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por Marcelo Copello
A cultura do vinho é vasta. Quem vive no mundo de Dionísio lida com uma grande quantidade de informações: rótulos, safras, produtores, importadoras, denominações de origem, notas, preços em várias moedas, etc, uma lista virtualmente infinita. O fascínio que esta bebida exerce sobre seus adeptos tende a torná-los colecionadores.
Ter uma adega repleta de bons exemplares é um dos maiores deleites do enófilo. O que é um prazer, por vezes, pode se tornar difícil de administrar. Muitos brasileiros possuem coleções com dezenas ou até centenas de exemplares diferentes, sem falar das adegas comerciais que podem chegar aos milhares de garrafas.
Para que fique mais fácil organizar e administrar coleções, o mercado oferece uma série de programas de computador destinados ao "controle de adegas". A oferta é variada, atende a várias necessidades e tem preços entre R$ 60 e R$ 450.
Dos programas em português, o mais completo é o "Adegas & Vinhos" (www.adegavinhos.com.br), embora seja também o mais caro dos nacionais. Custa R$ 98. O produto foi desenvolvido pelo enófilo Augusto Lefèvre, em conjunto com Sergio Cardoso, professor da Associação Brasileira de Sommeliers do Rio de Janeiro (ABS-RJ). A ferramenta permite controlar diversas adegas ao mesmo tempo, e informa uma série de dados sobre cada vinho, incluindo notas de degustação, baseadas na ficha oficial da ABS, e anotações de combinações daquele exemplar com o prato mais adequado. O visual é bem cuidado, com boas fotos, inclui seis pequenos filmes didáticos, um pequeno manual básico sobre o serviço do vinho e ajuda on-line. O aplicativo inclui um banco de dados de vinhos, importadores (com telefone, e-mail, etc), aromas, castas, regiões, denominações de origem e uma galeria com algumas centenas de rótulos. Uma nova versão, com previsão de lançamento no segundo semestre, vai trazer cadastrados os catálogos das principais importadoras brasileiras, o que tornará extremamente simples registrar novos vinhos na adega.
Outra proposta interessante do programa é o cálculo da relação custo-benefício, dividindo o preço pela nota dada ao vinho. Assim, é possível pesquisar ou classificar os vinhos adotando esse critério. Para as adegas comerciais é bem-vindo o uso de duas moedas (real e dólar, por exemplo) e a possibilidade de atualizar, de uma só vez, o preço de todo o estoque, com bases percentuais, além de permitir calcular a valorização do estoque e o retorno do investimento.
Uma proposta mais simples, também em português, é o "AdegaSoft" (www.soft-eventos.com.br), que sai a R$ 80. Neste, o cadastramento dos vinhos obedece a critérios padrão, como safra, tipo (tinto, branco, etc), região, variedade da uva, país, localização da adega, tamanho da garrafa, produtor, período de consumo, preço, teor alcoólico, etc. Traz espaço para o preenchimento de uma ficha de degustação de cada vinho, baseada também na ficha oficial da ABS. Uma adição interessante é a possibilidade do registro dos nomes das pessoas que realizaram a degustação. Permite consultar provas feitas por diferentes degustadores ou grupos. Possibilita também o cadastramento de links (Web) e, como todos os congêneres, possui seção de dicas que, provavelmente, não foram elaboradas ou revisadas por algum especialista, pois contêm imprecisões.
O "CD do Vinho" (http://planeta.terra.com.br/negocios/cddovinho/) tem uma proposta mais ampla: ser um livro virtual para iniciantes. É uma compilação, realizada pelo engenheiro e enófilo mineiro Horácio Morais Barros, que reúne uma grande quantidade de informações em forma de CD-ROM. O ciber livro traz dados básicos sobre a história do vinho, técnicas de plantio, castas, vinificação, princípios da degustação, harmonização, fotos, mapas, milhares de vinhos cadastrados e um guia elementar sobre 13 dos principais países produtores. Especificamente sobre o controle de adega, a ferramenta se mostra rudimentar, permitindo ao usuário inserir dados como o nome do vinho, tipo, país, região, produtor, onde comprou, quantidades e data da compra. O produto vale mais por sua abrangência do que pela função de administrar adegas. Custa R$ 68.
A lista de opções em outras línguas é extensa. Para aqueles que dominam o francês, uma escolha pode ser o "Gest Cave" (http://perso.wanadoo.fr/site-pc/gestcave/), que sai a €36, que, por ser um shareware, permite o uso gratuito por tempo determinado. Naturalmente, é mais interessante para os francófilos, pois traz muitas informações sobre vinhos gauleses. Ainda da França, pode-se optar pelo "Jeroboam" (http://pro.wanadoo.fr/philippe.querrec/jero-gb.htm), um dos mais baratos controles de adega do mercado: €18. Como também oferece o teste grátis, pode ser uma boa opção para iniciantes. Uma vantagem do "Jeroboam" é ser bilíngüe, francês/inglês.
A língua de Shakespeare é definitivamente também o idioma dos computadores, softwares em inglês dominam o mercado. Um deles é o "Cellar!" (www.cellarwinesoftware.com) tem proposta bastante completa. O maior diferencial é a imensa quantidade de informações sobre rótulos de todo o mundo, fornecida por um banco de dados acessado on-line pela Internet. O database central da empresa contém dados de 16 mil vinícolas e 28 mil notas de degustação, e estes números crescem diariamente. Sai a US$ 60.
Um dos controles de adegas mais caros do mercado, que traz a grife Robert Parker, é o "Robert Parker’s Wine Advisor & Cellar Manager" (www.winetech.com), que custa entre US$ 100 e US$ 150, versões, standard ou deluxe, respectivamente. O programa parte de um banco de dados baseado na publicação de Parker: "The Wine Advocate". Traz também visualização gráfica da adega e um arquivo de preços e fornecedores de vinhos (naturalmente não do Brasil).
Embora os programas mencionados acima tenham sido desenvolvidos para ambiente Windows, os macmaníacos não estão totalmente órfãos. O "Wine XT" (www.wine-software.net), para Macintosh OS X, custa US$ 50 e oferece uma apresentação amigável. Possui as funções básicas dos outros programas já mencionados e é organizado de maneira simples e direta.
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