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por Marcelo Copello
Menos conhecido do grande público, o Quinta
do Noval Nacional é o vinho português mais cobiçado
no mundo. O preço e a raridade deste Porto o colocam no mesmo
patamar de nomes de vinhos de mesa como o Pétrus e o La Romanée
Conti. O Vintage Nacional 1931 foi eleito um dos 12 vinhos do século
pela revista americana "Wine Spectator". Disputadas em
leilões, garrafas do Vintage Nacional 1963, para muitos o
ano de sua mais perfeita expressão, chegam a ultrapassar
a cifra de € 3 mil cada. Enquanto isso, exemplares da mais
recente, porém não menos cotada safra de 2000, saem
por €1,5 mil, quando são encontrados.
A história desse objeto do desejo começa
em 1715, data do primeiro registro da Quinta do Noval. A propriedade
de 145 hectares, situada na encosta sul do vale do rio Pinhão,
um dos locais mais privilegiados do Douro. No final do século
XIX, a região foi duramente atacada pela praga Phyloxera,
que destruiu muitos parreirais, incluindo toda a propriedade da
Quinta do Noval. A empresa foi à falência, mudando
de mãos em 1894. O novo proprietário, António
José da Silva Júnior, reconverteu os vinhedos, enxertando
as vinhas portuguesas em raízes de plantas americanas, resistentes
à praga. O trabalho foi concluído por seu genro Luís
de Vasconcelos Porto, que decidiu plantar um pequeno vinhedo de
apenas 2,5 hectares, em seu melhor terreno, utilizando não
a enxertia, mas o "pé franco" (plantio com raízes
originais). Este método proporciona líquidos mais
concentrados, mas deixa as plantas vulneráveis à praga,
um grande risco.
O vinho produzido ali, pela primeira vez em 1925, foi
um Porto Vintage, batizado de "Nacional". Esse nome se
deve à utilização de parreiras com raízes
nacionais e não o artifício importado.
Durante quase 300 anos de história, a Quinta
pertenceu a quatro famílias até ser comprada em 1993
pela multinacional francesa AXA Millessimés. A empresa elabora,
sempre com alto nível de qualidade, toda a gama de Portos:
Ruby, Tawny, LBV... Entre os Vintages, além do Nacional,
produzem o Quinta do Noval comum e o Quinta do Sival (a segunda
marca, lançada há alguns anos com grande sucesso).
A quantidade de Nacional produzida é mínima:
cerca de 2,4 mil garrafas ao ano. Para se ter uma idéia,
o La Romanée Conti tem uma produção que equivale
ao dobro desta e o Château Latour faz 100 vezes mais vinho,
o que torna cada garrafa do Quinta do Noval Nacional tão
rara quanto cara.
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