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Mar de Vinho
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Sobre Marcelo Copello  


GAZETA MERCANTIL - Caderno Fim de Semana - 09/01/2004

GIGANTE PORTUGUÊS DE ROUPA NOVA

por Marcelo Copello

Grupo Sogrape, maior produtor de vinhos de Portugal, está com atrações especiais em seu extenso catálogo. Uma é a nova cara de seu best seller internacional, o Mateus Rosé. A outra é a nova representação de seus vinhos da linha Reserva e Premium, que agora está nas mãos da importadora paulistana Zahil.

A Sogrape é uma empresa familiar. Foi fundada por Fernando Guedes e é comandada hoje por seu neto, Salvador. A empresa se lançou no mercado em 1942 com um vinho rosado e despretensioso que se tornou um dos maiores sucessos da história desta indústria.

O Mateus Rosé foi relançado nos 130 países onde a empresa está presente com intenção de causar impacto. Seu rótulo e garrafa estão com novo design - mais moderno. Este fenômeno, que chegou a ser o vinho mais vendido no mundo, atingiu o auge de sua fama nas décadas de 1970 e 80. Segundo seus criadores, sua típica garrafa teria sido inspirada nos cantis utilizados pelos soldados portugueses durante a Primeira Guerra Mundial.

Trata-se de vinho rosado, levemente frisante, de caráter jovem e fresco, sem compromisso, para ser consumido gelado e em taças do tipo flute no lugar de em espumante ou de uma cerveja. É feito a partir das castas Baga, Rufete, Tinta Barroca e Touriga Franca, fermentado a temperaturas controladas sem contato com as cascas. Custa entre R$ 18 e R$ 20, valor alto pelo que oferece.

Com o sucesso deste seu carro-chefe nos anos 80, a empresa resolveu diversificar a gama de produtos. Adquiriu a tradicionalíssima AA Ferreira, produtora do mítico Barca Velha, o vinho tinto fino de mesa de maior prestígio de Portugal, além de vinhos do Porto de primeira linha. Seguiram-se as compras da Forrester e da Sandeman, além da bodega argentina Fincha Flichman. Hoje o grupo possui centros de vinificação nas principais regiões produtoras do país: Douro, Dão, Alentejo, Bairrada e na área dos Vinhos Verdes, além do braço sul-americano.

Também estão no Brasil as linhas Reserva Sogrape e Premium, em nova parceria com a importadora Zahil. Os vinhos foram apresentados a imprensa com presença do enólogo chefe da casa, Vasco Magalhães. Os destaques foram:

Sogrape Reserva 1999, Dão, (Zahil, R$ 83). Touriga Nacional, Jaen, Alfroucheiro e Tinta Roriz, com 13,5% de álcool. Granada entre claro e escuro, frutado mas já com os primeiros aromas de evolução. Bom corpo, taninos ainda presentes, muito equilibrado e com boa persistência. Beber ou guardar. B+

Sogrape Reserva 2000, Alentejo, (Zahil, R$ 83). Aragonês (70%), Trincadeira e Alfroucheiro, com 13,5% de álcool. Rubi escuro, lembrando baunilha, torrefação e frutos negros maduros. Macio e muito equilibrado. Beber ou guardar. O melhor da linha reserva. B+

Sogrape Reserva 1999, Douro, (Zahil, R$83). Touriga Nacional, Tourtiga Franca, Tinta Roriz e Tinta Barroca, com 12,7% de álcool. Rubi escuro com reflexos violáceos, ainda um pouco fechado no nariz, sem muito ataque, lembrando frutas, especiarias e carvalho. No palato tem tanino ainda presente e bom equilíbrio e persistência. Beber ou guardar. B+

Quinta dos Carvalhais Tinta Roriz 1998, Dão (Zahil, R$156). Com 13,4% de álcool e envelhecimento em barris franceses novos. Rubi escuro com reflexos violáceos, frutado com ameixas e cerejas pretas, e toques de especiarias como anis estrelado e alcaçuz, além de carvalho e fumê. Encorpado, tanino ainda marcado, merece mais tempo de guarda. B+/A

Herdade do Peso Alfroucheiro 2000, Alentejo (Zahil, R$ 143). Com 14% de álcool de cor rubi violáceo escura e aromas com boa complexidade e elegância, frutas vermelhas muito maduras, carvalho e um toque de menta. No paladar é concentrado, quente e macio. Pronto.

Legenda
A+ Extraordinário (95 a 100)
A Excelente (90 a 94)
B+ Muito bom (85 a 89)
B Bom (80 a 84)
C Médio (70 a 79)
D Fraco (50 a 69)
E Abaixo do padrão (0 a 49)