desta indústria
de bebidas no Brasil. O livro concentra-se principalmente dos primórdios
no século XIX aos anos 30 do século passado. Paula
Santos fica devendo um complemento desta obra.
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