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por Marcelo Copello
O enófilo brasileiro mais atento, que lê publicações estrangeiras ou navega por sites internacionais, muitas vezes se depara com garrafas a preços razoáveis e excelentes pontuações em publicações especializadas como as americanas "Wine Spectator" e "The Wine Avocate". Infelizmente, é comum que alguns dos rótulos de melhor custo/benefício passem a milhas dos portos nacionais. Assim, nem sempre estas pechinchas estão disponíveis no Brasil e, muitas vezes, quando são encontradas, seus preços portam mais cifrões do que se imagina.
Há vários motivos para que isso ocorra. O mercado brasileiro ainda é minúsculo quando comparado ao da Inglaterra, dos Estados Unidos, da Alemanha ou do Japão, que movimentam cifras bilionárias. Infelizmente, o volume de importação e o giro do Brasil são significativamente inferiores. Por isso, o poder de barganha do importador brasileiro com os fornecedores internacionais costuma ser pequeno. O que não impede a existência de uma grande variedade de rótulos de todo o mundo. Só que as safras disponíveis nem sempre são as mais recentes, pois as antigas demoram muito a se esgotar por aqui. Como não há giro, não há a possibilidade de trazer novidades com uma freqüência intensa.
O outro lado da moeda é a timidez do consumidor brasileiro, que tem como principal causa a limitação de seu orçamento. Mesmo em grandes promoções, muitas com até 50% de desconto para alguns ótimos exemplares, a resposta ainda é lenta. Para tornar a situação mais adversa, há impostos locais e a margem de lucro praticada pelas importadoras para compensar o menor ganho de escala e menor giro dos estoques é bem alta.
Para Celso La Pastina, da importadora World Wine/La Pastina, que trabalha com grandes marcas como Laroche e Barone Ricasoli, o maior desafio é ter volume. "Nos últimos quatro anos criamos um portfólio de mais de mil rótulos de 70 produtores. Não tive grandes dificuldades em negociações, mas sim em criar volume suficiente para cada linha, já que trabalhamos com grandes players mundiais, que exigem um retorno à altura", diz La Pastina.
Às vezes, para o importador brasileiro não basta querer comprar. Em visita à Austrália em 2003, pude verificar que diversos produtores desse país têm praticamente toda a produção destinada principalmente à Inglaterra e aos Estados Unidos. É o poder econômico de quem pode comprar mais, pagar melhor e em moeda forte.
A pressão para que os produtores vendam seus melhores rótulos para os mercados mais fortes aumenta exponencialmente quando um determinado vinho recebe as graças de nomes como "Robert Parker" e a revista "Wine Spectator".
Para Ciro Lilla, proprietário da Mistral Importadora, detentora de um catálogo de mais de 2,5 mil itens, o segredo em se conseguir bons rótulos está na garimpagem de novidades. "Se você chegar depois que o Robert Parker esqueça, o preço se multiplica e o estoque de vinho vai todo para os grandes mercados."
Lilla lembra um outro empecilho às negociações lá fora. "A burocracia aqui é imensa. O trabalho para importar uma caixa é o mesmo de trazer um contêiner", diz. Isso desanima produtores pequenos, que têm mercados garantidos em outros países. Outro fator é a desconfiança natural de quem nunca exportou para o Brasil, cuja economia e moeda não têm um histórico dos mais estáveis.
A alta do euro, por exemplo, afetou grandemente a importação de vinhos europeus. Um exemplo da conseqüência desta flutuação da moeda pôde ser notado no estoque de uma grande importadora brasileira. Antes da alta, as garrafas de cada nova safra um de seus melhores Chiantis esgotavam-se em seis meses, hoje a empresa dispõe de quatro safras ainda em estoque.
Apesar das adversidades, o mercado brasileiro oferece diversos vinhos que aliam custo acessível e altas pontuações em publicações especializadas internacionais. Não é difícil citar boas opções de até R$ 100 e com nota 90 ou mais pontos na "Wine Spectator" (WS) e Robert Parker (RP). Confira:
Argentina
Casa tradicional por produzir rótulos prestigiados, a Catena Zapata oferece o Catena Chardonnay 2001, com 90 pontos WS a US$ 20,50. O Viñas Altos Los Hormigas Reserva Malbec 2001 acaba de receber 91 pontos na WS e está entre os "top 100" da revista neste ano. Custa US$ 29,50. Ambos da Mistral, tel.: (11) 3372-3401.
Chile
Um dos expoentes chilenos, a Casa Lapostolle tem o Cuvée Alexandre Merlot 1999 com 90 ponto RP por US$ 29,75. Mistral, tel.: (11) 3372-3401. A novata importadora Vinália, (11) 3872-3227 traz da Viña Haras de Pirque o Chardonnay Maipo Valley Elegance 2002 com 90 na WS. Custa R$ 80,40.
Espanha
São boas opções o Rívola 2000 (R$ 67) com nota 90 de RP e o Hécula 2001 (R$ 47) nota 92 de RP. Este último é uma pechincha. Custa no Brasil os mesmos US$ 16 cobrados nos Estados Unidos. Trazidos pela First Food, tel.: (11) 3822-3986.
Estados Unidos
O californiano Dry Creek Zinfandel Heritage Clone 1999 tirou nota 90 de RP. Está a R$ 99 e é trazido com exclusividade pela Expand, tel.: (11) 4613-3333.
França
Apesar da fama de caros dos vinhos franceses, é possível encontrar um exemplar acessível no catálogo da World Wine/La Pastina, tel.: (11) 3315-7477: Côtes du Rhône Grand Reserve 1999 Louis Bernard (R$ 69). 90 ponto WS e RP.
Itália
O Fiano di Avelino 2000 Feudi di San Gregorio (R$ 79) e o Barbera d’Alba "Ruvei" 2001 Marchesi di Barolo (R$ 70) têm nota 90 na WS e/ou RP. Trazidos pela World Wine/La Pastina. A Expand distribui o branco Capitel Croce IGT Veneto 1998, 90 pontos RP e WS por R$ 81,23
Portugal
Vem se destacando pela qualidade e tem um exemplar: Carm Reserva 2000 com nota 90 WS. R$ 95.
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